É o lucro, estúpido
O problema das majors discográficas com a Internet foi sempre e só um: o lucro. Ao longo destes últimos 10 anos toda e qualquer menção à “pirataria” e aos “downloads” “ilegais” explorou a arte dos músicos e a sua reputação — com a agravante de neste caso não lhes pagar merchandising ou direitos de utilização da imagem, que é o que estavam a fazer invocando-os.
A verdade é esta: há cada vez mais música no ar e cada vez mais músicos têm audiências cada vez maiores. A única coisa que encolhe é o lucro das majors. Elas e a sua gestão são o problema. Foram sempre. Na Internet está a solução. Esteve sempre.
À medida que se vai sabendo o que a indústria discográfica teve o cuidado de omitir na sua propaganda, vai ficando claro um dos retratos dessa mistificação do século XX: os direitos de “autor”.
Acções
Guardar/partilhar:
Facebook
Twitter
delicious.com
DoMelhor
Assinar publicação:
feed RSS
e-mail diário
Debate
Ainda sem opiniões no artigo “É o lucro, estúpido”
Deixe a sua opinião
Textos mais recentes
- The last laugh – If self-published writers owned the midlist #LerComCalma (mais 2 links) em 3 de Setembro de 2010
- Top 10 – Richest Men (of All Time) (mais 1 link) em 1 de Setembro de 2010
- Regras de análise económica para a oposição (segundo João Miranda) em 31 de Agosto de 2010
- As (importantes) mudanças no USA Today, segundo maior diário americano em 30 de Agosto de 2010
- We Dont Hate You – Dear America… (mais 1 link) em 30 de Agosto de 2010

Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
Siga o feed RSS
Receba a edição diária por e-mail
O problema que atravessa a industria musical é o mesmo que atravessa o sector da informação e do jornalismo, ou seja a procura do business model adaptado a era pos-internet.
A Internet tornou o que era material e pago (CD, Vinyl, Jornal, Revista …) em imaterial e gratuito (MP3, Podcast, Site de Informação gratuito, Google News etc… ).
Logicamente os business models praticados antes da explosão da Internet deixarem de ser validos e os lucros cairem …
Hoje o verdadeiro desafio (e a única solução) para estes dois sectores é a busca de um novo business model adaptado e eficiente (conteúdo grátis pago pela publicidade?, meio grátis-meio pago? etc…)
Ludovic
http://www.mktg2.net
Ludovic, correctomundo. O que pretendi evidenciar foi o comportamento dos antigos donos da indústria musical, as majors discográficas. Depois de décadas a explorarem um negócio de altíssima rentabilidade, recusam-se a acompanhar as mudanças, pretendendo obrigar o mundo a que tudo fique na mesma.
Tiveram 15 anos para se adaptarem e ninguém estava em melhor posição que elas, tendo em conta o know-how do negócio de exploração dos artistas e do público, e a capacidade financeira. E que fizeram? Nada mais que pagar a advogados para tentar por todos os meios assegurar a continuidade dos velhos métodos.
Isto fez-me lembrar uma história que me contaram:
Um amigo, ao passear por Leiria, dá de caras com o David Fonseca, na altura do apogeu dos Silence Four. Por coincidência, tinha acabado de comprar o álbum da banda. Entusiasmado, cumprimenta o artista e diz-lhe: “Olhe, acabei de comprar o seu disco!”, ao que este responde: “Queres que te devolva os 50cents que me deste?”.
A realidade dos direitos de “autor” passa ao lado de muita gente. A verdade é que temos cada vez mais bandas a surgir – infelizmente com muita gente a cantar exclusivamente em inglês, mas isso é outra história – e a Internet tem sido o viveiro onde se podem realizar experiências a sério.
Vão ao Myspace e ficarão maravilhados
fui fazer alguma pesquisa de vão de escada.
o primeiro album a solo do David Fonseca foi disco de ouro o q nos nosso dias significa 30 mil. Imaginemos q ainda vendeu mais qq coisa e q ficou nos 50 mil. A meio-euro cada o artista embolsou 25 mil euros. Pode parecer muito mas não esqueçam que não se lança um disco todos os meses.
ou seja…ninguém precisa das editoras
montas o teu site, vendes lá os discos, se precisas de marketing contratas em outsourcing e tá feito. admirável mundo novo!
Tens razão Mr. Steed … é por isso que há cada vez mais artistas que criam as suas próprias editoras!
PS: “se precisas de marketing contratas em outsourcing e ta feito” .. ou então vais a este site => http://www.mktg2.net
O chamado direito de autor, os funestos e ridículos direitos conexos e toda a tralha conjunta, nos seus actuais formatos, são o maior entrave à liberdade criativa, à liberdade de expressão, não tem fundamento económico, e são provavelmente o maior entrave e ameaça que paira sobre todos nós.
Gabriel, dificilmente podia estar mais de acordo com alguém do que estou contigo, nesta matéria.