Magalhães: nem todos olhamos apalermadamente (II)
Como protesto pelo tratamento que classifico de desajustado e imerecido dado pela sociedade mediática portuguesa ao Magalhães, e depois da minha própria invectiva, reproduzo dois artigos de autores que, como eu, preferem não olhar apalermadamente para o portátil Magalhães. O segundo é de Pedro Couto e Santos, no Macacos (e nem pestanejo por aqui republicar expressões como “as putas dos jornalistas”; não é exactamente a primeira vez que a oiço, embora seja mais frequente ouvi-la no meio jornalístico que fora)
Depois de ler mais um post do Marco sobre as preocupações da SIC sobre o controlo parental instalado no computador Magalhães, de facto a minha tampa saltou de vez.
Quero daqui mandar oficialmente à merda todos os media portugueses que se têm entretido a deitar abaixo este projecto. O Magalhães é Portugal no seu melhor. A tomar a dianteira, a arriscar, a investir.
É um investimento nos miúdos e também na tecnologia e na indústria que a suporta. É um investimento em empresas nacionais e uma aposta na capacidade de internacionalização.
Quando a merda da Selecção joga, as putas dos jornalistas (sim, “as dos”, mesmo assim), erguem todos a bandeira e põem a mão no peito: os salários ridículos que aqueles grunhos dos jogadores e treinadores ganham justificam-se porque levam a bandeira a todo o lado.
Mas quando Portugal produz um computador simples, compacto, completo, mas barato, para estudantes, com um enorme potencial de exportação, ninguém pensa sequer na bandeira. Só pensam em mandar abaixo, criticar, procurar todas as pequenas falhas e explora-las para obter primeiras páginas e aberturas de telejornais.
Estou farto deste lixo!
Como comentei no post do Marco, se o controlo parental do Magalhães viesse activo, o Governo seria acusado de fascismo por distribuir um computador com censura pré-instalada pelo Estado; como vem desligado, o Governo é acusado de leviandade e de pôr em risco a sensibilidade das crianças.
Agora que o Magalhães está aí, já não apenas para o chamado 1º ciclo, mas também para o 2º, espero que seja um estrondoso sucesso.
De certo, muitos miúdos farão porcaria com o seu computador; sempre foi assim: quando andei na escola, muitos miúdos usavam mais os livros para jogar à bola do que para estudar. Mas muitos outros terão a oportunidade de entrar para escola com um computador nas mãos e só quem vive dentro do seu próprio cú, é que ainda não percebeu que esta é a era em que vivemos, a era do computador, do software, das redes.
Há alturas em que criticar o Governo faz sentido. Devemos fazê-lo, devemos ser críticos de quem nos governa. Mas custa muito aos portugueses, aparentemente, ou pelo menos aos media, admitir quando o Governo faz algo bem feito e merecedor de aplauso.
Estúpidos, tacanhos, bestas inqualificáveis.
Aplaudo o Magalhães. A ideia, as pessoas que a tiveram e que a concretizaram. As pessoas que investiram e que fizeram andar o projecto que, acredito, deve ter sido complexo. Aplaudo, evidentemente, a JP Sá Couto, criadores do computador. O design, o nome e até o logotipo. E aplaudo José Sócrates e o seu Governo que souberam fazer a sua parte em tornar este projecto uma realidade.
PS: Já há muito que não o fazia, mas este post, creio, encaixa perfeitamente na minha categoria “só para dizer bem de Portugal”.
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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É exactamente isso que penso.
Fico parvo quando pessoas que se “limitam” a utilizar o computador para net (web e mail) e usar um wordzeco e preencher meia dúzia de linhas num excel, decidem chamar a isto de “máquina de calcular” e outras pérolas afins. Mas não, é preciso um Intel Quad Core, com 4 gb de ram para fazer isso. Se calhar é isso que lhes dizem, nas lojas onde compram os seus pcs, e nos hipermercados de portáteis que por aí proliferam hoje em dia.
