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	<title>Certamente! &#187; PSD</title>
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	<description>Paulo Querido escreve.</description>
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		<title>Passos confirmou o que todos &#8211; jornais, comentaristas, ministros, deputados &#8212; dizem: Sócrates governa</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Mar 2012 22:01:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Passos Coelho]]></category>
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		<description><![CDATA[Segui com inusitado interesse a entrevista de Passos Coelho na TVI. Foi muito informativa: ele confirmou, muito assertivo para que não restem dúvidas, o que a maioria dos deputados da sua maioria, uma parte dos ministros da coligação que dirige, &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/passos-confirmou-o-que-todos-jornais-comentaristas-ministros-deputados-dizem-socrates-governa/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Segui com inusitado interesse a entrevista de Passos Coelho na TVI. Foi muito informativa: ele confirmou, muito assertivo para que não restem dúvidas, o que a maioria dos deputados da sua maioria, uma parte dos ministros da coligação que dirige, as notícias nos jornais e a grande parte dos comentaristas nos vem repetindo numa base diária ao longo dos últimos 9 meses. <strong>Ou seja, nove meses depois da eleição da maioria PSD/CDS, quem continua a governar o país é o primeiro-ministro José Sócrates</strong>.</p>
<p>É isto.</p>
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		<title>Balanço do dia da segunda greve geral de 2012: desta vez não cairá o governo</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Mar 2012 22:29:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[buzinão]]></category>
		<category><![CDATA[Cavaco Silva]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
		<category><![CDATA[Greve geral]]></category>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/politica/balanco-do-dia-da-segunda-greve-geral-de-2012-desta-vez-nao-caira-o-governo/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2012/03/10628031_ETu9V.jpeg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="" title="10628031_ETu9V" /></a>Não há comparação possível com o buzinão da ponte. Não por causa das diferenças &#8220;neles&#8221;: Cavaco continua a mandar, o PSD é desgoverno, a polícia tem ordem para bater nos manifestantes, há sangue nos rostos e no chão, o primeiro &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/balanco-do-dia-da-segunda-greve-geral-de-2012-desta-vez-nao-caira-o-governo/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2012/03/10628031_ETu9V.jpeg" alt="" title="10628031_ETu9V" width="500" height="392" class="aligncenter size-full wp-image-6345" /></p>
<p>Não há comparação possível com o buzinão da ponte.</p>
<p>Não por causa das diferenças &#8220;neles&#8221;: Cavaco continua a mandar, o PSD é desgoverno, a polícia tem ordem para bater nos manifestantes, há sangue nos rostos e no chão, o primeiro ministro desvaloriza os trabalhadores e finge que não se passa nada, os ministros ignoram a voz da sociedade civil ou pedem emprestado a Harry Potter o Manto da Invisibilidade.</p>
<p>Mas por causa de &#8220;nós&#8221;: o que vai nas redes sociais e nos órgãos de informação europeus é um cenário muito diferente das centenas de pessoas que protestaram naquele dia na ponte 25 de Abril. Em vez da televisão, então independente há pouco tempo e cheia de vontade, são dezenas de milhar de pessoas a partilhar no Facebook, no Twitter, no Scoop.it, na blogosfera, as imagens e a indignação.</p>
<p>Não há comparação possível. Desta vez não cairá o governo. Não porque preste &#8212; mas porque ainda não cheira mal.</p>
<p>Ainda.</p>
<p>(Curadoria <a href="http://www.scoop.it/t/adamastor">aqui</a>)</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sondagem de Janeiro leva a revisão em baixa do prazo de validade do governo: 18-24 meses</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 22:06:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[CDS]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
		<category><![CDATA[notação governamental]]></category>
		<category><![CDATA[PSD]]></category>

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		<description><![CDATA[Notação governamental extraordinária (a próxima estava prevista para Março): revisão em baixa do prazo de validade do governo Passos/Portas: de volta aos 18-24 meses, depois de algumas semanas no patamar 24-36 meses e com outlook favorável (ver anterior). Isto por &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/humor/sondagem-de-janeiro-leva-a-revisao-em-baixa-do-prazo-de-validade-do-governo-18-24-meses/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Notação governamental extraordinária (a próxima estava prevista para Março): revisão em baixa do prazo de validade do governo Passos/Portas: de volta aos 18-24 meses, depois de algumas semanas no patamar 24-36 meses e com outlook favorável (<a href="http://pauloquerido.pt/humor/notacao-governamental-revisao-em-alta-e-notas-diferentes-para-passos-e-portas/">ver anterior</a>).</p>
