O título é de empréstimo de uma das aventuras de Tintin, o intrépido repórter imaginado. Mas este repórter não é imaginário, pelo contrário. Nem o país dos atrasos de vida que ele descreve em crónica no Diário de Notícias, assim se vê a força do TGV.
Pessoalmente, o que mais me irrita nas forças políticas que têm andado a bloquear o avanço lusitano para o comboio de alta velocidade é saber que eles sabem que eu sei que eles sabem que é tudo manobra política: o TGV é fatal como o destino, não apenas por razões exógenas, mas ainda por razões económicas. Far-se-á mais tarde ou mais cedo, seja qual for o partido no mando. É um assunto com o prefixo eco, e os assuntos com o prefixo eco não dependem das “decisões” políticas nem das opiniões alugadas a economicistas da moda.

O comboio a que alguns acham que temos direito
Deixo-vos com aperitivos para a leitura integral de uma crónica pertinente:
Imagine-se sentado no Maglev, o comboio chinês que anda a 500 km/h. Quando terminar de ler esta crónica terá já viajado 13 quilómetros. [...] Se um dia tivermos finalmente um TGV a ligar Lisboa a Madrid seria excelente a média de 250 km/h. Dava para avançar seis quilómetros enquanto lia este artigo sobre como o mundo se está a render ao fenómeno da alta velocidade sobre carris. Com os projectos em curso, em Marrocos como na Rússia ou na Coreia, a rede global passará de 11 mil quilómetros para 42 mil. O que dá que pensar, sobretudo se um dia destes viajarmos no Lusitânia, que todas as noites liga as capitais ibéricas a um ritmo em que, após lidos estes 2600 caracteres, só se andou dois quilómetros.
[...] Há 18 anos que a Espanha se rendeu à alta velocidade, com a pioneira ligação Madrid-Sevilha a bater por grande margem o avião, o que mostra que, mesmo na época das low-cost, a centralidade das estações e a ausência de check-in tornam o comboio competitivo.
[...] Os sauditas vão ligar por TGV Meca e Medina, os russos Moscovo e Sampetersburgo, os brasileiros Rio de Janeiro e São Paulo. Uma febre pela alta velocidade parece ter–se apoderado do mundo. Até nos Estados Unidos, onde o avião é rei e o carro imperador, está projectada a linha Los Angeles-Sacramento, relembrando esses tempos em que o comboio ajudou à conquista do Oeste
(Leonídio Paulo Ferreira, assim se vê a força do TGV. Imagem de cedezinho4)

Mas certamente que sim! é uma publicação de Paulo Querido, jornalista e consultor de comunicação. Também autor de livros, artigos e algum código. Na net desde 1989. (
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