Macworld sem Steve Jobs pode, até, ser melhor para o negócio

Para milhares de fãs, a ausência de Steve Jobs na Macworld — o acontecimento do mundo Apple que marca o início de cada ano civil — é desilusão a mais.
Planeei vir cá para o ver e quando descobri que afinal não virá“, nem de surpresa, “fiquei desapontado” disse Alex Lee, que viajou do Dubai até São Francisco, citado pelo Guardian. O jornal ouviu o primeiro cidadão da fila nocturna para entrar no recinto: “É a minha primeira Macworld e provavelmente a última, pois se a Apple não apresenta mais os seus produtos aqui, deixa de ser 100% vantajoso fazer a viagem” disse Nik Lensander, oriundo de Santa Barbara, California.
Sem Jobs — que confirmou os rumores sobre o seu estado de saúde, encontrando-se a recuperar de uma operação a um cancro — a Apple fica sem o mago que sacava os coelhos da cartola para uma multidão delirante, incluindo jornalistas e fotógrafos, que adoram retransmitir estas sessões de hipnotismo com audiência assegurada.
Contudo, os seus anúncios fazem-se na mesma. O mais mediático deles já se antecipava nas publicações da especialidade: acabou o DRM para milhões de canções presentes na loja de música da Apple, a iTunes, ou seja, podem os clientes ouvir a música sem ser obrigatoriamente no aparelho vendido também pela Apple, o iPod.
Quem o afirmou na keynote foi Philip Schiller, vice-presidente da Apple para o Worldwide Product Marketing e que reporta directamente a deus, isto é, ao CEO da Apple. Schiller é um ilustre desconhecido do público. Aliás, a Apple só tem ilustres desconhecidos, à excepção do omnipotente Steve Jobs, o que poderá dificultar um pouco as coisas no futuro da marca.
O resto que Schiller anunciou foi mais do mesmo, nada de realmente inovador no mercado. Uma bateria melhor e upgrades importantes de software (tenciono comprar o Pages ou o iWork, uma decisão difícil para um pequeno orçamento). Ponto final parágrafo.
Nada de Macbook Air, MacBook Pro ou iPhone — para falar apenas dos lançamentos de Steve Jobs nas keynotes de Janeiro nestes anos mais recentes (ver lista abaixo).
Os analistas acham que foi de propósito. Isto é, que Steve Jobs não apareceu porque não tinha nada de extraordinário para apresentar. Ou vice-versa: a Apple não tem nada de realmente extraordinário para apresentar porque Steve Jobs não o poderia fazer ontem devido à sua condição física.
Seja por uma ou outra razão (ou as duas: quem, fora do board restrito da Apple, as consegue separar?), a empresa decidiu anunciar o seu descompromisso com futuras edições da Macworld, que sempre foi organizada por uma empresa independente, a IDG. E isto sim, é notícia (pelo menos, para mim). Vai marcar indelevelmente o futuro da evolução do mercado Mac. Um futuro com menos ego (Jobs), menos culto de marca (Apple) e com espaço para mais negócio envolvente. Isto é, na legião de empresas que produzem hardware e software para a plataforma Mac.
Estas empresas gostam de Apple e fazem fila para estabelecerem acordos que permitam o selo “oficial”, mas gostariam de ter o palco um pouco mais livre também.
(A propósito de hardware para Mac, o meu rato Razer é, provavelmente, a peça mais fiável e resistente que já me passou pelas mãos).

A lista das apresentações da Apple na Macworld esta década permite observar a menor importância do evento de 2009 (intercaladas as apresentações do iPod, o produto Apple que marcou a década, que decorreram fora da Macworld):

Paulo Querido, jornalista

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mini fotografia paulo querido Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (Mais)

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