<p>Isto por causa dos resultados de uma sondagem divulgada hoje, da Aximage para o Correio da Manhã, que dá o PSD com a maior impopularidade desde Junho de 2011. Como escreve o Jornal de Negócios, &#8220;há oito meses que a diferença de intenções de voto dos portugueses nos socialistas e nos social-democratas não era tão reduzida&#8221; (<a href="http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&#038;id=531273">Intenções de voto no PSD não eram tão baixas desde as eleições</a>).</p>
<p>As sondagens valem o que valem &#8212; fica sempre bem repetir o chavão.</p>
<p>Noto que as opiniões foram recolhidas entre 3 e 6 de Janeiro &#8212; isto é, antes dos acontecimentos terem ultrapassado o poder de controlo comunicacional do governo Relvas/Portas, perdão, Passos/Portas, e nomeadamente antes da Catrogada, dos sucessivos mini-escândalos de nomeações e da cena dos aventais (que, sejamos justos, afeta mais o partido laranja do governo do que o partido azul, e quase não machuca o PS, apesar da eventual maior preponderância de maçónicos neste). Daí que me resolvi por esta notação extraordinária, mesmo sabendo que o governo poderia beneficiar do período de acalmia que a troika Merkel/Sarkozi/Monti comseguiu fazer engolir &#8220;aos mercados&#8221;. Se não houver mais surpresas, nova notação só em Março.</p>
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		<title>Motivos para desconfiar do PSD-R</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Jun 2011 18:34:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Passos Coelho]]></category>
		<category><![CDATA[PSD]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/politica/motivos-para-desconfiar-do-psd-r/"><img align="right" hspace="5" width="100" height="100" src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2011/06/psd-novo-logotipo-150x150.jpg" class="alignright tfe wp-post-image" alt="psd-novo-logotipo" title="psd-novo-logotipo" /></a>Uma das formas usadas pelos certificadores do governo para o legitimar antes do exercício tem sido referir uma &#8220;renovação&#8221; dos nomes que ocupam os cargos. E até certo ponto é verdade &#8212; um alívio, pois não há nada melhor do &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/motivos-para-desconfiar-do-psd-r/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das formas usadas pelos certificadores do governo para o legitimar antes do exercício tem sido referir uma &#8220;renovação&#8221; dos nomes que ocupam os cargos.</p>
<p>E até certo ponto é verdade &#8212; um alívio, pois não há nada melhor do que a verdade como ingrediente de qualquer cozinhado de imagem.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-5940" title="psd-novo-logotipo" src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2011/06/psd-novo-logotipo.jpg" alt="" width="500" height="212" /></p>
<p>Este PSD-Renovado, cujas setas passaram a apontar à direita, apresenta motivos para desconfiança. Mas começo pelo que parece positivo.</p>
<p>Um dos problemas históricos do PSD este século foi precisamente a renovação. O que sobrou dos &#8220;barões&#8221; dos Vinte Anos Dourados (1974-1995), em que o partido ajudou a moldar &#8212; para o bem e para o mal, mais para o mal, como agora se vê &#8212; o Portugal económico e social que temos, impediu todas as tentativas de renovação dentro da continuidade, tentadas nos anos seguintes. Santana Lopes, Marques Mendes e Luís Filipe Menezes foram eliminados como peões num jogo ainda dominado pelos cavalos, bispos e torres do antigamente.</p>
<p>Enquanto o PS fazia a sua renovação de tecido dirigente, o PSD assistia aos jogos florais dos seus influentes. Em 2008, o seu primeiro Momento da Verdade este século, os tecidos velhos do PSD ainda foram capazes de fazer eleger Ferreira Leite. Mas foi o seu último estertor. O destino do partido estava traçado como o de todos os organismos vivos: as células gastas cedem.</p>
<p>Sendo positivo o sinal de uma mudança geracional que metade do país eleitor há muito vinha pedindo ao PSD, o seu atraso teve um impacto forte na base eleitoral do partido. Traduzido no fraco resultado destas legislativas, em que o país, desconfiado, preferiu dar à direita a maioria para governar, mas com o conhecido e experiente Paulo Portas a servir de avalista e tutor.</p>
<p>Esse é um motivo de desconfiança. &#8220;Este&#8221; PSD é eleitoralmente mais pequeno que o anterior. E é, também, mais pequeno internamente: embora vencedora, a fação dos renovadores é amplamente minoritária dentro do partido e continuará a ser olhada com desconfiança. Os desconfiados saberão, evidentemente, calar-se e o seu nível de manifestação será, como é óbvio, inversamente proporcional aos erros que a direção de Passos cometer na dura governação exercida através de uma coligação politicamente errática.</p>
