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A seleção de Portugal tem um problema com as estatísticas. É desconcertante

A seleção de Portugal tem um problema com as estatísticas. São algo desconcertantes. Coisa que as estatísticas têm o bom hábito de não ser.

Por exemplo. Nuno Santos recapitula: “desde o Europeu de 2008 que Portugal não ganha a um dos 50 primeiros classificados do ranking da FIFA. Na qualificação, Portugal não conseguiu ganhar a Dinamarca (36ª) ou à Suécia (37ª). O melhor que a Selecção de Queiroz conseguiu foi derrotar a Hungria (57ª do ranking) e a Bósnia (51ª)” (em Portugal não ganha um jogo oficial a um dos 50 primeiros do ranking mundial desde Scolari).

No Mundial Portugal viveu bem mais da ilusão de grandeza do que dos resultados: 4 jogos, 2 empates, 1 vitória e 1 derrota. Prestação mais mediana não há.

Apesar dessa insuficiente mediania, e com ela contrastando, Portugal teve um dos melhores scores em termos de golos. Tanto nos marcados, 7, como nos sofridos, apenas um. Como na diferença: 6 golos positivos.

Mas outro dado ensombra esse notável registo: o ataque português só concretizou em 1 dos 4 jogos disputados.

Quem explica a disparidade?

Evidentemente, a Coreia do Norte. Aquele jogo completamente atípico veio perturbar a ordem da seleção de Queiroz, a ordem da mediania.

Se à Espanha fez bem perder o primeiro jogo contra a Suíça, a Portugal fez mal ganhar o segundo jogo contra a Coreia do Norte.

Bizarrias.

Que seca, o futebol de seleção perturba o retalho de pronto a vestir e sapatilhas

Quanto ao mais bem pago jogador de futebol do mundo e, quiçá, do sistema solar, é a prova de que mais cedo ou mais tarde as marcas mandam acabar com o futebol de países: não contribui para vender sapatilhas e pronto a vestir a preços astronomicamente acima do seu valor. Logo, devíamos acabar com essa merda, pá.

Cristiano Ronaldo só uma vez marcou pela seleção portuguesa contra um adversário do top 10: no dia 30 de Junho de 2004 no Estádio José Alvalade contra a Holanda.

Eu repito, caso não tenha percebido: Cristiano Ronaldo só uma vez marcou pela seleção portuguesa contra um adversário do top 10: no dia 30 de Junho de 2004 no Estádio José Alvalade contra a Holanda.

Acabe-se com os jogos de seleção, só prejudicam o setor da venda a retalho de sapatilhas e pronto-a-vestir.

A célebre miopia do casmurro

Salientando, de perguntem ao Queiroz, por João Pinto e Castro:

Do primeiro ao último jogo, todos os livres a 40 metros da baliza foram rematados directamente ao golo pelo Ronaldo, o que significa que nenhum desses lances se aproveitou. Quem decidiu assim?

Se foi Queiroz, fica claro que a sua táctica resumia-se a esperar que Ronaldo resolvesse os problemas da selecção num rasgo de génio. Se foi Ronaldo, fica claro que a selecção não tem orientação. Vendo bem, ambas as alternativas levam à mesma conclusão“.

Queiroz tem competências acima da média enquanto organizador. Revelou, na conferência de Imprensa final, que tem aprendido com as derrotas. Está mais humilde. Bem, isso significa apenas que está mais velho. Comes with the years. A casmurrice, essa, refina. Eu bem sei.

Não é a primeira vez que os seus erros de avaliação da situação dão buraco. Bem sei que ele não passa da tecla dos “detractores”, mas eis 3 decisões comprovadamente erradas: 1) insistir na marcação de livres diretos em zonas que apelam ao milagre; 2) substituição de Hugo Almeida, a favor do seu “plano de jogo” mas contra a realidade do jogo contra a Espanha; 3) utilização de Pepe.

Conclusão e não se fala mais nisso

Tirando a parte do Ronaldo, que é manifestamente um futebolista hiper-valorizado, penso que a equipa cumpriu. É uma equipa mediana, conduzida de forma mediana, os oitavos de final são até uma superação, se bem que ligeira. 3 jogadores destacaram-se pela positiva. Uma vez mais o guarda-redes. Eduardo muito bem, no topo do mundo. Fábio Coentrão e, ainda assim, Raul Meireles.

Pronto, fim do meu artigo amargo sobre a seleção de Queiroz.

Post Scriptum (sobre as portagens) (mais 3 links)

Notícias e artigos seleccionados nas últimas horas:

Post Scriptum (sobre as portagens)
fonte: albergueespanhol.blogs.sapo.pt
António Nogueira Leite: A opinião pública está tão intoxicada pelos spinners do governo e pela brigada orwelliana da direita (façam o favor de desmontar — não basta desligar– os vossos telélés quando andam de carro que esses, sim, e de há muito, deixam registo permanente da vossa localização instantânea) que:

5.1.) não vale a pena explicar que não há intromissão adicional na privacidade;
5.2.) se deva aceitar que haja a possibilidade de meios de pagamento alternativos (pré-pagos, por exemplo).
5.3.) O sistema já permite excepções. No entanto, devemos perceber que nos enganaremos a nós próprios se aceitarmos a praxis guterrista de deixar canibalizar a regra pelas excepções.

