A berraria vai alta. A mim nada me interessa discutir as escolas. Umas terão mais “disciplina”, outras serão pardieiros de “problemas sociais” e entre os extremos há a maioria delas, que segue uma vida turbulenta como qualquer escola de qualquer época e lugar, porque as escolas precisam de ter turbulência (o contrário é uma escola de mortos). Privadas ou públicas, a diferença está no grau de apaziguamento das consciências dos respectivos paizinhos.
Que temos nós, sociedade, para ensinar aos rebentos? Eis a questão.
Como queremos que nos aceitem jovens que olham para o mundo à sua volta, olham para os livros e os currículos e ouvem os professores e não vêm a mínima relação entre as coisas?
Como queremos educar miúdos com quem não sabemos falar e cujas linguagens e comportamentos achamos impróprios e bizarros, to say the least?
O actual fosso geracional só é comparável, e por baixo, com o generation gap dos anos 60 e, em certa medida, com a geração no future dos 80, que hoje se embebeda e aliena nos arrabaldes de Londres e de todas as londres europeias, aos fins de semana e nos intervalos de tirar fotocópias, empilhar tijolos ou puxar alavancas. O revivalismo punk devia fazer tocar as campaínhas dos nossos minúsculos cérebros, se não estivessem demasiado ocupados a discutir se é melhor atirar os putos para a privada ou a pública.
Alguém que se dê ao trabalho de analisar verificará que os miúdos de hoje (dos 4 aos 16, para ser preciso) não se revêem nos mundos físico e valorativo dos pais, têm com eles escassa simbologia operacional comum, e sobretudo intuem, quando não descortinam e antecipam e vêem, que raros dos instrumentos que insistimos em lhes enfiar no bornéu escolar terá qualquer utilidade no mundo deles, o mundo de depois de amanhã, que operará de formas substancialmente diferentes das actuais.
Não é preciso ser sábio para perceber a desconstrução em curso dos modelos de organização política, social e do trabalho. Basta ter tempo e um olhar despreconceituado. Algo que sobra aos miúdos e adolescentes.
( Muitos professores sabem disto, melhor ou pior; estão habituados a lidar com “eles”, estão mais perto “deles” do que a esmagadora maioria dos paizinhos. Mas, como se sabe, os professores não riscam uma vírgula nesta história das escolas e do ensino.)
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