Dentro de instantes o primeiro episódio da Floribella 2 vai ser transmitido por telemóvel. A SIC conseguiu negociar um acordo com os operadores «para tornar o visionamento grátis, mas o que aconteceria se não o fizesse?» — pergunta pertinente do Miguel Vitorino nas suas Impressões Digitais (Pagar dezenas de Euros para ver a Floribella no telemóvel).
E dá a resposta. Fez os cálculos: um cliente Vodafone pagaria 72 euros para ver um episódio de 50 minutos, um cliente Optimus pagaria 60 euros e um desgraçado de um cliente TMN pagaria 120 euros. Isto nos tarifários mais baratos de cada operadora.
O Miguel adianta a sua conclusão sobre isto. À qual eu somo outras duas. O objectivo da SIC não é chegar a novos mercados. Tal como o da Superbock quando anuncia cervejas sem alcool, o que realmente importa é anunciar a nossa marca nesses novos mercados, conquistar a simpatia fazendo com que eles tenham algum tipo de sintonia com a marca.
Dentro das faixas de consumidores que tratam o telemóvel por tu, quem não achará fantástico que a SIC seja ultramoderna assim e tal muito tech e coiso, emitindo em telemóvel e tudo? Tipo, uáu!
O que menos interessa — nesta altura — é se efectivamente houve emissão, quantos a viram e quanto pagaram por isso. Destaquei o tempo, nesta altura, porque dentro de algum tempo já não será assim. Talvez haja efectivamente “televisão” em telemóveis, talvez não, mas além da operação de (bom) marketing a SIC posiciona-se para o que der e vier.
Muito provavelmente, não virá dali nada. Mas as experiências ficam — e as tecnologias reorientam-se muitas vezes.
Para o grupo Impresa, os canais video são estratégicos. Neste tabuleiro joga-se a imagem. Noutros, longe dos olhares públicos, jogam-se os contratos.
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