The French people need to know the truth, says Evra
fonte: pt.soccerway.com
France captain Patrice Evra has vowed to reveal all the problems inside their World Cup camp.

Les Bleus lost their last group match 2-1 to South Africa on Tuesday and finished bottom in Group A with just one point out of three matches.

Their campaign has been disastrous with Nicolas Anelka sent home in disgrace following a dispute with coach Raymond Domenech and the players boycotting training in protest.

Portals (Yahoo!, MSN and AOL) are seeing recent dropoffs in visitors, pageviews and time spent by users. Portal Predicam
fonte: www.thewrap.com
Page views, meaning the number of pages viewed by each individual user, have fallen significantly for each of the big three: AOL (-32 percent), Yahoo (-28 percent) and MSN (-30 percent) all posted steep declines in May.

But if you’re an AOL or Yahoo! executive, here’s the statistic that is most worrisome: Average time spent on portal websites is down 21.7 percent over the last year, with users spending on average six and a half minutes before scurrying off somewhere else.

“The big word in digital media for the last year has been 'engagement,'” said Betsy Morgan, former chief executive at the Huffington Post, now a senior consultant. “No more 'drive-by' traffic.”

La realidad del iPhone en Europa
fonte: www.canalpda.com
Pese a la enorme visibilidad alcanzada por los sucesivos modelos del iPhone, el teléfono de Apple tiene sólo un 4% del mercado europeo de teléfonos móviles, aunque ya un 18% del de smartphones. Los datos de la firma comScore confirman algo que venimos sosteniendo en CanalPDA desde hace tiempo: la visibilidad del iPhone es todavía desproporcionada respecto a los aproximadamente 10 millones de unidades vendidas hasta ahora en Europa. Ello se debe, por una parte, al seguidismo informativo que practica la prensa tecnológica europea respecto a la norteamericana

Post Scriptum (sobre as portagens) (mais 3 links)

As notícias e os artigos mais interessantes do dia:

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A vuvuzela mata a participação do público

A vuvuzela mata a participação do público. Adeus cânticos nas bancadas. Adeus ola. Adeus palmas a incentivar os guerreiros e assobios a punir as más jogadas. Tudo isso acabou neste Campeonato do Mundo.

Com a vuvuzela, o público presencial do futebol é reduzido a um som monocórdico. Os cambiantes sonoros de um estádio de futebol em plena função são eliminados para darem lugar a um ruído de fundo uniforme, descrito como o zumbido de uma colmeia de vespas.

Não há públicos no Mundial africano. Somente esse enxame único.

Não encontro paralelo, na história do desporto, de uma “tradição” local impôr uma tal amputação da diversidade cultural.

Joseph Blatter mostra as vistas curtas e pragmáticas da política expansionista da FIFA. A preocupação principal é satisfazer a “cultura” do continente que acolhe a prova. Tal justifica a não-proibição do uso da corneta que incomoda jogadores, e treinadores, que condena à morte a participação do público no estádio, que torna a assistência pela televisão numa má experiência, ou no mínimo numa redução do esplendor audiovisual para uma mera janela video sobre o jogo.

Os jornalistas têm hesitado. Uns aderiram à vuvuzela, considerando-a como um fenómeno popular que, enquanto tal, deve ser noticiado acriticamente — até “entusiasticamente”, no habitual alinhamento com a “maioria” que, pensam empiricamente, “vende mais”. Outros lá vão fazendo eco das preocupações e alertas. Outros ainda despertam serodiamente para um problema que se adivinhava ainda antes dos jogos começarem.

Se canaliza alguma energia, como quer fazer crer o anúncio que acaba de passar à minha frente, a vuvuzela congrega energia negativa. Reducionista, castradora, desesperante.

O Mundial B

O Campeonato do Mundo de futebol da África do Sul está a ser um verdadeiro Mundial B.

A quantidade de jogadores de topo que ficaram de fora por lesão dava para fazer uma equipa capaz de chegar às meias finais, pelo menos.

Graças à teimosia de Joseph Blatter com a porcaria da corneta que os portugueses amam ao ponto de as comprar para promover uma gasolineira, ver os jogos ao vivo é uma dor de cabeça e as transmissões perderam todo o tipo de encanto sonoro: só se aguentam tirando o som.

A bola, a jabulani, devia ser rebatizada de frangolani.

As estratégias apresentadas até agora (7 jogos) revelaram um excesso de conservadorismo capaz de fazer adormecer qualquer telespetador e entediar os analistas e os amantes do futebol.