Seria até interessante pegar em meia dúzia destes indivíduos e pregar-lhes uma como a Microsoft fez recentemente, apresentando o Vista com outro nome. Se, apesar de acreditar que teve a sua dose de verdade, isso teve muito de stunt publicitário, no caso do Magalhães seria esmagador.
Pergunto-me até se o Magalhães não seria mais do que suficiente para muitas das repartições públicas que existem por todo o país…
Só deixo duas críticas. Porquê o XP? Ao preço a que o conseguem colocar na rua, imagino que a Microsoft tenha deixado um cheque jeitoso…
Creio que só falta mesmo uma coisa. eBooks. Só será possível quando estiver bem disseminado, talvez daqui a 2 anos, mas é “obrigatório” seguir essa via… poupará dinheiro a todos. As livrarias é que se queixarão… mas até para as editoras é bom, já que cortam radicalmente nos custos e no preço final (certamente o Estado se asseguraria de tal).
JLS, o Magalhães tem dual boot. XP e Caixa Mágica.
Tem rigorosa razão: uma máquina equivalente (admito que com um ar mais adequado a 1 repartição) chegava e sobrava para equipar a esmagadora maioria dos terminais da administação pública, uma mina tão fabulosa que ninguém sabe ao certo quanto custa em licenciamento (mas disso ninguém quer saber, pelos vistos).
E não só. Este (e os outros do género) são adequados a viagens, por exemplo. Eu, mal possa, adquiro um para isso. O peso e as dimensões! Andar com o meu MacBook atrás é penoso.
O problema não é a decisão do acto!
O problema é o aproveitamento … de(o) facto!
O que tem este Magalhães de português?
Quanto ao Linux, ainda não percebi porque o plano tecnológico não passa por aí. Porque quando se encomendam novas ferramentas para o Estado não se exige que as mesmas sejam concebidas para Linux, ou que sejam acessiveis via browser?
Quanto pouparia poe estas “pequenas inovações” o Estado. Esta pequena diferença poupava quanto aos contribuintes?
João… não se pode começar por lado nenhum, é?
Tem que ser tudo feito de rojo, de uma só assentada, assim, estalar os dedos e já está?
É preciso dar passos e o Magalhães é um deles. Traz Windows, porque a realidade do dia a dia é essa: vais trabalhar para uma empresa e dão-te um computador com XP ou Vista, mas também traz Linux. A escolha é dos miúdos. Convida-os a explorar.
Causa Vossa: já escrevi isto em tantas caixas de comentários que já me doem os dedos: o Governo é SUPOSTO fazer propaganda, é mesmo assim que funciona um Estado democrático gerido por partidos políticos. Querem o quê? Que lancem o computador sem qualquer campanha de auto-promoção? Querem que o Governo faça coisas sem nunca aparecer a dizer: “epá, fizemos isto!”
Tenham dó.
João:
“O que tem este Magalhães de português?”
Tudo o que nele é valor acrecentado. É a única resposta possível numa economia globalizada.
«JLS, o Magalhães tem dual boot. XP e Caixa Mágica»
Por acaso não me tinha apercebido, na RTP até levaram uns putos ao estúdio para mostrar aquilo…e acabaram por só falar no XP. Nesta fase o dual boot até será a melhor solução. Não se pode fazer as coisas demasiado à bruta.
Alguns factos para quem gosta de criticar destrutivamente as criticas construtivas de quem se preocupa com mais do que com o seu próprio quintal.
O Magalhães é distribuído a crianças que são hoje em dia cada vez mais bombardeadas com conteúdos menos próprios quer na rua quer em casa e na escola. Hoje estas crianças são mais influenciadas pelo que vêm e fazem quando estão fora da supervisão dos encarregados de educação do que quando o estão. É de extrema importância reduzir a superfície de influência deste tipo de conteúdos. O Magalhães, por defeito, aumenta-a.
