Etiqueta jornalismo online

O jornalismo online português está na fase do slideshow

Este é o título que eu escolheria para a entrevista que a Christina Lima publicou hoje, mas o título dela foi outro, naturalmente. Paulo Querido: ‘temos inovação e criatividade zero nas redações portuguesas’ acaba de ser publicado no Nós da Comunicação, uma publicação brasileira que é tambem uma comunidade, ou vice-versa.

Um pequeno excerto (noutra altura republico para efeitos de arquivo):

Nós da Comunicação – Você é um dos pioneiros no jornalismo digital em Portugal, mas acumula muita experiência também em jornal e rádio. Em que nível estão os meios de comunicação portugueses na internet no quesito convergência de mídias? Os sites estão sabendo aproveitar os recursos disponíveis?

Paulo Querido – Não. A convergência aqui é objeto de estudo na universidade, quando muito. Nenhuma redação integrada, grandes dificuldades dos editores on-line em conquistar posição nas organizações. Inovação e criatividade zero nas redações portuguesas. São raríssimas as iniciativas. O jornalismo on-line português está na fase do slideshow em Flash. Acham o máximo, como se tivessem chegado ao topo e não fosse preciso fazer mais nada. E mesmo slideshow é só para dois ou três jornalistas iluminados em cada redação.

Público: dossiê eleitoral renovado

O dossiê eleitoral do Público, que continua a ser o mais completo e eclético website com informação acerca das eleições, tem vindo a ser melhorado constantemente e na última semana da campanha para as legislativas apresenta-se renovado.
Além da informação da responsabilidade do Público e da opinião dos seus bloggers convidados, o dossiê integra o que se escreve sobre as eleições nos outros órgãos de informação (o que mais nenhum faz…) e ainda o que blogam, tweetam e comentam os cidadãos.
Mas não se fica por aí: agora o dossiê passou a incluir uma nova zona — o que escrevem os candidatos em nome individual, ou os canais oficiais das candidaturas, tanto para a Assembleia da República como para as autarquias.

dossie-eleicoes2009-1

À primeira página voltaram também os gráficos com a Sondagem das sondagens — a média aritmética das sondagens publicadas este mês — e um gráfico com a evolução das sondagens ao longo do tempo.
A nova zona está agora também na primeira página, mas já há algum tempo que podíamos seguir num fluxo único as conversas que os candidatos mantém dispersamente no Twitter. Esta zona, a que chamámos de discurso directo, funciona também como uma mini-enciclopédia de acesso rápido aos políticos portugueses. Além da função de agregador, possibilita a centralização de informação sobre cada candidato e a sua presença nas diversas redes que compõem a Internet. As fichas são editáveis pelos próprios candidatos, que podem completar ou rectificar a informação disponível sobre eles.
Estas fichas são inéditas: desde que completadas, em mais nenhum local — muitas vezes, nem nos sites dos candidatos… — encontraremos tanta informação sobre eles.
Se é candidato à A.R. ou autárquico, verifique se a sua ficha já está aberta. Em caso negativo, basta fazer login e depois do pedido ser confirmado por editores (os automatismos não chegam para filtrar abusos) a sua ficha estará activa. Se já está a ser rastreado, pode editá-la e preencher os campos que estejam ainda em branco.

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Papel do jornalista: dirigir a narrativa

jornalismo

Quais as razões para ter optado por uma carreira como freelancer e não por algo mais seguro estando vinculado a algum meio de comunicação?

Em 30 anos de carreira, tive vínculo a vários meios de comunicação em diferentes alturas. Sou free lancer há poucos anos: menos de 3. A razão tem mais a ver com questões do mercado do que com as minhas opções pessoais.

P – Quais as vantagens?

R – Maior liberdade de movimentos. Não estar sujeito aos ambientes fechados das redacções, onde as questões pessoais por vezes se sobrepõem às razões editoriais.

P – E as desvantagens? LER CONTINUAÇÃO :.

