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	<title>Certamente! &#187; Portugal</title>
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	<description>O amor é uma vida dentro da vida</description>
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		<title>quem dera que a estulticiazinha ao menos fosse inédita (sobre o pão sem sal) (mais 1 link)</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Aug 2010 15:58:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Leituras]]></category>
		<category><![CDATA[Direito]]></category>
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		<description><![CDATA[Selecção de notícias e artigos: quem dera que a estulticiazinha ao menos fosse inédita (sobre o pão sem sal) fonte: jugular.blogs.sapo.pt Ler f., no jugular: &#34;sucede que uma pesquisa rápida na net me diz o contrário. encontro um documento francês, por exemplo, que refere o facto de na bélgica o ministério da saúde ter feito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Selecção de notícias e artigos:</p>
<p><a href='http://jugular.blogs.sapo.pt/2101948.html'><img src='http://www.google.com/s2/favicons?domain=jugular.blogs.sapo.pt'> quem dera que a estulticiazinha ao menos fosse inédita (sobre o pão sem sal)</a><br/> <span style='font-size:85%; color:grey;'> fonte: jugular.blogs.sapo.pt </span><br/> Ler f., no jugular: &quot;sucede que uma pesquisa rápida na net me diz o contrário. encontro um documento francês, por exemplo, que refere o facto de na bélgica o ministério da saúde ter feito em 1976 (sim, leram bem: 1976) um decreto que limita o sal no pão a 12 gramas por quilo de pão fresco. sim, é menos dois gramas que a nossa leizita inédita de 2010, que limita o teor de sal a 1,4 gramas por cem gramas de produto final.</p>
<p> é certo que noutros países &#8212; caso do reino unido &#8212; a sensibilização dos panificadores por parte de uma agência oficial deu resultado, e na finlândia se optou por obrigar &#8211; sim, obrigar, tipo com decreto &#8212; à colocação de etiquetagem sobre sal (a informação está no documento francês). mas, por mais que a malta goste de ser a vanguarda do mundo, não é o caso na lei do sal no pão. como se descobre em para aí dois minutinhos.</p>
<p> quanto à converseta sobre a compressão da liberdade dos consumidores que arrepela os c<br/></p>
<p><a href='http://blogs.estadao.com.br/pedro-doria/2010/08/15/a-neutralidade-da-rede-esta-sob-ameaca-nos-eua-%E2%80%93-e-no-mundo/?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=Feed:+pedrodoria+(Pedro+Doria)'><img src='http://www.google.com/s2/favicons?domain=blogs.estadao.com.br'> Link &#8211; Estadao.com.br</a><br/> <span style='font-size:85%; color:grey;'> fonte: blogs.estadao.com.br </span><br/> Escreve Pedro Dória: &quot;Neutralidade da rede é um conceito simples, fácil de entender. Significa que o fornecedor da conexão à internet não pode decidir que um site tem preferência sobre o outro. O Google ou um grande portal não pode pagar a um provedor de acesso para ser mais rápido para o usuário.</p>
<p> A rede foi desenvolvida para ser neutra. Nos EUA, a questão é política. Manter essa característica foi promessa de campanha do presidente Barack Obama. E, no discurso oficial, sempre foi um compromisso do Google.</p>
<p> Neutralidade é o que mantem a internet surpreendente. Um jovem estudante universitário pôde criar o Facebook porque seu pequeno site carregava tão rápido quanto o site da empresa mais rica. Num tempo em que já havia uma dezena de sites de busca na web, todos muito populares, o projeto de dois doutorandos se destacou e cresceu e transformou-se no Google porque a rede era igual para todos.<br/></p>
