Goodbye everybody I've got to go 

Conheci os Queen ainda Fred Mercury não era o ícone gay em que se tornaria. Nem famosos eram: não passavam de uma banda entre centenas, a esgatanharem-se por dar nas vistas. Conheci-os no lançamento do terceiro album, Sheer Heart Attack e eu e o meu amigo Rui depressa procurámos ouvir os dois primeiros, tal a revelação (ver Queen na Wikipedia).
Bem, não eram uma banda qualquer, de acordo. Este Bohemian Rhapsody Medley gravado ao vivo em 1975 dá-nos um excelente retrato das capacidades cénicas, do talento e da energia que viriam a fazer de Mercury uma das maiores pop stars ever — mas mostra-nos também que os Queen eram um grupo, e não a banda de Fred Mercury, como os valores da fulanização (uma das piores marcas sociológicas dos anos 90, diria eu, com consequências devastadoras na política como no jornalismo) vieram mais tarde a torná-la. Brian May, por exemplo, é o autor de fabulosos solos de guitarra eléctrica que… ficaram associados a Mercury — que por vezes tocava piano, como vemos nestes dois videos. Até Roger Taylor, um baterista quadrado perfeito, escreveu êxitos.

Uma década de rock’ n’ roll depois, Mercury já era o Fred que sobreviveu à sua morte. O mesmo animal de palco, agora refinado, imagem sólida, seguro de si e dos seus dotes. A estrela firmada, a dominar o histórico concerto Live Aid.

O YouTube permite-nos também este tipo de comparação diacrónica. E dá-nos acesso gravações que nunca víramos, pois as décadas de 1970 e 1980 foram muito pobres do ponto de vista da disseminação mediática. Os canais de televisão eram poucos e não dispunham de espaço para passar tudo o que não fosse a corrente dominante. Se tivéssemos de esperar pelos “detentores dos direitos” para hoje poder aceder a este precioso acervo, bem podíamos esperar sentados. Simplesmente são incapazes de ver um dólar diante dos olhos. Long life, YouTube, hail The Long Tail.

Publicado por Paulo Querido in Sem categoria. Bookmark permalink.



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