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Jornais: no Brasil, bons ventos e bons casamentos

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Passando pela queda da publicidade e pelo declínio nas circulação de jornais no hemisfério Norte, o Brasil continua a assistir a um crescimento sustentado da sua indústria de jornais e tablóides.
O MediaGuardian titulava: Brazilian newspapers celebrate a rise in circulation: Print media booms in South America’s biggest economy. A notícia tem sido repassada pela Internet, nos sites dedicados ao jornalismo e media. A circulação total aumentou 12% em 2007e 5% em 2008. As receitas não pararam de subir desde 2001.
As razões deste contra-ciclo são óbvias. E as razões da sua previsível continuidade ao longo da próxima década são igualmente óbvias.
Nas primeiras: o Brasil de Lula descolou finalmente em termos económicos, originando um verdadeiro boom das classes médias. Que praticamente não existiam. O poder de compra destas cria uma situação de procura tanto de informação como… da publicidade associada.
Nas segundas: além da continuação do aumento das suas classes médias, é de esperar que o país, que exporta pobres, passa a importar força de trabalho com capacidade aquisitiva, tendo em conta a expansão da sua economia e a importância política crescente do Brasil no mundo. E a marcação dos Jogos Olímpicos para o Rio de Janeiro é a cereja no topo deste bolo.
É pena por cá preferimos o orgulhosamente sós da língua e recusarmos o acordo ortográfico com base num não-sei-o-quê que não é, sequer, compreensível, quanto mais aceitável. Editores e jornalistas com competência (e idade), perspectivem a emigração para o Brasil. A terra das oportunidades no século XXI.

(Foto: andremarmota, no Flickr)

Nenhum jornal português no Kindle lançado a 19 de Outubro

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Nenhum jornal português estará disponível no Kindle, o leitor electrónico que a Amazon se prepara para lançar ao mundo, depois de anos comercializado exclusivamente nos Estados Unidos.
Mas o português fará parte do aparelho: o jornal brasileiro Globo integra a selecta lista de apenas 52 jornais que se poderão descarregar para a primeira versão internacionalizada do Kindle, com lançamento simultâneo numa centena de países, no dia 19 de Outubro.
Em contraste, o Kindle virá com 3 jornais espanhóis — a Espanha é o segundo país da Europa, depois do Reino Unido, com 4, e à frente de França e Alemanha (2) e Irlanda (1).
São eles o Diariocritico (um diário de Valência), o AS (da Prisa, grupo presente em Portugal) e o El País.
A Amazon vai comercializar o aparelho a 279 dólares (aprox. 190 euro).
Além dos 52 jornais e de news magazines americanos e internacionais (em inglês), a Amazon tem mais de 200.000 livros já formatados para o seu leitor.

Sobre o futuro dos jornais e do jornalismo

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Recupero do email respostas a uma entrevista que a Sandra Alves, do Jornal de Notícias, me dirigiu há quase um ano, em Maio de 2008. Sobre o futuro dos jornais e do jornalismo.

> – Qual o futuro dos jornais, tendo em conta como os conhecemos actualmente?

Com pequenas variações regionais, o jornal que hoje conhecemos, em papel, vai gradualmente desaparecer. O desaparecimento será mais rápido nas sociedades do Norte e mais lento a Sul — há países onde a circulação está a aumentar e assim continuará algum tempo mais.

Alguns títulos farão o que é inteligente: subir na escala de valor, passando a depender menos da publicidade e encontrando os seus nichos de leitores que privilegiam informação de qualidade. Mas à maioria está destinado o caminho da facilidade, que é o de descer na escada de valor até ao nível da folha de supermercado — ou mais abaixo, se puderem.

A imprensa de nichos, especializada, manter-se-á.

Talvez ainda nesta metade do século surjam tecnologias baratas de portabilidade equivalente ao papel, mas não creio que venham dos actuais rumos de investigação em cima dos polímeros.
LER CONTINUAÇÃO :.

A carruagem a cavalo do século XXI

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Há muito quem participe, com variados graus empenho, em grupos que ambicionam a salvação dos jornais. Embora nutra pela ideia um romântico olhar, não posso deixar de manter algum realismo: querer salvar os jornais da “ameaça” da Internet equivale a querer defender da “ameaça” do automóvel as carruagens puxadas por cavalos.
Responderam-me no Facebook que querem verdadeiramente salvar é o dinheiro, não o objecto jornal. Pior um pouco, nesse caso. LER CONTINUAÇÃO :.