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		<title>Em Portugal não há trabalhadores nem patrões. Somos todos colaboradores e empresários</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Oct 2008 13:30:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[crise financeira]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[Em Portugal não existem trabalhadores, há colaboradores. Ninguém é despedido, há ajustamentos às necessidades de produção. As empresas não fecham a porta, deslocalizam a produção. Não existe perda do poder de compra, há contenção salarial. É populista e demagógico lembrar as crescentes disparidades salariais, devendo antes realçar-se que o mérito deve ser premiado e os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://arrastao.org/ficheiros/cr-295x300.jpg" alt="" width="165" height="168" align="left"/><em><span class="caps">E</span>m Portugal não existem trabalhadores, há colaboradores. Ninguém é despedido, há ajustamentos às necessidades de produção. As empresas não fecham a porta, deslocalizam a produção. Não existe perda do poder de compra, há contenção salarial. <strong>É populista e demagógico lembrar as crescentes disparidades salariais, devendo antes realçar-se que o mérito deve ser premiado</strong> e os gestores têm que estar identificados com os interesses da empresa. Que são os mesmos dos trabalhadores. Desculpem, dos colaboradores</em>&#8221; escreveu Pedro Sales no Arrastão (<a href="http://arrastao.org/e-a-economia-estupido/o-economicamente-correcto/">O economicamente correcto</a>) e eu gostava de ter escrito isto, limitei-me aqui a assinalar com negrito uma passagem particularmente gritante e portanto vão lá ler o resto, que recomendo (e daqui por uma horinha voltem, para mais um artigo sobre as crises).</p>
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		<title>A petição contra o acordo ortográfico e o costumeiro complexo de Iznogoud</title>
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		<pubDate>Fri, 16 May 2008 20:30:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[acordo ortográfico]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[Estive a ler a petição contra o acordo ortográfico, que regista uma boa adesão: mais de 28.000 subscritores no momento em que lá estive. As primeiras 17.300 assinaturas foram entregues em 8/5/2008 a S. Ex.ª o Senhor Presidente da Assembleia da República e calcula-se que nova fornada deverá seguir-se brevemente. Parabéns pelo sucesso. Dados os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="magnify" src="http://pauloquerido.pt/ficheiros/650192_magnify-200x150.jpg" alt="" width="200" height="150" align="left" /><span class="caps">E</span>stive a ler a petição contra o acordo ortográfico, que regista uma boa adesão: mais de 28.000 subscritores no momento em que lá estive. As primeiras 17.300 assinaturas foram entregues em 8/5/2008 a S. Ex.ª o Senhor Presidente da Assembleia da República e calcula-se que nova fornada deverá seguir-se brevemente.<br />
Parabéns pelo sucesso.<br />
Dados os parabéns, recomendo aos leitores de <strong><em>C!</em></strong> a leitura atenta do enunciado das &#8220;razões&#8221; &#8220;contra&#8221; o acordo ortográfico. Eu espremi a coisa e conclui que não passa do complexo de Iznogoud: este acordo não presta porque não foi feito pelos signatários e subscritores, que preferiam, evidentemente, um acordo que seguisse os seus próprios princípios para a alteração da língua por decreto. Quero ser califa no lugar do califa, portanto.<br />
Se alguém encontrar lá um argumento concreto e definido que seja, levante a mão.<br />
Texto compridito, eis os subtítulos:</p>
<ul>
<li>Que delícia: a identidade multissecular e o riquíssimo legado civilizacional e histórico que recebemos e nos cumpre transmitir aos vindouros</li>
<li> a língua muda sozinha</li>
<li>a língua é um instrumento de poder</li>
<li>Sou conservador e desobediente</li>
<li>Querem problemas reais para peticionar? Sugiro a vossa subjugação ao corrector ortográfico</li>
</ul>
<p><span id="more-451"></span></p>
<h3>Que delícia: a identidade multissecular e o riquíssimo legado civilizacional e histórico que recebemos e nos cumpre transmitir aos vindouros</h3>
<p>E os erros? No ponto 1, o aviltamento inaceitável é o de um número considerável de intelectuais subscrever aquele ponto, e em particular a espantosa frase onde se culpabilizam directamente os meios de comunicação social e o Estado por a língua se ter &#8212; na opinião de tão criteriosos signatários &#8212; &#8220;degradado&#8221;. Mas devo dizer que gostei da pompa da tirada sobre a &#8220;identidade multissecular e o riquíssimo legado civilizacional e histórico que recebemos e nos cumpre transmitir aos vindouros&#8221; &#8212; não significa nada para a matéria em causa mas fica bem num documento destes, de e para Sexas e Vexas.<br />
