Coisas que irritam: receber uma “newsletter” comercial não solicitada com “notícia” de há um mês
Se há coisas que irritam, uma delas é ter na primeira leva de correio matinal uma “newsletter” não solicitada com notícias de há um mês a embrulhar o comercial peixe. E saber que os deputados europeus gostam que assim seja e a União mantenha a inacreditável e anacrónica legislação de opt-out que só protege os scammers e spammers, borrifando-se nos cidadãos.
Uma tal “Clínica Informática” redigiu e expediu o seguinte mimo:
“O porquê da nossa Newsletter ?
A Clinica Informática iniciou uma nova etapa na sua carreira, começando por inaugurar a sua loja online com milhares de produtos e um serviço de newsletter com um formato que julgamos ser interessante, ao qual poderá Subscrever.
Assim, em todas as nossas edições teremos noticias e novidades do mundo tecnológico nas suas diversas áreas, para que esteja sempre a par das formas de rentabilizar o seu negócio em altura tão dificil como esta que estamos a atravessar.
Noticias !!”
E a “noticia” tem mais de um mês.
A tal “Clínica Informática” decidiu incluir à força um endereço de correio meu na sua newsletter julgando que a proteção legal sancionada pela União Europeia a isenta de responsabilidade nessa atitude de violação e invasão da minha esfera pessoal.
Pois fique a “Clínica Informática” a saber que lhe fica muito mal. Há cidadãos que, como eu, colocam automaticamente um filtro no mail que se encarrega de despejar no lixo a vossa tralha não solicitada, sem sequer a ler. Afinal de contas, e respeitando a mesma lei que VOS protege, à primeira todos caem, à segunda só cai quem quer.

Não carregarei em botão nenhum para acção alguma: a responsabilidade da inclusão do meu endereço foi VOSSA e eu não a partilharei seja de que forma for — nem sequer premindo um botão para “sair”, de cujos efeitos duvido desde logo, tendo em conta a vossa aproximação despudorada.
Nem sequer vos direi que mail meu é que usaram para me incomodar — trabalhem, ou paguem, se já o fizeram para o obter, podem certamente fazê-lo de novo. Não contarão com a minha boa vontade porque eu não tenho nenhuma boa vontade para convosco.
Queridos deputados europeus: poderão os cidadãos sonhar com uma revisão da Diretiva 2000/31/CE — conhecida por lei de protecção dos spammers?
DECO reincide com spam (mas mudou de spam provider)

Quando uma associação de informação ao consumidor como a Deco é a primeira a usar as piores práticas de abuso do correio electrónico com finalidades comerciais, um cidadão sente-se efectivamente torpedeado.
Já tinha denunciado em Julho último a situação: Spamado por uma associação de defesa do consumidor? Sim: pela Deco. Na altura, a Deco usava o spam provider fabulastico.com. Agora, recorre à comsualicenca.com — uma empresa com origem em Espanha e que a sabe toda: até conseguiu registar a sua base de dados na Comissão Nacional de Protecção de Dados.
É fácil anunciar no site que se tem uma política anti-spam. É tudo fácil. Assim o quis o legislador. O spammer está legalmente protegido. Basta-lhe comprar ou recolher endereços de e-mail. Não tem de fazer mais nada para poder despejar-me em cima, sem o meu consentimento nem autorização, tudo o que lhe apetecer. Abusando dos meus recursos. Fazendo-me pagar A MIM pela SUA actividade. É lindo.
Sabemos todos que é assim. O legislador foi simplesmente metido no bolso na altura certa, agora afigura-se impossível desfazer a situação, que já está institucionalizada em termos comunitários.
Temos de viver com a merda de marketing mail que temos, já se percebeu a condenação.
Por isso mesmo, considero escandaloso que empresas que se supõem socialmente responsáveis recorram ao artifício do spam. E lavro o meu protesto. Cara Deco, é minha resoluta convicção que isto não se faz, esta vossa política comercial está errada e incomoda milhares de pessoas, além de abusar dos seus recursos.
Os CTT entram para a lista de spammers
Acabo de receber a newsletter nº 4 da loja virtual dos CTT. Como nunca na vida assinei tal coisa, directa ou indirectamente, só resta uma conclusão: os CTT entram para a lista das empresas que praticam a “nobre” arte do spam. É a declaração institucional de vitória do marketing à bruta, tal como o legislador quis que fosse. É também uma grande merda. Mais uma regra no correio para jogar imediatamente no lixo tudo o que venha de lojavirtual@ctt.pt, mais uns segundos de ligação a puxar lixo comercial não solicitado, mais um endereço que vai ficar queimado em listas negras, mais telefonemas a perguntar “então não recebeu o meu mail?”, mais um post a denunciar um spammer — uma actividade quixotesca a que me dedico um dia saberei porquê.
Economia do spam contradiz Eric Schmidt

Saiu há poucas horas um relatório sobre a economia do spam que vem contradizer algumas afirmações do CEO da Google, Eric Schmidt, numa entrevista que vi por estes dias. Schmidt diz — e com razão — que “you can have a long tail strategy, but you better also have a head, ’cause that’s where all the revenue is” (em The McKinsey Quarterly).
Sim — é melhor ter uma estratégia mista, sobretudo se somos uma empresa de conteúdo. LER CONTINUAÇÃO :.
Spamado por uma associação de defesa do consumidor? Sim: pela Deco