A pergunta certa

Fazer a pergunta certa é meio caminho andado. Para onde? Para o sucesso. “If newspapers had invested in new products even a modest fraction of the bodacious profits they reaped in the last decade and a half, they might have invented anything from MarketWatch to Yelp to Google” diz Alan Mutter, entre muitas outras coisas que recomendo vivamente, em fat newspaper profits are history.
A pergunta que se repetiu na indústria dos media (e ainda se ouve) é esta: como posso ganhar dinheiro na Internet?
É a pergunta errada. Quem a faz, não faz um cêntimo com as operações Internet.
Então qual é a pergunta certa? — pergunta-me por esta altura o leitor.
Não vejo razão para não responder à minha própria pergunta certa respondendo-lhe, caro leitor.
Todavia, a quantidade de respostas que Mutter dá neste artigo é suficientemente vasta para fornecer algumas das perguntas certas. Mas em primeiro lugar é preciso ler. Ouvir. Descer ao terreno. Estar onde o futuro acontece. Sem isso, nem sequer há perguntas.

Análise das capas dos jornais nos jogos Olímpicos

A publicação desta análise das capas dos jornais portugueses durante os Jogos Olímpicos foi sendo adiada por diversos motivos alheios à minha vontade. Acabei por só a efectivar já só para arquivo, uma vez que já se terá fechado a “janela de atenção” dada aos assuntos na ordem do dia. Fica para quem se interessa por estas análises — e fica também como registo, numa única página, do tratamento dispensado pelos jornais aos atletas portugueses e ao acontecimento desportivo inernacional mais importante do ano.
Ao quadro interactivo abaixo segue-se um texto de análise. O quadro parece uma tabela igual a outras — mas tem umas funcionalidades extra -_- Assim, é ordenável (ascendente ou descendente) pelos campos jornais, pontos (defeito), manchete, chamada ou capas vazias. Experimente clicar em cima de cada campo para ver.
Depois, passando o rato por cima de cada título acedemos à lista dos atletas que figuraram nas escolhas de capa do respectivo jornal. E o rato por cima do campo manchete acede ao arquivo das capas do respectivo jornal que deram manchete ou cobertura total aos Jogos Olímpicos. Para navegar pelas capas, “prenda” a respectiva janela clicando 2 vezes.


A cobertura de capa dos jornais aos Jogos Olímpicos
jornais pontos manchete
ou capa
chamada
c s foto
capas
vazias
Público 53 8 9 2
Diário de Notícias 51 5 12 2
A Bola 42 2 14 2
Jornal de Notícias 41 5 11 3
Record 28 0 15 2
O Jogo 21 3 4 11
24 Horas 19 2 4 12
Expresso 9 1 2 0
Sol 0 0 0 3
ACÇÕES 1: clique no nome de cada tabela para ordenação ascendente/descendente
2: rato sobre títulos dos jornais e número de manchetes para informação adicional
3: clique 2 vezes para fixar janela de informação adicional
PONTOS: 5 – capa dedicada; 4 – manchete; 3 – destaque; 2 – título com foto; 1 – título sem foto; 0 – sem chamada

Desportivos ou futeboleiros?

A primeira evidência do gráfico é esta: LER CONTINUAÇÃO :.

Clientes dos prostitutos vítimas de "carjacking"

Não resisto. Este é, sem a mínima margem para dúvidas, o título mais original e chamativo produzido na Imprensa portuguesa em Agosto: No parque Eduardo VII: Clientes dos prostitutos vítimas de “carjacking”.
É claro que qualquer das notícias da capa do jornal onde fui buscar esta pérola digna do melhor SEO — O Crime da semana passada — é candidata ao “prémio”. Pobre Maya, vítima das metralhadoras da ASAE… E os recrutas que a Académica foi buscar ao fundo das prisões?

(clique na imagem para aumentar)

Ahah, your medium is dying

O romance com os jornais

“E o declínio dos jornais começa há 80 anos com o aparecimento da rádio” — gosto desta frase, é reveladora do state of the art dos críticos que repetem a ladaínha do fim do papel. É precisamente o mesmo que eu escrever: “o meu declínio começou há 42 anos quando fui para a escola primária”.
Que a pitada de ironia não confunda os meus leitores: acho muito interessante o artigo de Alexandre Gamela em O Lago: o nosso romance com os jornais. Recomendo vivamente a leitura.

ACERCA
mini fotografia paulo querido Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (Mais)

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