Media 2.0: o fosso (onde os portugueses caíram)
Em Portugal, dois dos principais media ainda estão a “pensar” filosoficamente sobre abrirem ou não as suas edições ao mundo, enquanto à cautela tornam o seus feeds inoperacionais, inúteis. Olham para o feed como uma arma de marketing, um “fica bem” para a admiração da populaça. O mesmo tipo de cegueira da DEC, onde nasceu o motor de pesquisa Altavista que era visto… como uma peça de marketing para vender os computadores. Já não há DEC e a pesquisa é hoje um negócio maior que os computadores.
Outros dois dos principais continuam com edições web 1.0: ouve-se falar de uma modernização que está para chegar há meses. Outros, ainda, continuam amarrados a um parceiro “tecnológico” que lhes tem sugado a medula enquanto os mantém amarrados à inércia inventiva. Outros, ainda, abrem a marca aos blogues dos seus leitores, fechando-se com os piores deles num armário gigantesco de pageviews de valor residual que fazem baixar o nível do valor que a sua máquina editorial produziu.
O movimento 2.0 dos media em Portugal resume-se neste período triste, tristeza agravada pelo facto de os nossos estudiosos da matéria não terem impacto enquanto as luminárias com holofote vão dizendo as mais inconsequentes inocências, salpicadas de imbecilidades, que passam por “críticas” e “reflexões”.
Mas o pior está para vir.
O fosso alarga-se a passo de corrida.
Enquanto cá é o que (não) se vê, nos Estados Unidos da América o debate está aqui: como prevenir e defender o jornalismo participado das tentativas de manipulação dos hackers das relações públicas, spinners da política e também cidadãos sem escrúpulos nem formação cujos serviços os próprios media recrutam porque saem mais baratos. Estudam-se as lições da Google para prevenir o spam e a intoxicação dos resultados das suas pesquisas, recorre-se — imagine-se! — às soluções que o Digg inventou para se proteger dos mal intencionados (o Digg aceita anónimos), debatem-se os problemas levantados pela auto-edição em rede e pela junção de modelos que começaram por surgir como “inimigos”, a informação produzida por profissionais contra a opinião produzida por amadores, muitas vezes armados em polícias e moralistas do jornalismo.
É fundamental ler Developing Algorithms To Prevent Citizen Journalism From Being Gamed: Lessons From Google and Digg, de Scott Carp. Fundamental para quem se interessa, claro. Os proprietários e decisores dos nossos media, bem como os aproveitadores que vivem nas trevas dos media, estão dispensados à partida.
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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