Vim agora de uma formação que me ocupou os últimos dias (é um intervalo de um dia) e, alertado pelo Rui Branco, lá fui ler o Adufe: Tão pequeninos e já a levar porrada. Refere-se ao MEP, o movimento lançado por Rui Marques que pretende estabelecer um partido do centro ao meio dos dois partidos que disputam o centro.
O homem é acusado de louco para cima, num pleno de analistas invulgar na blogosfera — e a que se juntará muito em breve José Pacheco Pereira a escrever o pior que conseguir imaginar, o que surpreenderá alguns, que acreditam no seu distanciamento em relação à política dos partidos evidenciada pelo Abrupto em cada vírgula nos últimos tempos.
O que diz o Rui, e diz bem:
O que mais me surpreende é algo que tem algumas horas de existência pública ter conseguido praticamente fazer o pleno na blogoesfera política de este a oeste, algo que eu nunca vi em quase 5 anos que levo disto. É obra.
Que dos partidos surgissem reacções epidérmicas procurando matar qualquer mosca ainda vá, agora que do resto da malta se queira já, hoje, após uma conferência de imprensa, escalpelizar a coisa de forma tão… definitiva, é espantoso.
Pessoalmente desejo muito sorte e bom trabalho a ambos os movimentos e como diz o outro, vou andar por aí. Nesta altura contento-me com pouco: pessoas honestas, empenhadas que (com ou sem ideologias vincadas) tenham um sentido pragmático e de justiça. Assim todos são poucos. E de caminho pode até ser que sirvam de pedra nas engrenagens que andam por aí demasiado acomodadas a uma suposta real politik e superior gestão de timmings ansiando por novas maiorias absolutas.
Eu acho o seguinte. Vocês já atiraram água sobre areia, na praia?
Pois, é a mesma coisa. Os debatentes da política estão tão sequiosos de mudanças que mal surge uma pumba, engolem-na e desaparece de um trago.
Terá Rui Marques — um homem de invulgar capacidade de trabalho bem feito e com um currículo que fala por ele — força para levar o movimento para fora do percurso típico deste tipo de cidadania política, que acaba em regra em dois ou três secretários de Estado e um ministro eleitos como independentes no partido que ganhar?
Sozinho, não. Se conseguisse comprometer com o movimento uma dúzia de figuras sonantes, entre os críticos de PS e PSD, arrancava aos dois partidos os seus pedaços centristas, não tenho a mínima dúvida. Onde tenho a máxima dúvida é que os críticos — que por definição são os que ficaram de fora da última distribuição de cargos ao governo e à oposição — troquem a política que conhecem e onde foram educados pela aventura.
Portanto, não estou com o pleno blogosférico na análise, mas estou no resultado prático.
No problem. Com o fôlego e a perserverança, vai a secretário de Estado em 2009. E irá muito bem.
(Nota: post escrito à queima a correr, sujeito a edição posterior)

Mas certamente que sim! é uma publicação de Paulo Querido, jornalista e consultor de comunicação. Também autor de livros, artigos e algum código. Na net desde 1989. (
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