<p>Outro eventual motivo de desconfiança provém da modificação ideológica do PSD. O partido na verdade nunca conheceu grandes ideologias: da social-democracia que Sá Carneiro quis incutir no seu código genético até à costela social liberal herdada dos ativistas católicos e dos meninos-bem que Marcelo Caetano aproveitou para a sua &#8220;Primavera&#8221; (e que o combateram com a Comunição Social que controlaram, e com a qual viriam posteriormente a seduzir a pequena burguesia projetando a iconografia de uma sociedade de sonhos, abundância e propriedade), o Partido Social Democrata sempre se caracterizou por uma rarefeção ideológica suficientemente ampla para respaldar líderes que o conduzissem ao que importa: o poder.</p>
<p>Com Passos Coelho perde-se essa rarefação. O PSD assume &#8212; por inteiro e com gritado entusiasmo &#8212; a <strong>ideologia obediente</strong>: o liberalismo moderno, o braço político utilizado pela <em>debtocracia</em> para sujeitar as nações, originário dos Estados Unidos e em franca expansão pela União Europeia.</p>
<p>Em Português Simples: o PSD renovou-se e ideologizou-se ao mesmo tempo.</p>
<p>Parte do problema reside no facto da ideologia ora perfilhada ser contra uma das práticas de sempre do aparelho partidário: a interdependência do Estado. Passos, Macedo e Relvas terão de combater Dom Quixotes internos lá mais para a frente.</p>
<p>Outro detalhe: minguado, este partido não conseguirá tão cedo voltar a governar sozinho, com os seus e com a sua visão cosmológica. Note-se a dificuldade de Passos em arranjar ministros &#8212; e isto mesmo depois de ter encurtado o número deles. A colaboração do CDS disfarça em parte. Mas a camuflagem está nos &#8220;independentes&#8221;. O que é apresentado como uma &#8220;vantagem&#8221;, com expressões de marketing político como &#8220;abertura à sociedade&#8221; ou &#8220;sinal para os mercados&#8221;, pode &#8212; e, na minha opinião, deve &#8212; ser visto como uma debilidade.</p>
<p>Devo dizer que esta debilidade tem duas faces. A primeira é sistémica e afeta hoje qualquer partido de governo. Demonstrada em recusas como a de Vítor Bento, resume-se a isto: pessoas válidas, com bons cargos bem pagos e com bons desafios, na plena posse das suas faculdades, não descerão ao patamar da <em>res publica</em>, onde serão mal pagos, vilipendiados, desprezados, insultados, maltratados e sujeitos em contínuo à degradante exibição circense de uma sociedade hiper-mediatizada &#8212; (como se não bastasse, há quem queira que possam ser condenados em tribunal sempre que o país não seja capaz de processar com resultados satisfatórios para a <em>debtocracia</em> as políticas que ponham em prática.)</p>
<p>Contudo, é a segunda face que importa neste contexto. A fação de Passos &#8212; ou, se quisermos, o PSD-R, geracionalmente renovado, <em>at last</em> &#8212; foi incapaz de produzir ministeriáveis suficientes por simples falta de quorum.</p>
<p>A estratégia desta direção parece ser a de incorporar o &#8220;sangue novo&#8221; a partir de fora. E como os movimentos tradicionais de abertura à sociedade durante a fase pré-eleitoral falharam sem explicação, recrutou independentes à força, fazendo as listas de deputados descaradamente de cima para baixo, esperando eventualmente que alguns dele acabem por assinar a ficha de inscrição e construir o Partido Social Democrata da próxima geração.</p>
<p>Como estratégia, é surpreendente. Talvez resulte: se, miraculosamente (um milagre consentido por Portas), o PSD conseguir boa nota com a governação, alguns dos descamisados políticos &#8212; patentes na super-manifestação ordeira de Março &#8212;  poderão entusiasmar-se e aderir.</p>
<p>Como entrei em regime voluntário de boa vontade, termino por aqui.</p>
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		<item>
		<title>Bem, vamos lá às contas para dia 6 de Junho</title>
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		<pubDate>Thu, 26 May 2011 22:05:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[CDS-PP]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2011]]></category>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/politica/bem-vamos-la-as-contas-para-dia-6-de-junho/"><img align="right" hspace="5" width="115" height="100" src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2011/04/lider-da-direita-verde-150x130.jpg" class="alignright tfe wp-post-image" alt="lider-da-direita-verde" title="lider-da-direita-verde" /></a>Bem, vamos lá às contas para dia 6 de Junho. Então é assim. Tendo em conta as sondagens e a evolução dos seus resultados ao longo dos últimos meses e dias, são consensuais três pontos fundamentais: 1. é altamente improvável &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/bem-vamos-la-as-contas-para-dia-6-de-junho/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bem, vamos lá às contas para dia 6 de Junho. Então é assim.</p>
<p>Tendo em conta as sondagens e a evolução dos seus resultados ao longo dos últimos meses e dias, são consensuais três pontos fundamentais:</p>
<p>1. é altamente improvável que algum partido obtenha uma maioria absoluta;<br />
2. regista-se um empate entre os dois partidos com hipóteses de vencer as eleições;<br />