Jornada ao fim do carvão: uma lição sobre reportagem e jornalismo online

Está entre os melhores trabalhos jornalísticos que já pude ver na rede. Jornada ao fim do carvão conta-nos “a história de um sacrifício. Um sacrifício que milhões de mineiros chineses fazem diariamente, arriscando as suas vidas” em prol do crescimento económico da China, diz-se na apresentação.
Foi desenvolvido por 2 empresas multimedia francesas. É um documentário interactivo — algo impossível de desenvolver para televisão ou papel, algo que ultrapassa muito o conceito habitual nos meios portugueses da palavra “interactivo” (que geralmente significa um slideshow ou video, com um botão on/off para som).
Inovando na apresentação da narrativa, deixando a leitor a honra de escolher os caminhos a seguir, esta reportagem é uma lição e uma inspiração para qualquer jornalista. Também pelo cuidado no visual, pelo grafismo, pela programação.
Uma delícia. Veja o teaser abaixo, ou siga para Jornada ao fim do carvão


(leitores por feed, vejam neste link)

Ficha

Directors: Samuel Bollendorff and Abel Ségrétin
Co-Author: Grégoire Basdevant
Sound design: Frederic Blin
Development: 31Septembre / Guillaume Urjewicz / Remi Toffoli
With the support from CNC multimédia and SCAM.
Para ver Jornada ao fim do carvão

Leitor: conhece bons exemplos de jornalismo interactivo, de preferência de expressão portuguesa? Envie-mos para apreciaçã e divulgação nos comentários abaixo ou no formulário. Obrigado.)

A carruagem a cavalo do século XXI

carraige300

Há muito quem participe, com variados graus empenho, em grupos que ambicionam a salvação dos jornais. Embora nutra pela ideia um romântico olhar, não posso deixar de manter algum realismo: querer salvar os jornais da “ameaça” da Internet equivale a querer defender da “ameaça” do automóvel as carruagens puxadas por cavalos.
Responderam-me no Facebook que querem verdadeiramente salvar é o dinheiro, não o objecto jornal. Pior um pouco, nesse caso. LER CONTINUAÇÃO :.

O acidente acompanhado por um jornalista no Twitter (act.)

Uma vez mais o Twitter revelou-se como o transmissor por excelência para acompanhar as notícias de porte planetário.

Um jornalista português desempregado, apesar das suas competências no meio online, deu ali um exemplo do que pode ser um apoio fundamental para um jornal online que queira cobrir o acontecimento.

Alexandre Gamela apanhou a primeira breaking news do acidente no Hudson e decidiu acompanhar a notícia. Ao fazê-lo, ajudou a reunir, em tempo real, os melhores ângulos da história.

Pelo menos um meio tirou algum partido do trabalho do Alexandre: a RTP-N, que sabe quanto vale o Twitter e o tem usado com aplauso. Mas não era para os jornais, infelizmente para estes, que Gamela estava a trabalhar. Era para a sua audiência. Que lhe agradeceu.

Reproduzo aqui a timeline de Alexandre Gamela no Twitter juntando-lhe dois pequenos exemplos do poder das ferramentas de comunicação e do que delas podemos esperar: um slideshow de fotos enviadas para o Flickr e a segunda foto conhecida, tirada com um iPhone por um americano integrado no primeiro grupo de salvamento, e que a enviou muito naturalmente para o TwitPic — um mecanismo de partilha de imagens associado ao Twitter. O Alexandre, aliás, retransmitiu esta informação instantaneamente e quem o seguia pode ver a foto muito antes dela aparecer nas televisões e edições online de todo o mundo.

Picture001_bigger alexgamela

@RTPN @JimMacMillan: More amazing photos from NYCplane crash and rescues: http://is.gd/g2EE
Rt @JimMacMillan: More amazing photos from NYCplane crash and rescues: http://is.gd/g2EE
@RTPN erro meu http://bit.ly/vshD é este
@RTPN http://is.gd/g2H9
it seems that today was a good day in aviation history.kudos to the pilot that did everything well,flying a fuel loaded plane over New York.
@RTPN @jkrums posted the first photo of Hudson plane crash from an iPhone. Amazing photo! http://ad.vu/2hrc — he was in first rescue group.
@RTPN @Scobleizer: RT: dbarefoot Here’s a photo of the crashed US Airways plane from Flickr: http://tr.im/usairwayscrash
Rt @sonyanews: RT @martindave: r/t @Scobleizer First photo posted was with an iPhone: http://ad.vu/2hrc @RTPN
Rt @Scobleizer: RT: @tomob: Alternate link to plane on hudson photo by @jkrums http://tinyurl.com/8n5la5 – This picture is on MSNBC video.
Rt @FOX40: FOX40 NEWS ALERT: Unconfirmed reports that all 147 passengers have been rescued.
Rt @alansmodic: RT @ColonelTribune: Here’s a Flickr stream of Hudson River plane crash photos – http://bit.ly/vshD
Rt @JimMacMillan: RT @jkrums: http://twitpic.com/135xa – There’s a plane in the Hudson. I’m on the ferry going to pick up the people. Crazy.
Rt @BreakingNewsOn: AP: Government official says plane that went down in Hudson struck bird that disabled 2 engines.
PICTURE Flickr- NY plane in Hudson river http://is.gd/g2m0
@JorgeOliveira nem por isso, tem estrutura para flutuar algum tempo
Rt @alecduarte: ny plane hudson-Caiu avião em NY mesmo, cerca de 130 passageiros a bordo http://www.flickr.com/photo…
Rt @Scobleizer: Another Twitter search that works better for plane crash in Hudson: http://tinyurl.com/8mj54e
@SergioBastos @Scobleizer e @BreakingNewsOn deram logo a cena,e as primeiras infos vieram via twitter de cidadãos no local.mete lesto nisso
Rt @BreakingNewsOn: US Airways plane flying from New York to North Carolina crashes into Hudson River; 146 people were on board

