Quem teve a peregrina ideia de nos infernizar os ouvidos com a troglodita da corneta africana, impedindo de ver jogos de futebol em condições e tornando a vida citadina num pesadelo, foi Pedro Bidarra. Um publicitário com grande fama em Portugal, trabalhando para uma das grandes agências e para uma das grandes contas. Estou certo que os seus pares se curvam perante tão brilhante ideia de colocar o país a soprar num bocado de plástico supostamente convencido de que há “energia” nisso (só mesmo um publicitário é capaz de fingir acreditar nisso — e só mesmo um jornalista é capaz de reproduzir a história do publicitário pretendendo serem ambos sérios).
Lamento não poder admirar uma tal ideia. Não consigo senão detestar algo que me bule com os nervos, me desconcentra e me exaspera.
Eu não tinha nada nem contra o futebol-negócio nem contra a GALP. A vuvuzela sacada do seu meio-ambiente natural (o estádio africano) para a nossa vizinhança, e tornada omnipresente nos media, e o hino pedido emprestado a uma banda rock intragável mudaram isso. Para pior. A GALP pode mesmo contar com menos um cliente. Não é por ela, bem sei que mais um menos um é igual ao litro, nem por Pedro Bidarra, que coleccionará mais uns prémios lá na sempre reconhecida indústria dele: é por mim.

Mas certamente que sim! é uma publicação de Paulo Querido, jornalista e consultor de comunicação. Também autor de livros, artigos e algum código. Na net desde 1989. (
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