3. há uma grande percentagem de indecisos que baralha as estratégias de campanha e garante uma elevada incerteza sobre a margem que diferenciará o mais votado e o segundo partido.</p>
<p>Ou seja: um governo que não seja de coligação está fora de causa. Mesmo que à boca das urnas os indecisos acabem por aumentar a margem do vencedor, o contexto excepcional em que vivemos, por força do clima de incerteza e de permanente instabilidade em que o mundo ocidental mergulhou em consequência da crise do <em>sub-prime</em> e dos colossais roubos financeiros de que Bernard Maddoff é a bandeira, aconselha um poder político legitimamente reforçado.</p>
<p>Acresce que Portugal vive há muito tempo numa espécie de protetorado da União Europeia, praticamente formalizado há mês e meio com a intervenção do FEEF/UE/FMI suscitada pela crise política que não foi possível evitar.</p>
<p>Disto mesmo deram repetidos avisos figuras de várias dimensões, a começar pelo Presidente da República.</p>
<p>Vamos então aos</p>
<h2>Cenários e contas</h2>
<p><strong>1. Ganha o PSD.</strong><br />
Possibilidade lógica: <strong>um governo PSD/CDS</strong>. Será um governo fraco, incapaz de resistir na Assembleia da República mal passe o estado de graça e o PS se reorganize.</p>
<p><strong>Prazo de validade: 9 meses a 1 ano.</strong></p>
<p><strong>2. Ganha o PS.</strong></p>
<p>Possibilidade lógica um: <strong>um governo de bloco central, PS e PSD</strong>. Será um governo forte externamente, quer na AR, quer perante o protectorado, quer ainda perante os representantes dos credores, as agências de notação financeira.</p>
<p><strong>Prazo de validade</strong>: dependendo do tempo que demorar a desmoronar-se internamente, isto é, de os principais representantes perderem a confiança um no outro, pode durar <strong>entre 2 anos e</strong>, no melhor dos cenários bem intencionados, <strong>uma legislatura</strong>.</p>
<p>Possibilidade lógica dois: <strong>um governo PS/CDS</strong>. Será um governo com fôlego mas pouco convincente e sujeito a desgaste rápido.</p>
<p><strong>Prazo de validade: 6 meses a 1 ano.</strong></p>
<p>Possibilidade lógica três: <strong>Bloco Central (Alargado), PS + PSD + CDS</strong>. O governo mais forte que os portugueses poderão esperar. Seria o alívio do PR e da UE (e, vá, para os credores; só as agências de notação ficariam desiludidas pois perderiam oportunidades).</p>
<p><strong>Prazo de validade</strong>: <strong>entre 18 meses e 3 anos</strong>, se tudo correr muito bem.</p>
<h2><strong>Mas e Cavaco? + 2 perguntas</strong></h2>
<p>Mas e Cavaco não adoraria ter um governo PSD/CDS, ao qual poria a mão por baixo? Eventualmente. Mas se isso podia contrabalançar os efeitos da oposição na AR, amortecendo um pouco o desgaste e garantindo um canal de escoamento rápido das políticas favoráveis aos interesses dos maiores empregadores, por outro lado mereceria a desconfiança atenta dos representantes internacionais. Uma coisa anularia a outra.</p>
<p>Porque durará menos este BC(A) do que o BC? Porque será mais complicada a gestão interna de três sensibilidades.</p>
<p>Porque não se colocam os cenários BC(A) ou BC se o PSD ganhar? Porque o PSD, que terá justamente a primazia, tem dito, mantido e repetido que não governa com o PS.</p>
<p>Gostemos ou não gostemos, é isto que vai a votos.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O candidato da direita a Primeiro Ministro</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Apr 2011 16:03:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[CDS]]></category>
		<category><![CDATA[direita]]></category>
		<category><![CDATA[Passos Coelho]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Portas]]></category>
		<category><![CDATA[PSD]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/politica/o-candidato-da-direita-a-primeiro-ministro/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2011/04/lider-da-direita-objetivo.jpg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="" title="lider-da-direita-objetivo" /></a>A evolução política dos últimos 20 anos trouxe a um momento histórico dramático uma direita com dúvidas profundas e lideranças trocadas: a sua grande massa eleitoral não tem uma referência comprovada, enquanto a figura de referência, a única constante à &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/o-candidato-da-direita-a-primeiro-ministro/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A evolução política dos últimos 20 anos trouxe a um momento histórico dramático uma direita com dúvidas profundas e lideranças trocadas: a sua grande massa eleitoral não tem uma referência comprovada, enquanto a figura de referência, a única constante à direita na última década, não tem massa eleitoral.</p>
<p><img src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2011/04/lider-da-direita-objetivo.jpg" alt="" title="lider-da-direita-objetivo" width="521" height="130" class="aligncenter size-full wp-image-5857" /></p>
<p>Noutras circunstâncias, o facto de Paulo Portas assumir uma candidatura a Primeiro Ministro seria para mim um <em>fait-divers</em> com direito, estivesse eu bem disposto, a piadola ocasional.</p>