Actualização: o jornalista brasileiro Alec Daurte mencionou que a fotografia de Krums não foi a primeira, cronologicamente falando, publicada online, como aliás se pode comprovar consultando os links disponibilizados pelo Alexandre Gamela na timeline do Twitter. Obrigado, Alec. Não cai em saco roto, a sua frase: “o público que publica, mais uma vez, mostrou-se útil para a imprensa tradicional. Cabe a ela colocar essa gente de vez para dentro do noticiário” (no blog Webmanário).

Eleições americanas nos meios online

As actuais eleições americanas são um fenómeno mediático invulgar e desta vez foram revolucionadas / revolucionaram a web, tanto a social como a dos meios online tradicionais.
Estes em regra tornaram-se conhecidos por gostarem de reinventar a roda e fingirem para as respectivas audiências serem Os Maiores Inovadores. O mais espantoso é que isto funcionava. Relativamente, mas funcionava. No papel, quero eu dizer. Online… não. Online, todos podemos comparar as rodas e a abundância delas leva uma boa parte das audiências ao enjôo.
É aqui que entra em cena a capacidade criativa.
Tomemos o Público. O Público tem um dossier interno igual aos outros todos, como não podia deixar de ter. Mas adicionou-lhe um blogue. Um blogue normal, se me faço entender. Um blogue com links, com debate, com envolvência na blogosfera.
Não se ficou por aí. Agora, adicionou-lhe uma ideia engraçada. Curiosa. E que tem interesse noticioso, o que dá sempre jeito. A ideia consiste em fazer um gráfico animado.
Bem. Gráficos animados com os resultados das eleições para a presidência americana, vamos ter 500.000 nos próximos dias. Até o blogues os vão produzir.
Então porque é o do Público diferente?
Porque o Público decidiu ver como seria se os portugueses votassem.
O seu mapa é o mapa do eleitorado português. É aí que está a diferença. É aí que está a pertinência.

 

A cobertura nos meios

Grupo RTP: um dossier interno (lista das notícias e videos), blogue dos enviados da RDP (bons, por sinal) e, de há muito, o blogue de Vitor Gonçalves, correspondente nos EUA, votações. Nem um link para fora. Nem mesmo nos blogues, que parecem proibidos de o fazer. Os blogues apresentam na coluna lateral (ou no rodapé) links para os sites oficiais dos candidatos, bem como para outros sítios úteis relacionados com o Governo dos EUA. E, disse-me há pouco o Alexandre Brito, não há nernhum problema em fazer links para fora, desde que se justifique. Óptimo!
SIC: Uma lista das suas notícias e videos relacionados e o blogue de Luis Costa Ribas. Corajoso? Ou um extravagante a quem permitiram fazer links (todos americanos)?
TSF: uma lista das suas notícias.

Vou tentar actualizar esta lista. Agradecem-se adições nos comentários, que serão puxadas (e citadas) para cima. Talvez faça mais alguma coisa no domínio eleicoesamericanas.com, talvez não. Vai depender um bocado do feedback dos meus leitores: valerá a pena?

