Inquéritos em tempo real: Pedro Passos Coelho arrasou Paulo Rangel
As sondagens e inquéritos de opinião valem o que valem e este inquérito em tempo real não escapa à regra. De acordo com este inquérito instantâneo, Pedro Passos Coelho arrasou Paulo Rangel no primeiro frente-a-frente televisivo entre candidatos à presidência do PSD.
Os 161 votos até este freeze (a votação continua aberta) foram expressos numa janela de tempo de poucas horas a contar da última pergunta do frente-a-frente.
Um inquérito relâmpago como este fornece um quadro redutor e simplista, como é evidente. A sua eventual utilidade consiste em avaliar o impacto imediato das prestações televisivas e os comentários que estas suscitaram numa audiência ad-hoc e sem nenhum tipo de estratificação, composta por pessoas que estavam simultaneamente a seguir o debate pela televisão e nas redes sociais Twitter e Facebook e que têm algum tipo de interesse entre o ocasional e o profissional (a propósito, no Twitter pululavam spinners de Pedro Passos Coelho e quase não havia defensores de Paulo Rangel, um distorção a ter em conta, não apenas para a leitura deste inquérito em tempo real).
Directas no PSD: quem já ganhou o quê
O sufrágio decorre ao longo do dia de hoje, mas nas directas do PSD já há vencedores. Um levantamento nos meios e na blogosfera permite perceber quem já ganhou o quê, ainda antes de ser encontrado o próximo presidente.
Os gráficos seguintes não pretendem outra coisa senão lançar um exercício de análise sobre eventuais tendências a partir da menções na Imprensa e nos blogues. Não tive tempo para grandes análises, mas penso que os gráficos (recorri ao Google charts) merecem ser interpretados, pelo que sintam-se à vontade para os copiar. São aqui publicados ao abrigo da licença geral deste blogue: a reprodução é livre para fins não lucrativos e desde que seja atribuída a autoria.
No primeiro gráfico, abaixo, constatamos que Patinha Antão e Passos Coelho não tinham presença mediática nos dois meses anteriores à demissão de Menezes. Santana Lopes foi o mais mencionado, naturalmente devido ao seu cargo na Assembleia (ver gráficos parcelares mais abaixo):

Os ganhos de visibilidade são notórios no gráfico seguinte. Ferreira Leite salta para a ribalta. Patinha Antão consegue furar até aos jornais e Passos Coelho ganha estatuto — a medição que levei a cabo confirma o que se podia previar no início da campanha: LER CONTINUAÇÃO :.
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Pedro Passos Coelho
Antes de ler seja quem for, para ter uma opinião directa, não influenciada: Pedro Passos Coelho mostrou-se claramente acima dos competidores na corrida das directas do PSD.
Dogmática e cada vez mais casmurra, Manuela Ferreira Leite só sabe uma palavra: credibilidade. Se alguém diz ou não diz, não interessa, porque não tem credibilidade, “é uma afirmação como qualquer outra“. Só ela a tem. E conta que os eleitores do partido levem isso em consideração. É, de resto, tudo com que ela conta.
A cabeça vai tombando a Ferreira Leite. Esta noite, no último debate, a 72 horas da eleição, apresentou-se cabisbaixa e encurralada.
Santana Lopes continua a combater — o que abona a seu favor.
Patinha Antão é agradável e tem um discurso límpido.
Quando Passos Coelho fala consegue captar a atenção. A sua voz é escutada (pelos outros candidatos). Apresenta um discurso fresco, tem duas ou três teclas bastante boas (realistas), consegue doseá-las (Santana Lopes, por exemplo, não consegue, mistura tudo).
Penso que a minha aposta está ganha.
Da credibilidade ao suspiro de alívio dos vidamas do PSD
Acredibilidade é, em campanha eleitoral, um auto-colante como os outros. Raramente gruda e quando cola não resiste muito tempo.
Uma candidata que se apresenta sem discurso, sem campanha e sem direcção, a quem vão soprando à pressa umas frases “sociais” para as entrevistas na televisão, apostando tudo no facto de a sua face ser conhecida e representar a “credibilidade” como se este chavão significasse alguma coisa, é uma candidata para perder eleições internas de vida ou de morte, como estas que o PSD decidiu em boa hora atravessar (um ponto para Menezes, por se ter retirado).
Em o último líder do PSD? Rui Ramos traça um quadro sem ilusões sobre o partido e o que representam efectivamente os 3 candidatos. Nele diz, entre outras recomendáveis frases, isto: “talvez Passos Coelho seja o único dos candidatos em condições de não ser o último líder do PSD“. E também fala sobre as “bases” — outro erro de perspectiva de quem nos quer fazer crer que acredita (dever) ser o PSD um partido de elites, ou pelo menos um partido das elites em que “o povo” aposta para defender a causa pública.
