Deficiência, discriminação e soluções
Guest post da autoria de Rui Cruz (*)
A RTP, a televisão pública mais antiga em Portugal, passa a legendar o noticiário com um sistema de reconhecimento de voz em tempo real. Segundo o Sol, esta é uma iniciativa única a nível mundial, mas parece-me que o mundo do jornal Sol se resume a 92,345 km2, mais coisa menos coisa. É parte desta excelência informativa que me fez trocar o jornal pelo RSS feed de cerca de 70 blogs.
Outros exemplos de boas acções para promover a igualdade de informação passam pela Vodafone oferecer 50% de desconto de 50% em placas de banda larga adquiridas por deficientes visuais e pelo Grupo Auchan, onde também se enquadra o Pão de Açúcar, que oferece a entrega de compras para deficientes visuais — entre outras. E aqui estamos apenas a falar nos deficientes visuais. E é sobre isso que se vai continuar a falar.
Hoje em dia existem pessoas às quais vamos aqui designar por “novos deficientes visuais”. Estas pessoas, com 16 a 28 anos, sofrem daquilo que eu chamo “passar demasiado tempo ao computador com um ecrã inapropriado que piora de forma gradual a visão”.
Isto claro que nunca se chega a um ponto de cegueira, mas é o suficiente para em formações de emprego e projecções de slides, existirem sempre aqueles que dizem “não vejo daqui”. Este target de pessoas, com tendência para aumentar, não tem muita informação de como contornar a situação.
Na minha experiência profissional, encontrei três pessoas. Às três, em parte pela minha passagem pela empresa Tiflotecnia durante quase três anos, consegui indicar soluções práticas para os seus pequenos, mas de alguma forma incómodos, problemas de visão.
Oportunidades de emprego
Infelizmente, o sector onde se procura emprego “para desenrascar” é o call center / contact center, e neste caso as empresas de trabalho temporário dominam. Estas empresas, como a Adecco, já por diversas vezes discriminaram várias pessoas em relação à deficiência; a Atlanco que não comunica esse tipo de informações aos clientes, e os clientes que estranhamente não recrutam esse tipo de pessoas. Mas devemos destacar os bons casos como é o exemplo da empresa Avançar – Promoções e Marketing, Lda. que oferece emprego em telemarketing e tem uma boa política nesse aspecto.
Quando tomamos contacto com uma empresa de trabalho temporário, temos que nos lembrar que essa empresa trabalha para nos servir e que sem nós a empresa não existiria.
Para colmatar o problema de visão, em vez de se pagar 400€ por um ampliador comercial, ou pedir a ume empresa que altere um programa a ser compatível com resolução 800×600, temos soluções grátis. O DesktopZoom é um software de ampliação rudimentar, mas que faz todas as funções básicas de um ampliador de ecrã, grátis e portátil, para levarmos numa pen.
Os passos para a criação desta “pen portátil” são:
- fazer o download do ficheiro aqui e se o link não funcionar passar por aqui e procurar outro mirror;
- copiar o ficheiro para a pen drive, de preferência numa pasta por questões de organização;
- criar um ficheiro autorun.inf com a seguinte informação (de notar que aqui escolhi a pasta DesktopZoom, e devem fazer a alteração caso escolham outra pasta na pen drive):
[autorun]
open=DesktopZoom/DesktopZoom.exe
icon=DesktopZoom/DesktopZoom.exe
action=Iniciar DesktopZoom
label=Ampliador DesktopZoom
Em caso de discriminação no trabalho por deficiência, recomenda-se sempre a leitura do Decreto-Lei nº 46/2006 de 24 de Fevereiro de 2006 e o respectivo regulamento dessa lei, Decreto-Lei nº 34/2007… ou de algo mais, porque direito não é a minha especialidade e até posso estar errado.
Aqui falei de três situações diferentes. Quantas afectam o leitor ou familiares? Quantas são as que afectam os seus amigos? O mundo de hoje já é tão cão, que não precisa de deixar comentários a morder.
(Rui Cruz é um autor com forte presença na web e que gosta de gerar polémica. Mas nem tudo o que publica tem essa fatalidade, como se pode comprovar por este texto, escrito na sequência de um desafio corajoso que lhe coloquei e a que prontamente respondeu.)
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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Muito bom!
Obrigado pelo desafio.
Custou menos do que eu esperava.
Rui
[...] resumidamente sobre mim. Naturalmente que agradeço ao Paulo Querido pela publicação do texto Deficiência, discriminação e soluções no blog dele. Visito o blog dele há cerca de 1 ano, talvez um pouco [...]
“que gosta de gerar polémica. Mas nem tudo o que publica tem essa fatalidade, como se pode comprovar por este texto”
Verdade, gostei de ler. Já estou a pensar em blogs com locução para os posts.
Já agora, Rui, quando estiver à espera de visitas de cortesia lá no seu “refúgio”, mande as meninas para dentro. É que é um bocado desconcertante.
As meninas chamam a atenção, desviam o utilizador do verdadeiro post.
E afinal, é um blog para adultos. Nenhuma criancinha devia ler o que eu escrevo, ou ia para a cama com pesadelos.
Obrigado pelo comentário.
Rui
off-topic: Hum… os adultos também se podem chocar — ou perdem o direito quando fazem 18 anos?
on-topic: Marta, há diversos softwares de oralidade instantânea, fazem transcrições a partir do texto do post. Não tenho aqui os links à mão, mas uma pesquisa no G. fornecê-los-á.
Paulo, acho que é isto que pretendes: http://www.readspeaker.com/home/1336/1299/
Também por causa disso pus duas “piadas” com essas vozes num postzito meu: http://ruicruz.forunsbb.com/2008/03/11/vozes-sintetizadas-para-leitura-de-textos/
Rui
Sim. Eu tinha ideia de que eles já existiam mas uma vez ouvi (uma tradução) e o resultado é muito desenxabido. Quando se está a ler uma história, uma anedota ou um outro texto qualquer que exija emoção esses programas não funcionam. Penso eu … tentei ouvir qualquer coisa no link que o Rui, tão gentilmente, postou mas o meu proxy não deixou. Está sempre a fazer-me destas. Mas como da última vez que me pus a mexer na programação do computador, passei dois dias sem som e meia hora online com uma rapariga da HP, por sinal muito simpática, que tinha um péssimo inglês e só me dizia “I see”, agora tenho mais cuidado e vou deixando o tal de proxy decidir o que eu posso ou não abrir.
Ups! Quantas linhas já escrevi?
Opâ, desculpem lá, tá na hora e . . . obrigada
Conheço relativamente bem a escrita do Rui, e muito sinceramente este post está muito acima das minhas espectativas, gostei bastante, além de ajudar muitas pessoas que se têm deparado com este pequeno problema (problemas visuais minimos que se veem agravar) pode vir a trazer bastante esclarecimento neste assunto.
obrigado Rui.
sou deficiente e agradeço pelo debate
[...] reproduzido parcialmente num post convidado no site do Jornalista Paulo Querido há uns meses: Deficiência, discriminação e soluções), vemos agora mais uma revolução na forma comoo os ampliador de ecrã são usados e [...]