Palavras de Sócrates: as vantagens das análises do Público e da minha 

Ontem passaram três anos sobre a eleição da maioria absoluta em que se baseia o actual Governo e eu assinalei a efeméride com novo serviço, aplicado aos discursos oficiais do Primeiro Ministro José Sócrates ao longo deste período.
Ontem também sucederam diversos episódios on e offline que me roubaram o tempo para acompanhar o lançamento — há sempre retoques de última hora, ajustes, e também responder às críticas e dúvidas.
Ontem, ainda, o diário Público publicou uma peça jornalisticamente magistral, um regalo para a vista, aquilo que faz um jornalista ficar orgulhoso do seu jornal ou até, como foi o meu caso, de um jornal que não é o meu, mas dá gosto ver.
Duas páginas com uma nuvem de palavras!
É simplesmente notável, ficam os parabéns na pessoa do António Granado, que as poderá transmitir ao Miguel Gaspar.

palavrasjosesocratespublico.jpg

Na edição online figura a menção ao serviço, ou ferramenta, de análise semântica que desenvolvi nas últimas semanas e para o qual tenho recolhido material e indicadores há dois anos. Elaborar uma nuvem de palavras é muito mais complicado do que parece. Esse é, talvez, um dos pontos do seu fascínio. É que simplifica em sinais de fácil assimilação pelo cérebro uma realidade bastante complexa e que de outra forma não se consegue descrever sem sinais igualmente complexos. A agravar a tarefa estão os caracteres especiais do português. Uma das aproximações consiste precisamente em eliminá-los do objecto de estudo antes de iniciar o estudo…
Pouco elegante, diria eu – e sei que o meu amigo Miguel Vitorino concorda: ele está, até, mais adiantado que eu nesta matéria.

Os dois trabalhos não concorrem um com o outro. Partem da mesma base teórica — eliminar as common words e os tempos verbais, agrupar logicamente palavras (português, portuguesa, portugueses e portuguesas agrupam-se debaixo de um só conceito, Portugal) — mas daí para a frente distiguem-se. Não são comparáveis nem nos meios de reprodução (papel / online), nem no âmbito de publicação (fixa / evolutiva). Mas a benefício do inventário, porque esta é uma nova ferramenta de perspectivar o real e o público e os jornalistas portugueses ainda estão num estádio inicial de relação com ela, aqui deixo um quadro que permite, espero, compreendê-las melhor.

meu quadro das palavras de jose socrates

Diferenças e vantagens

  • o levantamento do Público é one stand, está publicado no papel, o meu persegue o objectivo de se actualizar sempre que haja um novo discurso
  • o trabalho do Público está melhor alicerçado teoricamente, o meu está atrasado ao nível da identificação das palavras comuns (mas lá chegará :) )
  • o levantamento do Público prospecciona os discursos de três anos como um único objecto, o modelo que eu estou a construir adapta-se a analisar diacronicamente e/ou sectorialmente cada um dos discursos, isolados ou agrupados conforme a necessidade
  • no levantamento fixo, publicado em papel, as palavras diferenciam-se pelo tamanho, que denota a frequência, enquanto no levantamento online, dinâmico, é acrescentado o factor tempo e introduzida uma nuance de cor; isto permite aos olhos identificarem num instante os padrões que Sócrates foi adoptando e abandonando ao longo destes três anos
  • e a maior e mais decisiva diferença e simultaneamente vantagem: publicado em papel e em PDF, a nuvem de palavras do Público é de uma espectacularidade não reproduzível no monitor — mas é fixa, enquanto a minha, menos espectacular, ao ser programada num webservice permite “navegar” no tempo, para a frente e para trás nos discursos e respectivas nuvens, analisando as tendências
Publicado por Paulo Querido in Sem categoria. Bookmark permalink.



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