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	<title>Certamente! &#187; concurso</title>
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	<description>Paulo Querido escreve.</description>
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		<title>Ainda os concursos e adjudicações</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jan 2009 22:54:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
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		<description><![CDATA[No 5 dias, Tiago Mota Saraiva rebate de forma rápida (sobre os concursos públicos) alguns pontos do meu anterior artigo sobre Concursos e adjudicações. Não esperava ter levantado celeuma, apesar de saber de antemão que navegava contra a corrente e &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/economia/ainda-os-concursos-e-adjudicacoes/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span class="caps">N</span>o 5 dias, Tiago Mota Saraiva rebate de forma rápida (<a href="http://5dias.net/2009/01/12/sobre-os-concursos-publicos/">sobre os concursos públicos</a>) alguns pontos do meu anterior artigo sobre <a href="http://pauloquerido.pt/economia/concursos-e-adjudicacoes/">Concursos e adjudicações</a>.<br />
Não esperava ter levantado celeuma, apesar de saber de antemão que navegava contra a corrente e que esta é muito forte nesta parte do rio. Mas os contributos têm sido bastante bons &#8212; recomendo em particular o artigo que já liguei anteriormente, Fernando Alexandre no Destreza das Dúvidas, <a href="http://aguiarconraria.blogsome.com/2009/01/12/ajuste-directo-e-transparencia/">Ajuste directo e transparência</a>.<br />
Quanto aos pontos:<span id="more-2789"></span><br />
1. A existência de um júri responsável pela justificação perante o público não me conforta particularmente. No meu liberal íntimo, tendo a achar que se tornam a capa, mais ou menos coriácea, dos interesses privados abrigados debaixo do manto público. Posso não parecer por vezes &#8212; mas sou um céptico quando falamos do Estado.<br />
2. Não tenho tanta certeza como Tiago Mota Saraiva e por isso mesmo gostava que ele me dissesse como chegou ao grau de conhecimento que lhe permite uma afirmação tão peremptória. A adjudicação, recordo, tem um caderno de encargos e depreende-se que é o comprador a decidi-lo.<br />
3. Sim. E como no ponto 1., não estamos a fazer mais do que a tirar ao privado a responsabilidade sobre o contrato, colocando todo o ónus da sua má execução em cima do decisor público. Como noutros sectores da actividade económica em democracia, o Estado rói o osso e entrega a carne.<br />
É um facto da vida. Lastimável, ainda assim.<br />
4. Tiago: as PMEs estão a fazer &#8220;moradias&#8221; ou, as maiorzinhas, executam as obras públicas por sub-contrato. Vejamos antes quais as empresas que vão aos concur$o$ e os ganham.<br />
5. Verdade.</p>
<p>No mesmo post, os comentários de Miguel Dias:<br />
1. Se quero Internet, vou ao mercado e escolho o operador que me parece mais indicado para o meu caso. O mercado. Há um mercado. Se houver transparência, fica muito claro desde o primeiro minuto se a adjudicação foi feita a um agente do mercado ou a um amigalhaço. Se acontecer, como não é raro, que o amigalhaço é também um agente &#8220;normal&#8221; do mercado, não vejo onde está a diferença para o concurso.<br />
2. Sim. É um ponto a favor dos concursos, adequados a determinadas condições. Evidente.<br />
3. Exacto. O que é um ponto a favor de não estigmatizarmos a adjudicação &#8212; como tem vindo a ser feito. Pelo menos, a mim parece-me que é.<br />
4. &#8220;O nepotismo, o compadrio e a corrupção tem porta aberta. A entidade promotora não só é presa fácil para todo tipo de pressões como é ela própria instrumento para essas pressões.&#8221; &#8212; tanto pode ser dito do ajuste directo como do concurso, não percebo o ponto. Mais: num concurso a entidade promotora pode desenhar (e quantas vezes foi feito) as regras para beneficiar determinado operador &#8212; e safarem-se ambos com isso. É evidentemente perigoso para o bem público. Logo&#8230;<br />
Churchill não pega sempre, nem temos de aceitar nenhum tipo de devir. Não defendo mudar por mudar &#8212; o meu artigo limitava-se a chamar a atenção para alguns pontos a favor dos concursos que considero sobre-estimados, e para algumas deformações de olhar sobre as adjudicações, cujos perigos me parecem relativamente fáceis de identificar. E mandar travar, por uma sociedade dotada de mecanismos de informação sem igual, ou rival, em qualquer ponto da sua História.</p>
