Em Portugal não há trabalhadores nem patrões. Somos todos colaboradores e empresários
Em Portugal não existem trabalhadores, há colaboradores. Ninguém é despedido, há ajustamentos às necessidades de produção. As empresas não fecham a porta, deslocalizam a produção. Não existe perda do poder de compra, há contenção salarial. É populista e demagógico lembrar as crescentes disparidades salariais, devendo antes realçar-se que o mérito deve ser premiado e os gestores têm que estar identificados com os interesses da empresa. Que são os mesmos dos trabalhadores. Desculpem, dos colaboradores” escreveu Pedro Sales no Arrastão (O economicamente correcto) e eu gostava de ter escrito isto, limitei-me aqui a assinalar com negrito uma passagem particularmente gritante e portanto vão lá ler o resto, que recomendo (e daqui por uma horinha voltem, para mais um artigo sobre as crises).
A petição contra o acordo ortográfico e o costumeiro complexo de Iznogoud
Estive a ler a petição contra o acordo ortográfico, que regista uma boa adesão: mais de 28.000 subscritores no momento em que lá estive. As primeiras 17.300 assinaturas foram entregues em 8/5/2008 a S. Ex.ª o Senhor Presidente da Assembleia da República e calcula-se que nova fornada deverá seguir-se brevemente.
Parabéns pelo sucesso.
Dados os parabéns, recomendo aos leitores de C! a leitura atenta do enunciado das “razões” “contra” o acordo ortográfico. Eu espremi a coisa e conclui que não passa do complexo de Iznogoud: este acordo não presta porque não foi feito pelos signatários e subscritores, que preferiam, evidentemente, um acordo que seguisse os seus próprios princípios para a alteração da língua por decreto. Quero ser califa no lugar do califa, portanto.
Se alguém encontrar lá um argumento concreto e definido que seja, levante a mão.
Texto compridito, eis os subtítulos:
- Que delícia: a identidade multissecular e o riquíssimo legado civilizacional e histórico que recebemos e nos cumpre transmitir aos vindouros
- a língua muda sozinha
- a língua é um instrumento de poder
- Sou conservador e desobediente
- Querem problemas reais para peticionar? Sugiro a vossa subjugação ao corrector ortográfico

del.icio.us
DoMelhor
Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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