<p>Mas as atuais circunstâncias não são propriamente normais. Deixando de lado as irresponsabilidades políticas que nos trouxeram a estas dramáticas eleições, o momento em si é de extrema gravidade. Aliás, sublinhada por todas as figuras com algum tipo de peso senatorial que a nossa vida pública contém, e mesmo por outras menos &#8220;pesadas&#8221;.</p>
<p>Achei que o Presidente da República fez <strong>A Coisa Certa</strong> no dia 25 de Abril chamando para o seu lado os anteriores presidentes. Foi <strong>Um Momento Daqueles</strong>, ver Cavaco, Soares, Sampaio e Eanes juntos pela mesma causa, sendo que essa causa é esta ideia vaga a que eu chamo o meu país.</p>
<p>E, lendo a situação neste quadro, a assunção da candidatura a PM por Portas passa subitamente para outra dimensão. Que, estou certo, vai baralhar as contas eleitorais à direita &#8212; e particularmente fazer a vida negra ao PSD.</p>
<h3>A vida eleitoral do PSD não está fácil.</h3>
<p><img src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2011/04/lider-da-direita-pb.jpg" alt="" title="lider-da-direita-pb" width="521" height="130" class="aligncenter size-full wp-image-5858" /></p>
<p>Pedro Passos Coelho encabeça uma corrente demasiado minoritária, quiçá mesmo sem expressão estatisticamente relevante no próprio eleitorado do seu partido. Uma coisa é derrotar em combates internos os anciãos desorientados e os barões desatentos ou entretidos, outra coisa é cativar as suas próprias massas para uma disputa eleitoral.</p>
<p>A sua consistência ideológica de base &#8212; o neoliberalismo visando a supressão do Estado &#8212; é assustadora para a maior parte do seu próprio eleitorado. Por um lado. Por outro, entra em choque com as ideologias fundadoras do Partido Popular Democrata/Partido Social Democrata, alinhadas entre a social-democracia de centro-esquerda sá-carneirista (desde o fim do cavaquismo praticada exclusivamente pelo&#8230; Partido Socialista), o elitismo pragmático balsemista e o conservadorismo maleável.</p>
<p>Resumindo: dos muitos líderes que o PSD experimentou recentemente, Passos Coelho é aquele cuja inclinação ideológica mais radicalmente se afasta do DNA do partido. O que em si nada tem de mal: todos os organismos vivos &#8212; e um partido pretende-se um organismo vivo &#8212; devem evoluir, mudar, adaptar-se. A arte da sobrevivência está em acertar nas mudanças e nos momentos.</p>
<p>Depois, Passos cometeu um erro de principiante (foram mais, mas este é o que quero agora sublinhar). Uma vez líder, fechou o seu círculo de confiança em vez de o abrir. Acantonou o seu escasso exército dentro do partido, o que terá consequências funestas no futuro e está a provocar debilidades no presente. Sem pessoas que façam as pontes e amaciem os discursos, Passos fica extremamente dependente do sucesso de terceiros, nomeadamente dos estrategas e consultores de comunicação profissionais e do autêntico exército de colunistas de jornais e revistas e comentadores televisivos que têm vindo a substituir em funções a máquina partidária tradicional do PSD (outro erro, dada a importância histórica dessa máquina).</p>
<p><img src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2011/04/lider-da-direita-verde.jpg" alt="" title="lider-da-direita-verde" width="521" height="130" class="aligncenter size-full wp-image-5859" /></p>
<p>Entre mais explicações para esta incongruente incapacidade do PSD para atrair e consolidar o eleitorado  &#8212; que, segundo o partido afirma e repete como um disco riscado, estará &#8220;farto&#8221; da governação &#8212; está a desconfiança com um líder que emite continuamente desconcertantes sinais de imaturidade. (E o seu estado-maior é igual.)</p>
<p>O passado de Pedro Passos Coelho resume-se a zero vírgula líder da JSD, tendo sido deputado curricular; a sua experiência executiva resume-se a uma vereação sem história na Câmara da Amadora. Ora, moldar a figura de um líder, construindo-a a partir do zero, não é tarefa nada difícil. Há sempre zelosos artistas capazes de títulos felizes. Mas uma figura moldada assim tem um problema. A pintura é suficiente para o primeiro olhar, mas não resiste ao segundo olhar.</p>
<p>E reside aí uma das grandes questões da atualidade: Passos Coelho resistirá ao segundo olhar do eleitorado flutuante?</p>
<p>O eleitorado flutuante do centro (que, dizem, decide as eleições) vota quer no PSD, quer no PS. Passos precisa dele. Através de uma campanha persistente e com o fortíssimo apoio de que dispõe na Comunicação Social privada (que é quase toda, hoje em dia), é capaz de convencer a parte dos flutuantes desgastada com o Governo.</p>
<p>Se a vida eleitoral do PSD se resumisse a essa frente, não seria mau. O pior é que de nada adianta conquistar 50.000 ou 60.000 votos no centro-esquerda se perder 15 ou 20.000 à direita.</p>
<p><img src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2011/04/lider-da-direita.jpg" alt="" title="lider-da-direita" width="521" height="130" class="aligncenter size-full wp-image-5860" /></p>
