Encontrei dados curiosos sobre a presença na Internet dos candidatos nas actuais directas do PSD durante a recolha informação para um artigo onde respondo às inquietações do leitor Nuno Pedrosa, que questionou a importância da web 2.0. O artigo virá para os arquivos de C! alguns dias depois da publicação original no Expresso multimedia, onde já se pode ler: PSD e seus candidatos na web: quem foi ao mar perdeu o lugar.
Os dados, que vão servindo de complemento:
- A hierarquia nacional .pt não interessa nem aos políticos
- Domínios dos candidatos são comprados por amadores dos domínios
- Candidados não tinham endereço antes da corrida
- Negociantes de Internet property surgiram em campo antes dos candidatos
Desenvolvimentos e doutrina para tempero:
- A hierarquia nacional .pt não interessa nem aos políticos, é uma das conclusões evidentes da observação da relação dos candidatos com a Internet. A barraca contínua da “liberalização” (avanços e recuos sem conta nos últimos seis meses) surge como o fim do domínio de topo .pt. Dos cinco candidatos, só um comprou o domínio português com o seu nome. Resta saber se Manuela Ferreira Leite vai assentar o ciberarraial em manuelaferreiraleite.pt ou manuelaferreiraleite.com.
- Domínios dos candidatos são comprados por amadores dos domínios. Registar um endereço pelo período mínimo, que é de um ano, não tem boa conotação. É desde logo uma questão de imagem, uma vez que posiciona de imediato o candidato como alguém que não parece interessado em continuar na Internet depois da campanha. Vem para o período eleitoral apenas. O Google, para dar outro exemplo, atribui menos importância aos domínios comprados por períodos curtos, uma forma de despistar os diversos esquemas que abusam do registo de novos domínios para tentar influenciar os resultados dos motores de pesquisa. Os spammers estão entre quem mais registos por um ano efectua.
- Candidados não tinham endereço antes da corrida. Se formos ver apenas os domínios oficiais, ou com comprovada (ou esperada, no caso de Pedro Santana Lopes) ligação ao candidato, todos foram registados — por um ano — a partir de 18 de Abril de 2008, dia em que a firma de advogados de Rui Pena, Arnaut e Associados registou manuelaferreiraleite.pt em nome da candidata.
Seguiram-se:
patinhaantao.com a 22 de Abril;
antonionetodasilva.org a 23 de Abril (o antonionetodasilva.com existe desde 2003 mas o empresário e deputado não o usa);
passoscoelho.info a 28 de Abril;
pedrosantanalopes.com a 2 de Maio. - Negociantes de Internet property surgiram em campo pouco antes dos candidatos, o que tem diversas leituras. Surgiram em regra uma semana antes e a quantidade de casos não é grande. O mais conhecido é o de ferreiraleite.com, que já enganou alguns, ganhando como prémio o número de links suficiente para poder justificar o investimento com as receitas de publicidade. Estão por esclarecer dois casos que não percebi, ainda, se são especulação ou reserva de propriedade.

Mas certamente que sim! é uma publicação de Paulo Querido, jornalista e consultor de comunicação. Também autor de livros, artigos e algum código. Na net desde 1989. (
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