É a Glória para os Dom Quixotes De La Póvoa (post com brinde) 

A minha opinião sobre o caso do ano — um tribunal português mandou fechar um blogue e a Google cumpriu a providência cautelar, embora com atraso — é fraca, como iremos ler. Já o João Caetano exprimiu-se de uma forma exemplar num artigo de opinião em boa hora encomendado pelo Expresso Multimedia — e eu declaro desde já que não tive nada a ver com a escolha, acertadíssima, do autor de Goodnight moon. Leiam A blogosfera e o mundo fora dela.
Escolho, negrito meu: “A blogosfera, ou pelo menos a sua parcela a que se convencionou chamar “blogosfera política”, é um espaço de intervenção e opinião que se deseja pouco regulamentada. Mas a blogosfera não existe fora da biosfera e está obviamente sujeita às regras desta.
Um dos colaboradores do blogue suspenso, comentava assim a decisão dos autarcas em interpor a providência cautelar que o tribunal julgou procedente: “(É uma) atitude prepotente, autoritária e fascizóide”. Não, não é. É uma decisão que lhes cabe de inteiro direito e à qual o tribunal – biosférico – reconheceu mérito. Instâncias superiores poderão ter opinião diferente mas isso nunca retirará legitimidade ao pedido feito
“.
Aplauso rápido e ponto final parágrafo. Os regulares compadres das teorias das censuras que regulem à sua vontade: não há ponta por onde safar o seu Grande Tony Vieira, Mestre Do Viagra no Hi5 (http://povoaonline.hi5.com/).

O João Pedro Pereira, no Tecnopolis, diz outra verdade — que eu peço emprestada e esborrato (sem culpa para ele) numa apropriada mancha caricatural para fazer o título os dom quixotes de La Póvoa. “Um blogue infringiu a lei e foi, por isso, suspenso. Mas os responsáveis pelo Póvoa Online já abriram um novo blogue, chamado Póvoa Offline, também a funcionar no Blogger.
Este novo blogue, aliás, terá muito mais visibilidade que o anterior, graças à cobertura mediática do caso
” (em Blogue português suspenso por tribunal)
Se clicarmos no segundo link vemos a cobertura mediática. Escaldados com o caso Caldeira, os diferentes media desta vez saltaram de imediato em cima do bolo mal saiu do forno.
Ainda bem. O “meu” Expresso esteve em cima e tirando a falta de links (eu sou crítico) fez tudo bem.
O quixotismo bacoco e de humor rasca do cidadão que se assina Tony Vieira, com contas nesse nick espalhadas por meia web 2.0, compete directamente com o gongorismo dos autarcas queixinhas: sem a decisão do tribunal, o blogue povoaonline levaria a sua gloriosa existência aos putativos 83 leitores diários (de resto um grupo fechado, como se pode observar nos menos de 50 links que o blogue tinha até há 2 dias atrás), mas agora, ganha a providência cautelar e fechado aquele blogue, fica a barra do presidente limpa da difamação — e centenas de milhar de pessoas que até aqui tinham conseguido sobreviver, sabe-se lá em que dramáticas circunstâncias, sem uma tão importante informação nas suas vidas podem agora avaliar em todo o esplendor o mau gosto de Tony Vieira e a sua decidida falta de jeito para a colagem, que rivaliza com a rarefacção de assunto patente nos seus “posts” com factualidades copiadas dos jornais mascarados com opinião “criativa” em cima, a grandiosidade “justiceira” das “denúncias” prontamente secundadas pela blogosfera veneranda da má língua, o fascínio pelas mamas grandes e a obsessão (recente) com os vendedores de Viagra. Tudo argumentos que — espero bem — pesaram na decisão dos corajosos juristas que tiveram de aturar tudo isto.

Mais? Cá está mais.
1. Mandam as regras do stalking que se redobre a actividade sempre que se é reconhecido, arf arf. Pelo que, caro presidente da Câmara da Póvoa, vá preparando os advogados não apenas para mais do mesmo com o povoaoffline, como para a amplificação de sinal através daquela parte da blogosfera que não pensa, reage — e vai a todas. A sua acção teve o condão de multiplicar por dezenas de milhar o número de receptores da lixarada que “o Tony”, numa hora infeliz, despejou em cima de nós, que fomos capa da Time.
2. Não tinha efectivamente notícia de providências cautelares, mas blogues e tribunais é tema velho por cá. Eis uma pesquisa que dará páginas e páginas de entretém a quem gosta disto.

3. E — tcharan — um brinde para o tribunal, os media, Tony Vieira, Macedo Vieira e Couto Pereira e acima de tudo para todos quantos lamentaram o “desaparecimento” e temem pela liberdade “ameaçada” pelo “regime” “do” Sócrates: o blogue foi apagado mas os conteúdos, isso fia mais fino. Vamos lá recomeçar tudo outra vez pelo princípio, AQUI (e há mais, o Google não tem tudo à vista).

Os bits não se apagam como manchas de tinta
Vamos todos recomeçar do princípio. Repitam comigo: os bits não se apagam como as manchas de tinta, a rede requer abordagens diferentes de uma Justiça adaptada ao meio ambiente digital, a web social não é a comunicação social. Ok? Os bits não se apagam como as manchas de tinta, a rede requer abordagens diferentes de uma Justiça adaptada ao meio ambiente digital, a web social não é a comunicação social.
Os bits não se apagam como as manchas de tinta, a rede requer abordagens diferentes de uma Justiça adaptada ao meio ambiente digital, a web social não é a comunicação social.
Os bits não se apagam como as manchas de tinta, a rede requer abordagens diferentes de uma Justiça adaptada ao meio ambiente digital, a web social não é a comunicação social.
Os bits não se apagam como as manchas de tinta, a rede requer abordagens diferentes de uma Justiça adaptada ao meio ambiente digital, a web social não é a comunicação social.

Seção: blogosfera, media, tecnologia | Tags: | Permalink.



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