<p>E à direita está Paulo Portas &#8212; a antítese de Pedro Passos Coelho. Apesar da idade, é um veterano. Colocados lado a lado &#8212; como vai ser inevitável &#8212; Portas vai surgir como um guerreiro coberto de glórias e cicatrizes de incontáveis batalhas, ao lado de um menino do coro imberbe que assistiu ao padre na Amadora.</p>
<p>Ninguém se lembra de Passos Coelho como deputado na AR, mas ninguém esquece Paulo Portas na AR.</p>
<p>Passos é o neo-liberalismo de efeito imprevisível no status quo económico. Portas, o conhecido liberalismo da velha escolha, conservador.</p>
<p>Os debates televisivos entre os dois serão fundamentais.</p>
<p>Passos Coelho &#8212; em boa medida por causa do acantonamento interno &#8212; não terá um voto da direita à direita do PSD. E os votos que aspire ir buscar às franjas neo-liberais são uma incógnita: tanto na quantidade (a blogosfera tornou o neo-liberalismo numa moda, mas ainda não tivemos nenhuma certificação social ou eleitoral da representatividade dessa corrente) como na qualidade (os descomprometidos são altamente voláteis e tendem a agir em função dos benefícios diretos, como o PSD comprovou na constituição das suas listas).</p>
<p>Paulo Portas parte com a certeza de muitos votos à esquerda do CDS &#8212; há um PSD que não perdoa a Portas por causa de Cavaco, mas também há um PSD pragmático, que ultrapassa as querelas do século passado. E até tem a esperança nalguns votos dos flutuantes do centro: basta-lhe pigarrear, afivelar o tão bem treinado rosto de &#8220;situação da mais alta gravidade&#8221; e olhar de frente para as câmaras, enquanto os seus lembram discretamente os jornalistas na sala que ele tem experiência governamental e conhece os dossiês.</p>
<p>Passos Coelho tem tudo a provar. Paulo Portas já provou.</p>
<p>Passos Coelho não tem a máquina partidária do seu lado, Paulo Portas é o maestro de uma orquestra treinada e afinada.</p>
<p>É engraçado verificar como a evolução dos últimos 20 anos naqueles dois partidos trouxe a direita a um momento histórico dramático com dúvidas tão profundas. E lideranças trocadas: a sua grande massa eleitoral não tem uma referência comprovada, enquanto a figura de referência, a única constante à direita na última década, não tem massa eleitoral.</p>
<p>No dia 5 de Junho &#8212; histórico por razões pessoais  &#8212; teremos várias respostas. Na realidade, os partidos são mais interessantes do que em geral se pensa. E não temos outros instrumentos para tratar da vida pública.</p>
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		<title>As eleições, o realismo, o PSD e os estrategas dele</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Apr 2011 16:42:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
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		<category><![CDATA[eleições 2011]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;A sobrevivência do PSD como projecto político deve mais a Balsemão e aos talking heads dos media do que a qualquer consistência política ou programática.&#8221; (guardiola, em comentário ao artigo Lamento, mas a TSF não é a Ensitel).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;<strong>A sobrevivência do PSD como projecto político deve mais a Balsemão e aos talking heads dos media do que a qualquer consistência política ou programática.</strong>&#8221;<br />
(guardiola, <a href="http://lpm.blogs.sapo.pt/806508.html?thread=118892#t118892">em comentário</a> ao artigo Lamento, mas a TSF não é a Ensitel).</p>
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		<title>Lendo a sondagem da Marktest: o PSD tem um problema, que partilha com o país</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Apr 2011 11:50:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Passos Coelho]]></category>
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		<description><![CDATA[As sondagens e inquéritos de opinião valem o que valem. Sobretudo numa época como a destas eleições antecipadas, valerão menos os números que as mensagens. Sendo claro: penso que o peso da campanha para as legislativas de dia 5 de &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/lendo-a-sondagem-da-tsf-o-psd-tem-um-problema-que-partilha-com-o-pais/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As sondagens e inquéritos de opinião valem o que valem. Sobretudo numa época como a destas eleições antecipadas, valerão menos os números que as mensagens. Sendo claro: penso que o peso da campanha para as legislativas de dia 5 de Junho será menor que em situações normais, ganhando relevância o momento decisivo, que é o confronto com a boca da urna.</p>
<p>Dito isto, penso ser inequívoca a leitura da <a href="http://margensdeerro.blogspot.com/2011/04/marktest-11-13-abril-n803-tel.html">sondagem</a> da Marktest <a href="http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1835354">ontem publicada</a> que dá ao PS a vitória por 1 ponto percentual, com uma recuperação de 11 pontos.</p>