No ponto 2 lá se deixa escapar o óbvio: estamos contra este acordo porque não foi feito &#8220;pelos nossos&#8221;, que são obviamente melhores &#8212; quanto mais não seja por direitos de nascimento acumulados, ou não, com a graça divina &#8212; que os &#8220;outros&#8221;, essas irrelevâncias insignificantes que fizeram a coisa orquestrados pelos obscuros interesses de * (sabe-se lá quem, tanto faz, em teorias da conspiração metade do gozo está no sublime asterisco).<br />
A falsidade deste ponto é transmitir a ideia de que não houve &#8220;consulta&#8221; e &#8220;debate&#8221;. Não tem havido outra coisa, se bem tenho lido. Não tenho a certeza que os meus próprios textos sobre o assunto tenham sido lidos por suas excelências, mas eu debati e consultei longamente nos últimos 5 anos, via blogosfera, as &#8220;questões&#8221; do acordo. Estiveram fora, foi?<br />
No ponto 3 zurzem-se inexplicavelmente nada menos que 2 ministérios 2, tentando envolver &#8220;nisto&#8221; o Governo &#8212; a leitura da lista de proponentes apazigua a desconfiança que logo assoma no ponto 3.<br />
O ponto 4 é um gozo puro. Vi-me grego para entender como é que num parágrafo se classifica de inaceitável a supressão &#8220;da&#8221; acentuação (tipo, foderam os acentos todos, <em>méne</em>!)  e &#8220;das&#8221; &#8220;impropriamente&#8221; chamadas consoantes &#8220;mudas&#8221; e se abre o parágrafo seguinte a dizer que não faz sentido o carácter facultativo que se prevê no texto do acordo.<br />
Depois distendi-me, ri &#8212; e tudo voltou ao normal. Efectivamente, não se percebe o carácter facultativo de uma obrigação. E ainda menos a obrigatoriedade do que é facultativo.</p>
<h3>a língua muda sozinha</h3>
<p>Que me perdoem tão ilustres promotores e seus não menos ilustres signatários, mas penso que não estão a ver bem o filme. A língua muda sozinha e nenhum acordo consegue alterar isso. Nem este. Mas este não tem nenhum objectivo idealista. É um acordo pragmático e realista e segue o fito da questão da universalidade do português no século em que as línguas ibéricas assumirão um protagonismo mundial pela segunda vez na História, depois da hegemonia do século XV.<img title="let_us_talk" src="http://pauloquerido.pt/ficheiros/976655_let_us_talk.jpg" alt="" width="300" height="200" align="right" /><br />
Eu na verdade fico um bocado sem saber o que pensar destas pessoas que são contra o acordo ortográfico. Quer dizer, percebo as motivações políticas que estão por detrás de uma parte, adivinho a existência das motivações pessoalíssimas de outra parte e há familiares meus que são contra e tenho debatido com eles e acabamos nas nossas posições, o que já não é mau.<br />
Vamos lá ver. Os acordos ortográficos nada têm a ver com a língua em si própria, não se destinam a defender ou atacar versões, não é o Português contra o Brasileiro. Quem pretende fazer acordos ortográficos nunca é a Academia (mesmo que seja chamada depois a defini-los) e muito menos os intelectuais, artistas, escritores, jornalistas, etc etc etc.<br />
Os acordos ortográficos não são oriundos de quem escreve e fala a língua, nem a eles se destinam.<br />
Os acordos ortográficos não são, sequer, caprichos de burocratas (ou pelo menos este não é).<br />
Desculpem os românticos como Manuel Alegre e os apaixonados como Vasco Graça Moura este reality check: os acordos ortográficos são acordos substantivamente políticos, destilados dos aspectos económicos da língua, e este acordo ortográfico contra o qual assinaram é um acordo oportuno e quanto mais depressa melhor &#8212; como de resto defende <a href="http://www.gopetition.com/online/17740.html">estoutra petição</a> que tem tido muito menos saída, o que faz todo o sentido, nunca um português se mobiliza a favor, era só o que faltava, oressa!</p>
<h3>a língua é um instrumento de poder</h3>