O Twitter como mecanismo de crowdsourcing

Uma das aplicações a que mais recorro no Twitter é à sua capacidade de funcionar como mecanismo de crowdsourcing. Tem sobre o Q&A do LinkedIn (e outros sistemas específicos) uma grande vantagem, que é a vantagem da rapidez.
Hoje tive mais uma demonstração e não resisti em transformá-la num artigo, com a devida vénia e agradecimento aos intervenientes, agora em nome dos beneficiários, que são os leitores do Público de amanhã (lá iremos, lá iremos :) ).
Não se trata de construções teóricas: eu tinha um problema concreto por resolver e resolvi-o em menos de 15 minutos. Quando se fala de jornalismo participado e do contributo dos cidadãos, toda a gente pensa em blogues e tal; raramente se aborda este tipo de pequenos extras que podem marcar uma diferença qualitativa e, em todo o caso, representam uma aproximação dos leitores aos órgãos, através dos jornalistas enquanto agentes activos. E falar das vantagens do Twitter para o jornalista é muito menos interessante do que procurá-las e usá-las, devo dizer!
Também tenho recorrido ao Q&A, bem como aqui ao meu blogue. Mas em matérias onde procuro algo menos concreto e simples do que estava aqui em causa. Nisto, o Twitter é imbatível.
A questão: descrever o RSS numa legenda de um infográfico, logo num formato hiper-abreviado (três, quatro palavras). É um desafio maior do que parece.

Coloquei-a assim: LER CONTINUAÇÃO :.

Jornalismo assistido por computador

Nas aulas que tomei de assalto na semana passada, com a conivência do Miguel Martins, surpreendi duas classes com exemplos de jornalismo assistido por computador.
Dois dos soundbytes do assunto estão reproduzidos abaixo, tirados de uma entrevista que me fizeram estudantes há umas semanas atrás.
A surpresa deles veio de dois lados.
Desde logo, na matéria em si. O conceito de jornalista-programador surge como revolucionário (para mim é tão revolucionário como um jornalista revelar os seus rolos fotográficos — novidade introduzida a certa altura do século passado — ou editar um registo video ). Verem os resultados práticos em abundância amaciou o choque e fê-los rapidamente engolir a “novidade” — como eu pretendia, para cortar no ruído e passarmos ao essencial.
O outro lado, a nota positiva sobre o jornalismo, perto do entusiasmo, que lhes é transmitida numa altura em que o que mais ouvem e lêem é a “decadência”, a “falência”, o fim do jornalismo e da necessidade de jornalistas.

O computador na verdade ainda não chegou às redacções. O que chegou, foi uma máquina de escrever estupidamente cara, um camião TIR que gasta 50 litros aos 100 e que os jornalistas usam para “deslocações” que deviam na realidade custar o preço de meio litro: escrever umas laudas que vão para a “secretária” do editor, e desta para a “tipografia”. Não é seguramente culpa deles, mas de quem toma decisões erradas do ponto de vista da gestão.

A reportagem assistida por computador permiti apresentar em horas, ou no dia seguinte, um manancial de informação mastigada e relacionada (à escala global) com um grau de sofisticação antes só acessível a grandes equipas a trabalhar dias a fio. Uma edição impossível de produzir na véspera por uma redacção vocacionada para o fluxo, para o online.

O conjunto de respostas de onde tirei estes dois excertos está a ser publicado à razão de uma por cada sexta feira em exclusivo na edição semanal de C!. Que é de subscrição livre e gratuita. Ainda não assinou? É uma forma diferente, e inovadora, de me ler: os leitores do dia a dia “trabalham” comigo na tarefa de filtrar o que é mais interessante, de forma a fazer chegar aos assinantes uma versão com o essencial da semana. E ainda tem conteúdos em estreia ou exclusivo. Leia mais ou assine já.

newspaper machines

fotos: ede_desin e LiLGoldWmn

Jornalismo viral — ou as diferenças entre um divórcio, um requerimento e um despacho (2)

letrasdejornais.jpgComo vimos na primeira parte deste artigo, há diferenças entre um divórcio, que depende de um despacho, e o requerimento para o divórcio. O que não houve, regra geral, foi um jornalista para dar por isso (duas excepções de onde menos se esperaria, ler abaixo).
Oriunda da Lusa, a história foi contada e recontada em dúzia e meia de órgãos de comunicação social no seu formato original, notando-se as variações de tratamento somento ao nível cosmético: títulos, chamadas, rearrumação de parágrafos.
Um único órgão de comunicação fez a confirmação dos factos ou pelo menos procurou dar outro lado, outro ângulo. Assim, este é um bom exemplo de caso para apresentar aos estudantes de jornalismo e aos interessados na profissão sobre os perigos do jornalismo viral — uma nova formulação para uma prática antiga que consiste em colar o telex da Lusa, ou o recorte de outro jornal, de olhos fechados.
O simples recurso ao Google permite-nos fazer o tracking da notícia e ver como, eventualmente na ânsia de dar aos “seus” leitores a informação, não se cuidou na esmagadora maioria das Redacções de acrescentar valor — que é, afinal, o factor diferenciador para um título conquistar a admiração pública e manter as audiências e o prestígio. LER CONTINUAÇÃO :.

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ACERCA
mini fotografia paulo querido Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (Mais)

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