Começo de ciclo na imprensa 

O jornal com a pior edição em linha que jamais vi encerra amanhã. Ao fechar portas, O Independente dá início a um novo ciclo na imprensa portuguesa. Na realidade o ciclo vislumbrou-se com clareza no dia em que a carta de Duarte Moral ao director do Público foi neste jornal publicada. Aposto como José Manuel Fernandes não passa mais seis meses como director.
Mas formalmente podemos considerar esta sexta, 1 de Setembro como a data do arranque da “nova estação”. Na próxima semana o Expresso dá um passo histórico, largando o formato broadsheet para adoptar o mais moderno berliner. E o semanário Sol, do ex-director do Expresso José António Saraiva, tem data de publicação prevista para a semana seguinte (16 de Setembro?).
O fecho d’O Independente não deixa saudades por aí além. E vem abrir as perspectivas, ou deverei dizer as expectativas, ao Sol. Este dificilmente iria sacar público ao centro-esquerda político-social, coberto sem um milímetro de folga pelo Expresso de Henrique Monteiro (disclaimer: sou colaborador do Expresso). Afigura-se complicada a tarefa de encostar os cotovelos ao centro, entre o Expresso e o mais conservador Independente. Agora, abre-se a avenida do centro-direita para a equipa de JAS.
Mas eu não começava a esfregar as mãos. Mesmo filosofando sobre o apoio inesperado que poderá receber de quem sustentava a pena de Inês Serra Lopes, o Sol é uma incógnita enquanto projecto editorial. E o mercado não está só ligeiramente saturado: está em declínio para tudo o que não seja côr de rosa ou jornalismo de grande qualidade (suspeito que os desportivos vão levar uma forte ripada até 2007).
O ciclo promete animação. Eventualmente, de um tipo que dispensávamos.

Publicado por Paulo Querido in Sem categoria. Bookmark permalink.



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