Como protesto pelo tratamento que classifico de desajustado e imerecido dado pela sociedade mediática portuguesa ao Magalhães, e depois da minha própria invectiva, reproduzo dois artigos de autores que, como eu, preferem não olhar apalermadamente para o portátil Magalhães. O primeiro é de Marco Santos, no Bitaites:
Quando as putas dão lições de moral
Parece que a SIC está preocupada com a possibilidade de os pequenos utilizadores do computador Magalhães poderem escrever «vagina» no Google e se depararem com «coisas pouco recomendáveis a crianças de seis anos». A reportagem no Telejornal chegou a questionar Sócrates e a ministra da Educação pelo facto de o software de controlo parental do Magalhães não se encontrar activo. Dado que o software de controlo é parental e não estatal, o Governo terá decidido que devem ser os pais a tomar uma decisão sobre o acesso dos filhos à Web. Aos pais cabe a responsabilidade de serem pais? Parece uma opção sensata.
Quanto a mim, é muito mais preocupante deixar os meus filhos com o comando da televisão na mão porque podem encalhar precisamente na SIC. Neste canal é também bastante fácil apanharem-se «coisas pouco recomendáveis a crianças de seis anos».
Estou a lembrar-me, por exemplo, do concurso O Momento da Verdade, através do qual a SIC procura roubar audiências à TVI: por dinheiro, pessoas aceitam ser interrogadas sobre a sua vida íntima, sujeitando-se à avaliação de um detector de mentiras.
A nudez que tanto preocupa a SIC – a nudez do Google dentro do Magalhães – é uma nudez de grau zero, uma nudez vestida com carne de mulher, uma nudez que qualquer grunho entende à primeira. O que a SIC realmente desejou com essa reportagem foi estragar a excessiva festa que Sócrates andou a fazer na RTP por causa de uma iniciativa meritória do seu Governo, nada mais. A SIC está-se cagando para as criancinhas.
A nudez que a SIC expõe no concurso é mais deprimente do que uma vagina acidental e não é recomendável a ninguém, seja qual for a idade. É a nudez da miséria humana e de quem dela se aproveita, é a nudez da corrupção humana e de quem transforma um acto de corrupção num espectáculo de massas apresentado por Teresa Guilherme, a mesma que já apresentara o Big Brother.
O Momento da Verdade é um circo romano onde todos os dias a dignidade humana é lançada às feras para gáudio de massas há muito anestesiadas e sem pensamento crítico. Criancinhas e vaginas? Hipócritas de merda.

Mas certamente que sim! é uma publicação de Paulo Querido, jornalista e consultor de comunicação. Também autor de livros, artigos e algum código. Na net desde 1989. (
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