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O Magalhães de Barreto (reprint)

(Este é um post convidado, da autoria de Pedro Rolo Duarte, que amavelmente cedeu à minha pretensão de o republicar. Para que conste. Leia abaixo ou no blog do Pedro , para mim tanto faz. Desde que leia.)

Tenho por António Barreto o respeito que nos deve merecer quem se dedica a pensar Portugal – e o faz com devoção e rigor. Enquanto editor da revista K, privei com ele e publiquei algumas das excelentes matérias que produziu para a revista.

Desse tempo ficou-me a ideia de uma incompatibilidade primária entre o sociólogo e as novas tecnologias. Recusou o telemóvel durante anos, e fazia questão de tornar público esse ódio de estimação…

Não surpreende, portanto, que chegado a 2009, António Barreto proclame nas páginas da Ler: «Da maneira como o Governo aposta na informática, sem qualquer espécie de visão crítica das coisas, se gastasse um quinto do que gasta, em tempo e em recursos, com a leitura, talvez houvesse em Portugal um bocadinho mais de progresso. O Magalhães, nesse sentido, é o maior assassino da leitura em Portugal». Diz mais: o Magalhães «foi transformado numa espécie de bezerro de ouro da nova ciência e de uma nova cultura, que, em certo sentido, é a destruição da leitura».

Ora, que António Barreto mantenha essa má relação com a tecnologia parece-me divertido e compõe a personagem. Mais grave é vê-lo falar do que não sabe. Desta vez, o sábio demitiu-se.

A introdução no sistema de ensino, com maiores ou menores problemas de produção e distribuição, do computador Magalhães, é talvez a mais relevante medida social deste Governo no que à educação diz respeito. Equipara as famílias pobres às médias – aquelas onde o computador e a internet estão já ao nível do televisor ou do DVD. Ou seja: coloca potencialmente todos os alunos num patamar semelhante de acesso à informação. Misturar este facto com a cultura do livro nas escolas é mais ou menos o mesmo que relacionar a nossa atávica iliteracia com o advento da televisão ou da rádio…

Do Magalhães ao livro vai a distância da terra à lua – porque não será a ausência de computadores que aproximará os estudantes dos livros, mas também não será a sua existência que os afastará. Pelo menos, convenhamos, dará acesso à informação – logo, à possibilidade da escolha.

A Internet, as novas tecnologias, estão a mudar a forma como vivemos, como consumimos informação, como nos relacionamos uns com os outros. Podemos criticar, estranhar ou mesmo rejeitar o “processo revolucionário em curso”, mas ele é não apenas imparável como irreversível. Não ver isto é como não ver. Ponto. Neste quadro, o “processo Magalhães” só é comparável, do meu ponto de vista, à electrificação dos caminhos, das aldeias, do país. É a abertura de uma óbvia e inteligente porta para o futuro.

O resto, como desde sempre, é tarefa dos pais e dos educadores. Não lê quem tem ou não tem Magalhães – lê quem quer, quem pode, e quem foi estimulado para a leitura. Assim foi, assim será.

PS – De passagem: não foi por ter um telemóvel aos 7 anos, um computador e internet aos 8, e uma playstation aos 9, que o meu filho deixou de ser, como é, um compulsivo leitor de livros (como eu nunca fui…). E não é por ter acesso permanente à net na sua escola, aos 13 anos, que ele deixa de andar sempre com um livro debaixo do braço.