<p>A leitura é esta. O PSD tem um problema inesperado. Chama-se Passos Coelho. A sua forma de estar e comunicar tem constituído uma desilusão. Não há forma de ver nele o líder capaz de entusiasmar o eleitorado e provocar uma onda laranja irresistível. Abre demais a boca, confundindo-se com o pretenso rival em vez de se distanciar dele. Na elaboração das listas de candidatos deu ao partido uma aura de pungente amadorismo.</p>
<p>Talvez não apenas aura: chamar figuras mediáticas para abrilhantar listas vá que não vá, colocá-las no topo só pode ser fruto de uma inexperiência tão insuspeitada quanto demonstrada. Nobre e Capucho são a face visível de uma desmobilização e descaracterização social-democratas que, pelas mãos de Passos Coelho, está a decorrer a um nível mais profundo no PSD.</p>
<p>Quando fala para as elites neo-conservadoras, Passos não se sai mal. Mas o PSD profundo (de alto a baixo) desconfia dele em surdina. E a principal massa do eleitorado &#8212; a massa trabalhadora dependente &#8212; não simpatiza com as suas falinhas mansas e discurso chapa-quatro.</p>
<p>De resto, há um mês já tinha calculado que o erro político de provocar eleições antecipadas se poderia voltar contra ele precisamente porque se equivocou, confundido a crise que assola a Europa (e, vá lá, o sistema político-financeiro global) com um assunto doméstico (ler: <a href="http://pauloquerido.pt/politica/a-berbintice-de-passos-e-a-politica-copypast/">a berbintice de Passos e a política copy-paste</a>).</p>
<p>Assim, o país tem um problema. Os tempos recomendam um governo de consenso alargado, um bloco central (preferencialmente sem o CDS a aumentar o ruído, mas dependendo do que ditar a divisão de votos à direita). Nisso toda a gente concorda. O problema é que o PSD &#8212; <strong>o PSD de Passos e Miguel Relvas</strong> &#8212; tem dito, reafirmado e repetido que só está disponível para uma coligação governamental com José Sócrates de fora.</p>
<p>Os sinais subentendidos na sondagem de ontem aconselham à mudança discursiva. Sob pena de o PSD ter de encontrar internamente gente profissional, para quem o diálogo e a negociação &#8212; duas essências democráticas &#8212; não sejam motivo de infantil birra.</p>
<p>&#8220;Só jogo se for o capitão da equipa&#8221; é uma frase que não se espera ouvir fora do recreio do ensino secundário. Muito menos dita por quem nunca sequer jogou.</p>
<p>Se o eleitorado determinar que Sócrates joga a avançado, para haver jogo o PSD terá de sentar Passos no banco e promover um reservista. Não haverá outra solução.</p>
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		<title>Porque figuras de peso recusam as listas do PSD? Passos é razão insuficiente</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Apr 2011 16:22:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
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		<category><![CDATA[amadorismo]]></category>
		<category><![CDATA[PSD]]></category>
		<category><![CDATA[res publica]]></category>

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		<description><![CDATA[Não me surpreende que o que antes conhecíamos por classe política esteja em mudança. O que se passa no PSD é o resultado de uma evidência. Ou talvez duas. &#8220;Luís Filipe Menezes, António Capucho e Marques Mendes recusaram integrar as &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/porque-figuras-de-peso-recusam-as-listas-do-psd-passos-e-razao-insuficiente/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não me surpreende que o que antes conhecíamos por classe política esteja em mudança. O que se passa no PSD é o resultado de uma evidência. Ou talvez duas.</p>
<p>&#8220;<em>Luís Filipe Menezes, António Capucho e Marques Mendes recusaram integrar as listas do PSD às legislativas de 5 de Junho. Juntam-se assim a Manuela Ferreira Leite, que, na semana passada, também rejeitou o convite para ser candidata a deputada</em>&#8221; (<a href="http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=94&#038;did=150954">Figuras de peso recusam integrar listas do PSD</a>, notícia na Rádio Renascença).</p>
<p>À luz do que já escrevi antes <a href="http://pauloquerido.pt/politica/o-psd-e-os-nobres-passos-para-a-desilusao-geral/">a propósito de Fernando Nobre no PSD</a>, admito que o êxodo se deva, também, às questões partidárias. As fações rivais de Passos não estão nada satisfeitas com o rumo dos acontecimentos e, sobretudo, com o perfil público do candidato do partido a PM.</p>
<p>Mas Passos é razão insuficiente.</p>
<p>Devemos procurar as razões básicas. A verdade é esta: quem hoje vai para cargos públicos diz adeus às regalias. Acumular pensões foi proibido. O salário é diminuto. As prebendas diminuíram. Já se chegou ao caricato dos titulares de cargos públicos terem de pagar do seu bolso viagens de trabalho.</p>
<p>Não há o mínimo incentivo ou aliciante. Ou se é um monge dedicado à causa (espécies raríssimas, ensina o passado). Ou se é um arrivista com segundas e, quem sabe, terceiras intenções. Ou &#8212; vista a <a href="http://pauloquerido.pt/media/do-jornalismo-pago-pelos-impostos-ao-orientado-ao-lucro-resultados-da-evolucao/">forma desproporcionada como os media hoje tratam quem governa</a> &#8212; se é um <a href="http://www.imdb.com/title/tt0112851/"><em>desperado</em></a>. Ou outras coisas, nenhuma delas a encaixar no que fez regra ao longo do apogeu da democracia representativa.</p>