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		<title>Concursos e adjudicações (act.)</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Jan 2009 17:12:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/economia/concursos-e-adjudicacoes/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://pauloquerido.pt/ficheiros/1118213_construction.jpg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="1118213_construction" title="1118213_construction" /></a>(Adenda: no final, links para outros artigos relevantes sobre esta matéria. Afinal estou menos sozinho do que supunha) Vai por aí um coro de críticas, certamente legítimas e quiçá certeiras, sobre o regime de excepção pretendido pelo Governo para a &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/economia/concursos-e-adjudicacoes/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-2779" title="1118213_construction" src="http://pauloquerido.pt/ficheiros/1118213_construction.jpg" alt="1118213_construction" width="276" height="300" align="left" /><span style="font-size:90%">(Adenda: no final, <em>links</em> para outros artigos relevantes sobre esta matéria. Afinal estou menos sozinho do que supunha)</span><br />
<span class="caps">V</span>ai por aí um coro de críticas, certamente legítimas e quiçá certeiras, sobre o regime de excepção pretendido pelo Governo para a adjudicação directa em vez de concursos, em certas circunstâncias.<br />
Não tenho a pretensão de me insurgir contra a, ou a favor da, medida por desconhecer os meandros políticos, jurídicos, económicos e de <em>networking</em> (quem conhece quem) que envolvem este tipo de negociações. Contudo, tenho alguma experiência e observação, pelo que sempre adianto dois cêntimos à conversa.<br />
Dois cêntimos que 1) recordam pontos negativos que os defensores dos concursos tendem a negligenciar e 2) relevam pontos positivos da negociação. Sei que são dois cêntimos contra a corrente de pensamento dominante, quase único &#8212; mas pensar isolado não é coisa que me aflija.</p>
<p><strong>Os argumentos da corrupção e promiscuidade</strong>. Teoricamente, temos por aceite que num ambiente sem controlo estas aumentam. Certamente que inúmeros casos documentados confirmarão que a teoria tem alguma correspondência na prática. Contudo:<span id="more-4872"></span><br />
a) admissivelmente retardam-na e complexificam-lhe processos, mas os concursos públicos não evitam, nem combatem, a corrupção e tendem, também, a fomentar a promiscuidade. Até com efeitos mais perversos: colocação de agentes mais cedo nas estruturas políticas, adensamento do networking apenas em função do interesse, chantagem, pressões obscuras e subterrâneas;<br />
b) num ambiente pequeno e rarefeito, os consensos de grupo depressa se estabelecem. A cartelização informal assenta arraiais, discreta. Há tabelas mínimas e máximas mais ou menos inerentes. E a exiguidade leva a que cada actor conheça todos os outros, ao ponto da capacidade de prever os seus movimentos quase milimetricamente.<br />
Assim, o concurso acaba por ter poucos dos efeitos práticos que o justificam, perde eficácia e torna-se sobretudo uma desculpa legitimadora para todos os envolvidos. E o Estado acaba por pagar acima do que seria de esperar numa negociação directa, em que há lugar &#8212; precisamente! &#8212; à negociação das regras e objectivos.<br />
O concurso contribui para um distanciamento entre as partes, o contratante (Estado) e o contratado (empresa privada). As ineficiências que daí resultam não são, ou não deviam ser vistas como, despiciendas. Desde o preço estabelecido, em que o Estado é vítima da cartelização informal (há sectores com uma tabela de mercado e um agravamento de 20 a 40 % quando o cliente é o Estado, até como mecanismo de auto-defesa pelas demoras nos pagamentos) até à relação no curso do cumprimento do contrato.<br />
Na adjudicação directa (um mau termo, uma vez que indica, erradamente, que não há lugar a um processo negocial) há uma maior proximidade entre as partes, com benefícios. Se algo não está a correr a contento, telefona-se à parte. Se o preço derrapa, renegoceia-se logo, sem ter de esperar pelo fim do contrato.<br />