Pedro Rolo Duarte

A corte do sucesso

Sobre o computador Magalhães, a maior hiperstar info e blogoesférica do ano de 2008 com milhões de caracteres impressos e processados, escrevi tudo o que tinha para escrever terminando com um artigo sobre o seu indubitável sucesso.
Talvez porque não me movo por uma agenda partidária ou de poder pessoal, pude dar-me ao luxo de olhar para o negócio como um cidadão comum, atento e interessado. Dái ter concluído pelo sucesso da operação — o que não significa, de todo, não ter visto os defeitos e problemas. E sucessos deste país, dada a raridade… é preciso de facto não ser capaz de sair das vistas do próprio umbigo para gastar tanta energia a diminui-los.
Como a qualquer outro cidadão comum, atento e interessado, fez-me azia ver um Primeiro Ministro armado em comercial da JP Sá Couto em plena cimeira Ibero-Americana.
Há pouco, via Tecnopólis, meteram-me um alka-seltzer pelas goelas abaixo. Talvez sejam os tempos modernos e neles um PM tenha de representar ainda mais papéis popularuchos e risíveis. Não sei.
Nem interessa.

Tomem vocês também estes alka-seltzers:
http://www.flickr.com/photos/campuspartyiberoamerica/2985143882/in/set-72157608461276235/
http://www.flickr.com/photos/yamilsalinas/2988635230/
http://www.flickr.com/photos/campuspartyiberoamerica/2985143774/in/set-72157608461276235/
http://www.flickr.com/photos/campuspartyiberoamerica/2985137368/in/set-72157608461276235/

PS: já há uma prateleira de netpc na FNAC do meu burgo e a prateleira de netpc da FNAC do meu burgo apresentava esta tarde mais de um dezena de modelos de todas as marcas. A corte do sucesso.

Portátil Magalhães: a internacionalização de um sucesso

Como escrevi em crónica no Expresso multimedia publicada aqui em 27 de Setembro e mais tarde republicada no Certamente! (link), o portátil Magalhães é uma verdadeiro caso de sucesso da política e da indústria portuguesas. Um dos raros casos de sucesso, o que é mais uma razão para o contentamento generalizado que lhe tem sido dispensado. LER CONTINUAÇÃO :.

Magalhães: o sucesso público

Mais que no milhão de portáteis Magalhães comprados pela Venezuela, o sucesso público da melhor iniciativa do actual governo em matéria de sociedade da informação e respectivas tecnologias e economia está no brilho do olhar dispensado por quem passa por ele na FNAC.
Fiquei surpreso. Indiferentes às “críticas” estéreis acerca do “marketing político” e da origem geográfica dos seus componentes, o público dispensa ao portátil o olhar que merece um computador:

LER CONTINUAÇÃO :.

Magalhães, reflexos positivos ocultados pela vaginite e moitaflorismo: impulso no mercado de conteúdos interactivos

Uma coisa que deve ter boas perspectivas é a criação de conteúdos para quadros interactivos e aplicativos didácticos (retirado de uma conversa particular)

Magalhães, críticas importantes: com tantas carências do mais básico, às vezes custa a engolir

Mas quando se tá lá dentro e se vê tantas carências do mais básico, às vezes custa a engolir (até a mim). Quando se pensa nas escolas em que se pede dinheiro aos pais para poder tirar fotocópias ou até para papel higiénico (algumas primárias), isto chega a parecer desperdício (retirado de uma conversa familiar)

Magalhães, críticas importantes: programas do 1º ciclo não contemplam o computador

A introdução do Magalhães nas aulas é outra coisa que ainda não gerou muito ruído, mas que o vai fazer, principalmente por parte dos professores. Os professores não foram avisados, ou melhor, souberam do Magalhães quando o resto de Portugal soube e a maioria deles não estão preparados ou não têm conhecimentos para lidar com um PC. Numa altura em que o governo reforma os professores cada vez mais tarde, vamos ter os professores primários de 50 e 60 anos a tirarem cursos de Windows (ou de Classmate :P ) para poderem dar uma aula minimamente centrada no Magalhães.
Outro ponto, quanto a mim bastante crítico, é o facto dos programas lectivos do 1º ciclo não contemplarem minimamente o uso do Magalhães nas aulas…
(Ricardo Saramago em O colega Magalhães)

(Está previsto que o Ministério da Educação certifique uma série de conteúdos educativos que serão colocados no Portal da Escola e também pré-carregados no Magalhães. Previsto.)

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ACERCA
mini fotografia paulo querido Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (Mais)

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