A quantidade de golos nestes primeiros jogos indicia a ausência de qualidade atacante. Apenas 9 golos em 7 jogos, contra 17 golos em 2006 e 24 golos em 2002.

A vuvuzela abafa todo o tipo de manifestação popular que pudesse constituir motivo de interesse secundário nas transmissões televisivas, empobrecendo o espetáculo.

Os jogadores e outros intervenientes no jogo queixam-se tanto do barulho da corneta que suspeito que a vuvuzela é uma das causas, ainda que secundárias, desta qualidadezinha fraquinha da prova.

Espero, sinceramente, que o interesse melhore na segunda ronda. Da primeira já não espero nada.

De regresso ao futebol (ainda que temporariamente)

Dentro de dias voltarei a escrever profissionalmente sobre futebol. Durante a campanha do Mundial 2010 terei uma coluna diária no Correio da Manhã intitulada Mundial em rede. Trata-se de um regresso ao futebol, ainda que temporário.

Comecei a minha carreira de jornalista no dia 1 de Outubro de 1981 na Gazeta dos Desportos. Estive no desporto, sobretudo no futebol mas não só (cobri muito vela e ciclismo), por mais de uma década.

Desde o início da década de 90 que não escrevo profissionalmente sobre futebol. Tenho-o feito, mas num âmbito pessoal, aqui no C!.

Para os leitores do Correio da Manhã levarei diariamente uma selecção dos melhores exemplos que se poderão encontrar nas redes acerca do próprio Mundial, dos países envolvidos e dos intervenientes.

Estou expectante. Penso que vai correr bem. Até porque tenho deste Mundial alguma distância: nem a selecção de Carlos Queiroz me provoca particular excitação (em qualquer sentido, positivo ou negativo), nem a competição em si se afigura excitante. Vivemos uma época em que o número de homens a jogar futebol com brilho é reduzido (não estou a falar de malabaristas da finta) e por outro lado há uma primazia do futebol industrial (os clubes).

Assim, poderei focar-me em especial nos aspectos da cobertura dos diversos media, com atenção particular na web social.

João Pinto, o analista

Estou surpreendido. Vejo o programa de rescaldo de futebol no canal público e oiço um João Pinto, analista, muito bem. Nunca pensei — e suponho que a maioria dos portugueses estará tão surpreendida como eu. É a terceira vez que o apanho na função e já andava com vontade de o apreciar directamente, em vez e seguir o programa no seu todo.
Muito seguro a falar. Ideias precisas e claras sobre o jogo. Uma pitada de humor. Assume perfeitamente o seu actual lugar. Parece um homem sereno, de contas feitas com o seu (brilhante) passado de jogador. Não se lhe vê a saudade no olhar nem o paternalismo no discurso. Mesmo ao nível do vocabulário noto uma evolução inesperada — e digo inesperada não por João Pinto em si, com quem tive raro contacto e ainda numa fase inicial da sua carreira, mas pelo conhecimento genérico dos futebolistas que acumulei enquanto jornalista aplicado ao futebol.
É positiva esta migração de agentes do futebol para funções de análise e comentário.

Está bem,

O golo de Liedson é muito importante e admirável e tudo isso, mas aquela assistência de calcanhar de Derlei é que me encheu as medidas, que querem, eu gosto de futebol. A genialidade passou por ali.

Boa sorte, Carlos

Fui dos que reagiu mal à escolha de Carlos Queirós para seleccionador nacional pelos motivos que na altura expus (ele estava bem em Inglaterra, a FPF não mudou desde o episódio da sua saída).
A sua estreia há instantes, no Portugal, 5 – Ilhas Faroé, 0, correu bem. Dou o natural desconto ao facto de o adversário ser o que é. Gostei do que vi. O Carlos entrou bem. Marcou o seu espaço com calma e naturalidade. Não precisou de levantar a voz. Teve um conjunto de jogadores que o aceitaram logo sem pestanejar. Os que jogaram na estreia deram um sinal muito importante: trabalharam em campo, apesar de o desafio ser nada estimulante.
Os sinais positivos (na gíria diz-se: auspiciosos) não ganham fases de apuramento mas valem alguma coisa. Valem mais que os 5 golos, por exemplo.
Boa sorte, Carlos.

O desapontamento dos blogues de futebol

Ao dar uma volta prolongada sobre blogues de futebol sou tomado pelo desapontamento. É verdade que nalguns deles se escreve bem. Também li bloggers que sabem de futebol o suficiente para que os seus posts tenham interesse. Mas o que sobra no fim é a convicção de que todos eles gostavam era de escrever crónicas de futebol em A Bola ou Record e ser enviados especiais aos treinos na Luz e Alvalade.
Não que eu tenha alguma coisa contra. A ambição é legítima e, em alguns casos, justificada. LER CONTINUAÇÃO :.

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ACERCA
mini fotografia paulo querido Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (Mais)

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