Hoje recebi em n mails que uso diversas versões da mesma mensagem comercial não solicitadas, enviadas por uma conhecida empresa do ramo, em contrato com o que eu supunha ser uma associação de defesa do consumidor, a Deco, e que como tal se apresenta.
Digo supunha porque em tempo até fui sócio. Há muito tempo, sim, mas apesar de achar que já não me servia, continuei a supor que era uma associação de defesa do comsumidor.
Supus até hoje. Tudo tem um limite. Como é evidente, a Deco fará questão de ignorar a minha opinião e faz muito bem, porque ela não é nada favorável. E continuará a usar os inestimáveis serviços da fabulastico, que adivinho dispor da maior e mais fabulosa base de dados de cândidos alvos do marketing sem permissão, para enviar as suas ofertas comerciais de canetas, agendas e calculadoras a pilhas. Mas no meu correio só entra uma vez. E com protesto público e agravamento da má reputação cá em casa e notificação de spammer em tudo o que eu tiver à mão.
Disclaimer: a prática do spam é legítima e o recurso sem limites de nenhuma espécie a endereços de e-mail obtidos à força, sem o consentimento nem conhecimento dos seus utilizadores, é garantido pela lei em vigor no país e na União Europeia. Faço notar que, como tal, as consequências para a reputação das empresas e entidades que do spam fazem uso estão igualmente legitimadas.
Infelizmente não se pode ter tudo
Este artigo servirá os intentos da fabulastico e pode, inclusivé, ser apresentado ao seu cliente, no caso a Deco, como prova dos bons serviços prestados.
Esqueçam o facto de eu ser um consumidor a protestar: isso é para a fotografia. A verdade é outra. Sou apenas um tik num formulário, na secção “objectivo cumprido”.
Mas como não forneço os endereços que foram atingidos, tendo falado propositadamente num número vago e irreal, o tik do meu resultado vale menos.
Pode a fabulastico apresentar pesarosamente desculpas à Deco. Infelizmente, não se pode ter tudo porque há meia dúzia de consumidores resilientes como eu. Felizmente, o número de consumidores do meu género é estatisticamente desprezível.
Sociedade da Informação coloca novos desafios ao consumidor
Comércio electrónico, segurança dos dados pessoais, regulação e mecanismos de protecção foram alguns dos temas discutidos na conferência “O Consumidor na Sociedade da Informação”, que decorreu a 19 de Junho, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, realizada pela APDSI – Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação, e na qual estive presente como moderador de um dos painéis.
Foi uma conferência importante e aqui fica uma resenha do que lá se passou. Os tópicos principais:
- DECO e a controvérsia no direito à cópia privada
- Compras online: desconfiança face ao digital prevalece
- Banca online satisfaz
- Consumidor responsável/empresa sustentável
- O pesadelo dos tarifários no móvel e o combate perdido para o spam
Está previsto que as reflexões resultantes desta conferência nacional dedicada ao consumidor constituam uma primeira fase de um estudo, a desenvolver no âmbito da APDSI. LER CONTINUAÇÃO :.
Portugal Telecom: "lá porque somos um grande grupo nacional de telecomunicações, temos tanto direito a spamar como os vi-a-gras e os alargadores de pen1s"
Só não me espanta porque vem de onde vem. A Portugal Telecom parece pensar: “lá porque somos um grande grupo nacional de telecomunicações, temos tanto direito a spamar como os viagras e os alargadores de penis”.
Esta é mesmo ilegal e deviam ir atrás deles. Não está, sequer, conforme o que manda a lei que legitima, autoriza e protege os spammers, garantindo-lhes que os destinatários ficam impotentes à sua mercê. Nem a esse trabalho a Portugal Telecom se deu.
Vou ficar à espera de um pedido de desculpas. Para sempre.

A última vítima dos promotores do "mail marketing"
Carta aberta à última vítima dos promotores do “mail marketing”, aparentemente Maria Gomes (camixa@gmail.com), contacto administrativo, técnico e comercial do domínio onde se publica, para impressão e posterior envio por CTT, o formulário de “aquisição”.
Caro senhor GUIA NACIONAL DE SERVIÇOS DE UTILIDADE PÚBLICA, a sua mensagem comercial não solicitada — spam — caiu-me extraordinariamente mal. Estar dentro da “legalidade” não é o único cuidado que uma empresa deve tomar na hora de fazer marketing viral. Comprar uma base de dados de endereços de e-mail por 40 euro poderá ter-lhe parecido uma pechincha. Quem lha vendeu, bem como o serviço de envio, números de ROI e demais gráficos powerpoint com que na web se engodam os novatos, fez um bom negócio, sem sombra de dúvida, mas PARA ELE, que vende ar.
Esqueceu-se de lhe referir os custos indirectos deste tipo de acção. Custos como a irritação de parte dos destinatários das acções. Falaram-lhe, estou certo, de taxas de retorno de 7% — mas omitiram que a taxa dos profundamente desagradados é muito superior e tiveram muito cuidado em não mencionar que alguns deles poderiam mesmo tornar pública a sua indignação em termos nada abonatórios para uma empresa com dignidade.
Uma coisa é vender falso Viagra, percentagens miríficas em fortunas nigerianas, a ponte de Brooklin e cópias milimétricas de relógios Cartier feitas pelos mais pobres artesões que a globalização consegue encontrar.
Outra bem diferente é vender um “Guia nacional de serviços de utilidade pública” — ou pelo menos é o que a mim me parece. Talvez a si não lhe pareça, e se assim for, as minhas desculpas por me ter enganado — e aqui fica a publicidade a um artigo desse mais alto nível.
Sem mais.
PS: seja como for, não só não ganhou um cliente, como ganhou um céptico irritadíssimo por ver como é tratado sem nenhum tipo de consideração por empresas que, a coberto da ignorância, promovem más práticas de relacionamento com os clientes.

del.icio.us
DoMelhor
Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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