<p>Em entrevista recente ao Expresso, Simonetta da Luz Afonso, presidente do Instituto Camões, refere que &#8220;a língua é um instrumento de poder&#8221; (foi título). <a href="http://ciberduvidas.pt/noticias.php?rid=1697">Recomendo em absoluto a leitura</a>, mas sempre adianto ser fundamental para a questão do acordo isto: &#8220;O valor económico da língua decorre do valor estratégico e o nosso é multiplicado por oito porque somos oito países com oito culturas em cinco continentes», declara ainda a presidente do IC. Por outro lado, o facto do Brasil ter optado o espanhol como primeira língua estrangeira e, reciprocamente, outros países da América Latina estarem a fazer do português a primeira língua estrangeira (Argentina, Uruguai, Venezuela) vai criando uma mancha de línguas ibéricas com muita força. «E este mercado não é despiciendo — o mundo de negócios anda à volta disto e a língua é fundamental para a comunicação».</p>
<h3>Sou conservador e desobediente</h3>
<p>Já há um ano, num texto memorável publicado no Público (A mãi e o pae da ortographia portugueza, <a href="http://ciberduvidas.pt/controversias.php?rid=1711">cópia no Ciberdúvidas</a>), José Vitor Malheiros esclarecia tudo o que havia para esclarecer. Não resisto a sublinhar aqui as passagens com que mais me identifico: &#8220;sou conservador, sem exageros, em termos de língua — o que quer dizer que gosto de escrever hoje como aprendi ontem. Gosto de ortografia e tenho prazer em espreitar a etimologia escondida por baixo, mas não é por escrever água que deixo de saber que vem da mesma aqua de onde vem o esqui aquático.<br />
Haverá no acordo coisas que me enfurecerão e que nunca seguirei, com a mesma desobediência civil que faz aos lisboetas dizer Campo Santana e Largo da Misericórdia em vez de Campo dos Mártires da Pátria ou Largo Trindade Coelho. Outras que me enfurecerão e acabarei por seguir, às vezes com dúvidas semânticas (um afeto sem c parece mais afectado que afectuoso, mas será?) e outras variantes de comportamento.<br />
Uma coisa é certa: sempre que ouço um debate entre acordonistas e contracordistas sinto-me tentado a aderir amanhã ao acordo, de tão ocamente nacionalistas (passe o pleonasmo) me parecem os argumentos dos últimos: o que os choca, em última análise, é que os nossos filhos vão escrever o português de uma forma diferente da nossa. A mim chocar-me-ia mais que escrevessem igual.&#8221;</p>
<h3>Querem problemas reais para peticionar? Sugiro a vossa subjugação ao corrector ortográfico</h3>
<p>Uso ainda o texto de José Vítor Malheiros para a estocada final. Temo bem mais os efeitos nefastos do uso negligente e desatento (ou seja: do uso por 99% das pessoas) do corrector ortográfico a marcar a descomunicação entre lusógrafos do que os acordos, bons (como este me parece ser) ou maus.<br />
&#8220;O corrector ortográfico com que escrevo (quando for corretor será «com quem» escrevo?) regista 18 — dezoito — 18 variantes de inglês! Inglês da Austrália, Belize, Canadá, Caraíbas, Hong Kong, Índia, Indonésia, Irlanda, Jamaica, Malásia, Nova Zelândia, Filipinas, África do Sul, Trinidad e Tobago, Reino Unido, EUA e Zimbabwe. E 16 variantes de árabe, 15 de francês, 20 de espanhol e (espanto) 9 variantes de finlandês. Uma de albanês e basco. De português há duas. As 9 variantes de finlandês são certamente as razões dos problemas de afirmação desta língua e a única variante de basco explica a sua pujante irradiação, mas&#8230; como se explicam os outros casos?&#8221;<br />
Não se explicam. Nem interessa: vinha estragar tudo.<br />
Vítor Malheiros teve este seu texto &#8220;correctado&#8221; uma vez mal e à segunda deixou passar. De propósito. Para ilustrar a evolução da língua, umas evoluções aceitamos melhor, outras evoluções aceitamos pior.<br />
E se incontáveis milhões de brasileiros nasceram, viveram, comunicaram e o Brasil é penta-campeão do mundo aprendendo que fato também é facto, os &#8220;vindouros&#8221; portugueses do tal legado têm células a menos e não serão capazes de viver assim, diminuídos do &#8220;c&#8221; dos seus pais &#8212; que, pobres almas que somos, vivemos mortificados, espoliados que fomos, do &#8220;ph&#8221; dos nossos próprios pais?<br />
Poupem-me.</p>
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