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	<title>Certamente! &#187; expectativa</title>
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	<description>O amor é uma vida dentro da vida</description>
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		<title>Racionalidade, amén</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 09:00:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
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		<category><![CDATA[expectativa]]></category>
		<category><![CDATA[futuro]]></category>
		<category><![CDATA[iPad]]></category>

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		<description><![CDATA[A web tem quase 2.000.000.000 de pessoas e cresce rápida ainda. Tipo, ya, 2 mil milhões de pares de mãos que acedem a custo baixíssimo a &#8220;conteúdos&#8221;, notícias, informação, entretenimento. Acedem para consultar e acedem para produzir e partilhar, alegres e contentes. A publicidade online está a recuperar da crise financeira e volta ao crescimento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A web tem quase 2.000.000.000 de pessoas e cresce rápida ainda. Tipo, ya, 2 mil milhões de pares de mãos que acedem a custo baixíssimo a &#8220;conteúdos&#8221;, notícias, informação, entretenimento.</p>
<p>Acedem para consultar e acedem para produzir e partilhar, alegres e contentes.</p>
<p>A publicidade online está a recuperar da crise financeira e volta ao crescimento optimista.</p>
<p>O preço da web (o acesso às páginas HTML, &#8216;tão a ver?) vai descer de praticamente irrelevante para desprezivelmente irrelevante, ahah.</p>
<p>Se o iPad vender 4 milhões de aparelhos em todo o mundo no primeiro ano, a Apple andará aos pulos de contente. Os analistas acham que talvez se vendam 10 milhões de leitores electrónicos em 2010.</p>
<p>10.000.000 é uma fracção de 2.000.000.000. Uma pequena fracção, para começo de conversa.</p>
<p>O iPad, mesmo auto-financiado pela Apple, custará 499 dólares, preço de entrada. O acesso aos conteúdos terá também um preço, a dividir entre a Apple (ou a Amazon, ou outra <em>hi-tech</em> com o torniquete e a caixa registadora) e o orgulhoso &#8220;content provider&#8221;.</p>
<p>A indústria dos media (do jornalismo ao entretém) falhou todas e cada uma das oportunidades abertas pelas mudanças de comportamento da Entidade Antes Conhecida Por Audiência, nascidas da evolução tecnológica.</p>
<p>Todas. land rush, 1.0, 2.0, mobile, t-o-d-a-s.</p>
<p>O espaço (ok: o mercado) foi ocupado pelas tecnológicas e telcos. Que prosperam <em>exactamente no mesmo sítio</em> em que os media definham.</p>
<p>Virar as costas a 2.000.000.000 que existem, vibram, e apostar num potencial de 10.000.000 que pode ou não vir existir, e existindo pode ou não vibrar, não é coisa dos <em>mass media</em>.</p>
<p>Os industriais dos media dizem acreditar que o iPad vai salvar os seus negócios, tirando-os do tumulto da &#8220;rede do lixo&#8221;.</p>
<p>Tenho a certeza absoluta que há racionalidade nessa declarada expectativa. Absoluta. Eu é que sou estúpido e não consigo descortinar. Que os accionistas que financiam tais crentes consigam &#8212; é o que lhes desejo. Tudo de bom, amén.</p>
<p>Em Portugal o panorama é ainda mais estranho. Grupos inteiros invisíveis nas redes sociais. Um único jornal no Kindle. Nenhuma publicação com aplicações móveis, iPhone ou outras. Competências que deviam ser próprias são entregues em <em>outsourcings</em> de estratégia duvidosa, se existente. Conhecimentos que deviam integrar o capital intelectual de uma Redacção são evitados como se a informática fosse a sida do jornalismo. Uma ideia copiada com seis meses sobre a publicação americana que demorou seis meses a atingir o nirvana do <em>mainstream</em> social, passa neste país por &#8220;original&#8221; e &#8220;inovação&#8221; &#8212; um ano depois do blog mais rasca já o ter feito. Em vez de revalorizado e reinvestido e estimulado aos novos saberes, o capital humano é dispensado, despedido, e o grosso do trabalho aviado por estagiários que acham o máximo meter &#8220;trainee&#8221; no currículo do LinkedIn e pelo lumpen <em>copy-past</em> enquanto aguarda uma encomenda de 3 dólares o artigo no Getafreelancer.</p>
<p>Sei que um dia descortinarei, tudo de bem para vocês, amén.</p>
<hr />
Se chegou aqui, leitor, permita-me sugerir o <a href="http://manifesto-internet.org">Manifesto Internet &#8211; Como o jornalismo funciona hoje. 17 constatações</a> e pense e discuta, junte-se a quantos já o fazem em dezenas de países que traduziram o manifesto. Ou leia <a href="http://pauloquerido.pt/tecnologia/ipad-promessas-de-amanhas-que-cantam-e-porque-estou-cauteloso-com-elas/">iPad: promessas de amanhãs que cantam (e porque estou cauteloso com elas)</a>, onde discorro um pouco sobre o leitor da Apple, que considero de tremendo potencial disruptivo.</p>
<p>&nbsp;</p>
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