Recomendo a sua leitura.
A minha aposta mantem-se, o meu palpite começa a ganhar consistência. A candidata que aceitou dar a cara pela estratégia da credibilidade está em vias de perder o confronto no PSD.
O que, vistas as coisas pelo prisma pragmático, a todos permitirá cantar vitória: ao menos não ganha Santana Lopes. É assim que os vidamas do PSD vão filosoficamente encaixar a derrota. A nenhum deles repugna Passos Coelho. E creio que para alguns, intimamente, este é a escolha certa, mas não poderiam dizer que não a Manuela Ferreira Leite.
Tudo está bem quando acaba bem.
(Siga a cronologia das directas)
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"O surpreendente Passos Coelho"
Aqui há dias previ que Manuela Ferreira Leite não ganharia estas directas, provavelmente ficaria até em terceiro lugar, reservando depois noutros locais a previsão sobre como distribuiriam Passos Coelho e Santana Lopes as cadeiras restantes no pódio.
As sondagens dizem outra. Mas eu não sou um centro de sondagens, sou apenas um cidadão a emitir a sua opinião. E a arriscar pelo prazer de arriscar.
Hoje arrisco. E risco. Risco Santana Lopes, que poderá ir directo para o terceiro lugar, com MFL eventualmente a conseguir a segunda posição. Eventualmente, admito.
Ganha Passos Coelho. LER CONTINUAÇÃO :.
Quem foi ao mar perdeu o lugar
O leitor Nuno Pedrosa questionou a importância que (aos olhos dele) eu darei à web 2.0, num debate interessante que partiu da invisibilidade de Pedro Passos Coelho na Internet, seja na web 1.0 como na web 2.0, ou que número for.
A importância pode medir-se por diversas escalas. Eis uma delas.
Pedro Passos Coelho
tem o site oficial no domínio passoscoelho.info. Este domínio foi registado no Joker em 28 de Abril de 2008 — na passada quarta-feira, curiosamente no mesmo dia em que eu escrevi aquele artigo — por um indivíduo de Santarém.
O domínio pedropassoscoelho.info fora registado 8 dias antes, a 20 de Abril de 2008, por um indivíduo de Lisboa. Está a redirecionar para o primeiro. LER CONTINUAÇÃO :.
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Dados curiosos sobre as directas do PSD e a Internet
Encontrei dados curiosos sobre a presença na Internet dos candidatos nas actuais directas do PSD durante a recolha informação para um artigo onde respondo às inquietações do leitor Nuno Pedrosa, que questionou a importância da web 2.0. O artigo virá para os arquivos de C! alguns dias depois da publicação original no Expresso multimedia, onde já se pode ler: PSD e seus candidatos na web: quem foi ao mar perdeu o lugar.
Os dados, que vão servindo de complemento: LER CONTINUAÇÃO :.
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Porque pode Pedro Passos Coelho perder estas directas
Repito que aos olhos de alguém como eu, que olha para o PSD exclusivamente como um caso de estudo, sem envolvimento, Pedro Passos Coelho é o mais simpático dos candidatos. Isto para apontar porque acho que Pedro Passos Coelho pode perder esta directas.
Curiosamente, a explicação para a eventual possibilidade encontramo-la no próprio blogue de apoio à sua candidatura, no post onde Rui Albuquerque dá as suas razões de adesão (negritos meus):
Na verdade, se as origens do PSD (PPD) são inteiramente liberais, desde logo, ainda com a «Ala Liberal» dos tempos de Marcelo Caetano, donde nasceria o partido no pós-25 de Abril, e com a orientação ideológica e pragmática que lhe imprimiu Francisco Sá Carneiro, o PSD afastou-se do liberalismo quase imediatamente a seguir à morte do seu fundador. Pelo contrário, o discurso social-democratizou-se com Balsemão, e a prática governativa de Cavaco Silva foi assumidamente keynesiana e intervencionista, defensora de um Estado Social e não de um modelo liberal.
Daqui resultou um partido intrinsecamente ligado ao Estado, defensor das posições do Estado, e apenas liberalizador no indispensável para uma sociedade de um País que pertence à União Europeia. Cavaco privatizou, mas ampliou substancialmente as funções do Estado Social e quase duplicou o número de funcionários públicos. Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite atacaram o défice das contas públicas, mas agravaram impostos e não reduziram o peso do Estado, menos ainda reformaram a Administração Pública.
Com isto, mais as constantes lutas intestinas em que o partido se tem envolvido na última década, o PSD afastou-se da sua matriz inicial e virou as costas ao seu eleitorado preferencial: a classe média. Se Pedro Passos Coelho for capaz de voltar a falar com ela, se lhe apresentar um programa político que passe por uma concepção do Estado português que não se limite a tentar recuperar o Estado Social, tarefa que deve caber a um partido socialista e não a um partido liberal e reformista, ele poderá, de facto, protagonizar o volte-face político de que o País há muito espera do PSD.