<p>A gestão do que a <em>res publica</em> for nos próximos tempos será feita por figuras de segundo plano. É a alternativa. O amadorismo de que <a href="http://www.amazon.com/Cult-Amateur-Internet-Killing-Culture/dp/0385520808">alguns (como Andrew Keen)</a> se queixam que a Internet trouxe, não é afinal um problema específico da net.</p>
<p>Não sei antever se isso será mau. Ou bom. É demasiado cedo para adivinhar consequências. Ainda nem a tendência está bem definida, quanto mais&#8230; E mesmo na net, em que já há registos para avaliar, não temos conclusões sobre os malefícios e benefícios dessa &#8220;invasão do chinelo&#8221;.</p>
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		<title>O PSD e os Nobres Passos para a desilusão geral</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Apr 2011 08:30:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Fernando Nobre]]></category>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/politica/o-psd-e-os-nobres-passos-para-a-desilusao-geral/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2011/04/psd-nobres-passos.jpg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="" title="psd-nobres-passos" /></a>Se a escolha de Fernando Nobre é indício da &#8220;nova tendência&#8221; de um PSD mais &#8220;aberto&#8221; à &#8220;sociedade civil&#8221;, temo bem que Passos Coelho esteja &#8212; desastradamente ou não &#8212; a acentuar a descaracterização do seu partido, um processo discreto &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/o-psd-e-os-nobres-passos-para-a-desilusao-geral/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se a escolha de Fernando Nobre é indício da &#8220;nova tendência&#8221; de um PSD mais &#8220;aberto&#8221; à &#8220;sociedade civil&#8221;, temo bem que Passos Coelho esteja &#8212; desastradamente ou não &#8212; a acentuar a <strong>descaracterização</strong> do seu partido, um processo discreto que corre paralelo ao dia a dia dramático e solene que é o estilo passista.</p>
<p><a href="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2011/04/psd-nobres-passos.jpg"><img src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2011/04/psd-nobres-passos.jpg" alt="" title="psd-nobres-passos" width="600" class="aligncenter size-full wp-image-5820" /></a></p>
<p>O PSD é um partido com três corpos &#8212; uma coincidência com o número das setinhas no seu símbolo. A lógica mandaria supor que, na recusa de Manuela Ferreira Leite para Lisboa, fosse Pedro Santana Lopes o nome seguinte. Foi presidente da Câmara, é popular na cidade, cumpriu com elevação a travessia do deserto após o Grande Equívoco, era um bom nome à direita (já se percebeu que a refrega entre os partidos da direita será o segundo ponto de interesse das eleições de 5 de Junho).</p>
<p>Passos Coelho arriscou muito ao não satisfazer nenhum dos três corpos do partido para investir numa incógnita que só por sorte trará algum benefício ao partido. (Muito há a dizer sobre isto, mas agora falta-me o tempo.)</p>
<p>Percebeu-se imediatamente nas redes sociais a desilusão das bases que um dia votaram contra &#8220;o sistema&#8221;, usando como lupa ampliadora do seu protesto o candidato &#8220;amador&#8221; Fernando Nobre &#8212; na verdade um reformado que ao mais que justo descanso preferiu a excitação da vida de mercenário, combatendo primeiro a guerra de Soares (e Cavaco, ó ironia) e aceitando agora ser tenente de Passos, que lhe acenou com o lugar de general comandante dos infiéis vencidos, os deputados.</p>
<p>Nos próximos dias veremos se há sinais &#8212; naturalmente, menos estrondosos que aqueles &#8212; de desilusão entre os membros proeminentes dos três corpos do PSD. Tal permitirá clarificar a leitura quer da atitude de MFL (que, quero crer, comporta motivos meramente pessoais), quer do ofício dominical de Marcelo Rebelo de Sousa, que foi tão fria quanto veladamente contra tudo o que a atual direção do PSD estabeleceu como linhas de força até Junho: <em>a &#8220;culpa&#8221; não é de Sócrates mas de &#8220;todos nós&#8221;</em> (o que surpreendeu e desorientou os <em>spinners</em> do partido, com ordens de continuar a malhar no ferro quente onde batem minimal-repetitivamente desde o episódio do canudo), <em>o país precisa de forte consenso entre os dois maiores partidos</em> (Relvas canta &#8220;só nós é que sabemos&#8221;),<em>Belém vai ter um papel central na gestão da tríade governo-oposição-FMI/FEEF</em> (a tutoria de Cavaco é o que a direção atual do PSD mais teme).</p>
<p>Mas a menos que os eleitores, Sócrates e Cavaco o salvem com a água benta do bloco central, Passos Coelho ameaça ficar na história como o líder que forçou a recomposição do centro-direita português. Seria um grande favor ao país, é certo, mas sou realista e mais depressa aposto na água benta. O PSD estica mas não rompe. E quanto mais estica e se descaracteriza, mais encolhe.</p>
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