Avante! Por um PSD sem classes! 

Manuela Ferreira LeiteA campanha de Manuela Ferreira Leite não vai ser nenhum petisco: sempre que a candidata falar, será mau para ela, é o que ressalta destes primeiros dias. Só o mais sepulcral silêncio — dela e dos seus apoiantes — servirá a estratégia delineada para “travar” o “populismo” das “bases”. Aos seus oponentes basta-lhes provocar, ou fazer provocar, MFL para o diálogo e deixar correr. KO técnico.
Como muito bem fez notar o Carlos Araújo Alves em Manuela Ferreira Leite – classes ou castas?,

é interessante a veemência com que Manuela Ferreira Leite se insurge contra os epítetos de “barões” e de “notáveis” do PSD, classificando esses termos como “divisionistas”. O PSD é um partido interclassista, clama via Público.

Não haverá “classes”, até poderá ser, mas uma casta que domina os órgãos de comunicação social, que raramente se expôs a votos e que está habituada a pôr e dispor no PSD, isso parece-me por demais evidente.

Esse PSD acabou — o que há, é pouca gente para aceitar isso… E já acabou há algum tempo, antes mesmo do projecto pessoal de José Barroso ter mascarado o fim do ciclo dos barões e a sua política de fora para dentro, uma política que lhes presume um “peso” e um “valor” admissíveis em tempos de democracia jovem, mas secundários numa sociedade que sabe tomar conta de si (mesmo que mal).
A mim parece-me que a melhor candidatura para fazer o que a campanha de MFL reinvindica, erradamente, para ela — a unificação do partido debaixo de um rosto credível e com autoridade — é a de Passos Coelho — o menino beto que nunca se insurgiu contra os barões instalados não pode deixar de invocar a tradição do PSD antigo nem, até, uma autoridade construível a partir de um passado fraco, mas sem mácula nem revolução.
E digo isto só por uma questão em relação a Santana Lopes: por se temer que, nos seus delírios, fosse capaz de partir o PSD em dois, abrindo a fractura por que tanto anseia Paulo Portas.
Não fosse este temor e Santana Lopes tinha o tal potencial unificador.
Mas isto sou eu a falar.
Há dias já tinha vaticinado que Manuela Ferreira Leite não passará do terceiro lugar, tendo apenas dúvidas sobre quem será o número um, Santana Lopes ou Passos Coelho. Vou oscilando entre os dois e ainda não arrisco um prognóstico sobre o vencedor.
Não atribuo grande importância às sondagens publicadas. O efeito dramático da entrada de MFL, devidamente preparado pela “casta” que domina a Comunicação Social, tenderá a diluir-se já esta semana.

Publicado por Paulo Querido in tecnologia. Bookmark permalink.



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