O problema é um problema do tipo pescadinha de rabo na boca: no Governo o PSD contribuiu em larga escala para o downsizing das classes médias portuguesas, reforçando o peso das classes altas na economia e retirando poder político e de intervenção na orientação económica a todas a classes excepto as altas.
Se se deixar enrodilhar no eixo intelectual liberal que hoje passa por ser a opinião pública alternativa e está tão bem representada na blogosfera política quase se confundindo com ela, Pedro Passos Coelho fica a discursar para uma pequena multidão de entusiasmados que não lhe regateará “vivas”.
A chave de leitura da frase anterior não é “entusiasmados” mas sim “pequena”.
Ser realista em Portugal ainda passa, por largos e bons anos, pelo Estado. Nenhum líder vencerá eleições — mesmo partidárias — contra o Estado.
Teorias à parte sobre a quem compete ou deixa de competir produzir reformas, os únicos esboços de reformas dignas de nota do Estado português foram capitaneadas por governantes saídos do Partido Antes Conhecido Como Socialista, em geral à custa de grande impopularidade, como é normal. (O que não é normal é o actual governo pragmático eleito pela esquerda estar com os índices de popularidade tão altos em final de mandato.)
Não duvido que Pedro Passos Coelho possa ser o líder redentor, capaz de devolver o partido à minoria liberal da sua matriz fundadora (o Partido Popular Democrático / Partido Social Democrata nunca foi o Partido Liberal Democrata, e Sá Carneiro não foi o seu único mentor ideológico, é apenas o fundador mítico, porque morto)
Opino é que isso o desgraçará logo junto dos primeiros eleitores: os militantes do PSD.
O que Pedro Santana Lopes tem
Pedro Santana Lopes tem um passado. Tem um passado difícil de apresentar aqui e ali — mas tem um passado. Tem um passado a disputar eleições. Tem um passado a ganhar eleições. Tem um passado partidário sem paralelo em Portugal. É um dos mais combativos políticos portugueses, talvez o mais combativo.
Eu, que não sou filiado no PSD, se fosse, hesitava em dar o meu voto a este homem ou a Passos Coelho.
Talvez acabasse por me virar para PSL.
Tem uma experiência acumulada notável — e eu sou como Bill Gates, que nos tempos áureos da Microsoft ia recrutar altos quadros às empresas que iam falindo, o que deve ser levando em conta nesta altura em que a empresa trava uma luta.
Em quem eu não votaria, certamente!, era em Manuela Ferreira Leite.
Não por falta de simpatia — simpatizo mais com ela do que com os dois supracitados. Ou pelas suas evidentes qualidades apreciáveis em qualquer político, incluindo os dois supracitados: discurso rectilíneo, preserverança, ideias fixas.
Mas MFL representa o lado do PSD que a sociedade portuguesa, eu incluído, tem vindo a recusar: o lado “baronil”, uma visão da política democrática que é no mínimo redutora. A política de salão, onde um grupo mais ou menos homogéneo discute / distribui entre si o que houver na mesa, apresentando depois os cozinhados para a legitimação dos congressistas, eles próprios previamente engajados em “exércitos” de “barões” e de tendências.
Esta visão da política fez sentido, posso admitir, num determinado período histórico. Mas esse ciclo já se fechou. O ciclo das figuras encerrou-se com o terceiro lugar de Mário Soares nas directas do Partido Socialista. O Partido Social Democrata também vai, finalmente, encerrar o seu ciclo de figuras.
A política hoje faz-se com outro tipo de pessoas, com outro tipo de atitudes perante a sociedade. Para o bem ou para o mal, conforme a perspectiva, a verdade é que mudou.
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DoMelhor
A falsa modernidade e a falsa mudança

Começo por afirmar que gostaria imenso de poder ver em Pedro Passos Coelho o homem cuja imagem os shapers estão a começar a moldar. Ele é da minha geração, menos uma irrelevância de anos, e qualquer pessoa gosta de ver caras novas na política e ambiciona que o poder chegue também aos que reconhece à sua volta, horizontalmente (estou a falar de gerações).
Mas a “modernidade” e a “mudança” são conceitos que não resistem a uma análise simples ao discurso e à presença, a par de uma curta viagem pela memória.
A modernidade e o “futuro é agora”
Por muito que me queira esforçar, não consigo ver onde está a modernidade de Passos Coelho, um homem invisível na Internet, por exemplo. Internet que hoje é incontornável — estejamos a pensar na discussão da res publica, no debate ideológico, no contacto com os eleitores e simpatizantes, no seguimento da política, na observação da cidadania. LER CONTINUAÇÃO :.


Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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