Quando este texto for publicado já estarei a caminho da Figueira da foz, onde logo à noite participo no programa da RTP 1 Prós e Contras, hoje dedicado às vidas electrónicas (link). Como convidado para o debate alargado, alinhavei algumas ideias que transmiti à produção, a pedido desta. Por inacreditável que vos pareça, nunca vi um P&C (*) pelo que não sei configurar a minha participação e vou preparado para qualquer eventualidade no intervalo entre zero segundos e cinco minutos de antena.
Principais problemas e más práticas:
- A macrocefalia do mercado português de tecnologias e Internet
- A condenação por asfixia do open source, permitido como manda a decência (e a gritaria dos seus aguerridos defensores) mas não assumido na política deste Governo
- A indecorosa submissão da política de Estado aos interesses de um fornecedor
- O regime de excessiva subsídio-dependência dos operadores privados da indústria das novas tecnologias, que funcionam aparentemente com todo o gosto numa lógica de acomodação
Os meus pontos:
- Portugal não proporciona um ambiente propício à inovação. Não há nenhum tipo de incentivo, e criam-se obstáculos sempre que possível, ao empreendedorismo. Ora, a web social, ou 2.0, é a web das pessoas, da iniciativa individual, do pequeno negócio. Esta colossal força económica já mudou o rumo mundial de duas indústrias mas é completamente ignorada no nosso país.
- Há um ambiente de asfixia que começa na desorientação escolar sobre como lidar com as iniciativas dos alunos, e incentivar a iniciativa, passa pelos obstáculos à circulação do código aberto — ele próprio um motor natural da inovação — e termina na quase ausência de práticas económicas de suporte à inovação (não há capital de risco, ou ao menos crédito coompreensivo) e no fraco interesse do Estado, reduzido às políticas de distribuição de subsídios através de canais estabelecidos há demasiado tempo e com clientelas certas.
Os prós do actual Programa Tecnológico:
- Depois da banda larga, promover intensivamente o uso dos computadores
- A modernização da Administração Pública, que está a diminuir o atrito com o público e a prestar melhor serviço
Os contras:
- Não combate, antes promove, a macrocefalia protegendo — no limite, pela inércia — os interesses das situações de monopólio tanto nos fornecedores do Estado como nos privados
- deu um passo atrás na promoção do open source e do espírito de abertura na AP e no aparelho produtivo, impedindo a proliferação da criatividade nos diversos graus de ensino e na sociedade civil
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(*) Nada contra o programa em si, sei que é um programa controverso (e isso tem utilidade), simplesmente é raríssimo assistir ao prime time das generalistas

Mas certamente que sim! é uma publicação de Paulo Querido, jornalista e consultor de comunicação. Também autor de livros, artigos e algum código. Na net desde 1989. (
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