E os mecanismos de fiscalização do Estado, adormecidos também eles pela corrupções de um século, as herdadas e as recentes, podem ser profundamente agilizados e melhorados para, juntamente com uma sociedade civil tornada mais poderosa pela comunicação livre da Internet e das novas tecnologias, estarem de olho no comportamento de compradores e vendedores. <em>Watching like a hawk</em>.<br />
Mais importante, na minha opinião, é a transparência dos contratos. Porque da transparência resulta poder de exigência e de fiscalização. É com transparência que se combate a corrupção e a promiscuidade. Não com concursos que descambam, com o tempo, em meros exercícios de legitimação pública dos interesses privados.</p>
<p><strong>O argumento do mérito</strong>. Ninguém definiu, ainda, o que é o &#8220;mérito&#8221;. Em obra por concurso, o mérito do vencedor é o mérito da elaboração da proposta que melhor responde às regras do concurso, que é a verdadeira barreira, o verdadeiro desafio. Uma proposta ganhadora de um concurso público pode ser a pior, do ponto de vista mais estreito do mérito executório ou processual.<br />
Para mim, é um fraco argumento. O mérito avalia-se no decurso e na conclusão &#8212; algumas vezes, anos depois da conclusão, como é o caso, entre outros, das estradas e auto-estradas. Quem demanda o Sul a partir de Lisboa ainda se lembrará de alguns troços ridículos &#8212; e isso sim, é uma avaliação de mérito.</p>
<p><strong>O argumento da concorrência</strong>. Não colhe. Ou, dito de outra forma, mais adaptada à realidade nacional: é pouco menos que irrelevante. O sector das obras públicas está claramente estratificado. Sabemos quais são os operadores e a sua dimensão. São demasiado poucos e &#8220;distribuem&#8221; entre si as obras (e os obscuros pontos de pressão sobre os decisores). Falar em concorrência nesta sector é um eufemismo.<br />
Acredito que a negociação directa constitua aqui, até, uma porta de entrada para alguma renovação &#8220;ambiental&#8221;.<br />
Sou mais favorável, nesta fase da democracia, à instituição do lóbi que permita às empresas, em igualdade de circunstâncias, chegar aos decisores com as suas apresentações. Parece-me mais limpo e transparente que fazer concursos num circuito relativamente fechado, quando não mesmo viciado.</p>
<p>Concluindo, e sem querer tomar um partido claro pelas adjudicações ou pelos concursos: não acho nada óbvias as consequências negativas da negociação directa, pelo contrário estou ciente da ineficiência dos concursos, já bem bandarilhados por quem neles participa &#8212; e em qualquer caso os melhores mecanismos de defesa do interesse público são a transparência, a informação clara e atempada, a rapidez na tomada de decisões (incluindo as rescisões de contratos por incumprimento!) e a fiscalização. Lá porque é Estado, o Estado não tem de se comportar no mercado como um anjinho.</p>
<p>Transparência é, para começo de conversa: publicar os contratos, as razões da escolha daquele parceiro, o planeamento, as avaliações, os resultados. Tudo em linguagem acessível (legalês depurado), em tempo útil (isto é: IMEDIATAMENTE) e em local de acesso universal (nada de publicações por assinatura). Com a transparência por obrigação, seja concurso ou adjudicação a sociedade segue e fiscaliza melhor cada contrato feito em seu nome pelos representantes eleitos.</p>
<p>Actualização com <em>links</em> relevantes:<br />
Comentário de Henrique Monteiro no Facebook, <a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=713967308&#038;v=feed&#038;story_fbid=45608777658#/profile.php?id=713967308&#038;ref=profile">aqui</a><br />
Post de Rui Branco no E&#038;F: <a href="http://economiafinancas.com/2009/01/governo-facilita-ajustes-directos-ate-5-milhoes-de-euros/">Governo facilita ajustes directos até 5 milhões de euros</a><br />
Pertinente análise de Fernando Alexandre no Destreza das Dúvidas, <a href="http://aguiarconraria.blogsome.com/2009/01/12/ajuste-directo-e-transparencia/">Ajuste directo e transparência</a>, com ficheiro contendo as adjudicações directas em 2008 (cito um trecho: &#8220;<em>um total de 16 061 contratos públicos por ajuste directo, relativos a 936 entidades públicas e 6 803 empresas, totalizando 528 082 137,21 euros, com um valor mediano por contrato de aproximadamente 6 666 euros</em>&#8220;)<br />
João Pinto e Castro no &#8230;bl-g- -x-st-, <a href="http://blogoexisto.blogspot.com/2009/01/prs-e-contras-dos-concursos-pblicos.html">Prós e contras dos concursos públicos</a></p>
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