O Magalhães é uma iniciativa do governo, que é de louvar e uma das melhores medidas dos últimos anos. Acho que aqui ninguém discorda. Um excelente investimento, em parceria com empresas nacionais e internacionais, e de certa forma inovador. Digo de certa forma porque já existem outros projectos mais abrangentes com o mesmo tipo de filosofia por esse mundo fora.
No entanto este mesmo governo esqueceu-se de que com grande poder e grandes medidas vêm grandes responsabilidades e neste caso falhou nesse aspecto. A responsabilidade dos líderes deste governo estava no dever de acautelar os interesses das crianças, não só no objectivo prático da iniciativa, que esse é cumprido obviamente, mas também na protecção e na defesa dos direitos da criança.
Como pais teremos essa responsabilidade obviamente. Mas quantos pais é que poderão efectivamente supervisionar o uso que as crianças dão aos seus computadores? Esquecemo-nos que nem toda a gente sabe sequer como usar as funções mais básicas de um PC… quanto mais configurar o controlo parental? Que nem sequer sabem como trabalhar com um rato? São essas pessoas que vão conseguir efectivamente proteger as suas crianças de aceder a ainda mais porcaria? Ou até a expor-se a outros perigos que vêm com a exposição online?
Esta falha, grave no meu entender, poderia ser facilmente resolvida se estes computadores viessem com o sistema de protecção activo por defeito. Era simples. E ainda vão a tempo de o fazer para os que ainda falta instalar. É aqui que incidem as críticas. E devem ser respeitadas. Da mesma forma que quem faz esta critica concorda obviamente que esta é uma iniciativa fantástica. Sem hipocrisias.
Vai-se deixar de distribuir os computadores? Claro que não. Mas se calhar deviam levar em conta as criticas que têm vindo a publico e pegar nas ideias que também as acompanham.
O governo não tem de fazer tudo e também não temos de deixar de nos responsabilizarmos a nós próprios em actuar e acompanhar os nossos filhos em todas as vertentes, incluindo nesta das tecnologias de informação. Mas não podemos é aceitar qq coisa a qq preço sem olhar às consequências só porque a ideia original é boa.
Se fazem uma estrada importantíssima para o futuro do país e a entregam a tempo e horas com toda a pompa e circunstância e sem custos para os utentes, é de louvar. Mas se a estrada está cheia de buracos e dá-me cabo da suspensão do carro eu não posso deixar de responsabilizar o governo por esse facto. Só quem anda com palas nos olhos e não tem dois dedos de testa é que pode não compreender as razões de quem critica o facto de os portáteis dos miúdos não virem de raiz com o sistema de controlo parental activo desde logo.
Mas ninguém é perfeito não é?
Este post para mim peca por tomar uma posição claramente tendenciosa de aceitação a qq custo. Eu não sou assim e acredito que a maioria das pessoas minimamente informadas também não o será. Respeito a opinião obviamente, até porque tem algum mérito no que toca ao que de positivo este projecto tem.
[...] ainda o artigo da Maria João, os três do Paulo Querido, aqui, aqui, e aqui. Ainda sobre a Sic e o Magalhães o artigo do [...]
“O Magalhães é distribuído a crianças que são hoje em dia cada vez mais bombardeadas com conteúdos menos próprios quer na rua quer em casa e na escola.”
Tenho 48 anos. Que me lembre assim de repente, ao lono de quatro décadas vi esse argumento aplicado à banda desenhada, aos livros para adolescentes, ao prolongamento o horário da televisão para a tarde, aos jogos de televisor (tipo pong, para quem se lembra), às séries de televisão, à primeira geração de consolas de videojogos, ao walkman da Sony, aos primeiros computadores, à segunda geração de consolas, ao acesso de banda larga, aos telemóveis, aos leitores de mp3, aos jogos MMORPG.
Isto, bem entendido, assim só num rápido mergulho À minha memória. Estou certo que poderemos, sem grande esforço, prolongar esta lista.
É curioso — não apenas eu sobrevivi, sem grandes traumas sexuais, ao intenso bombardeamento de conteúdos menos próprios na escola (aprendi o primeiro jargão nas paredes e nas carteiras da escola primária, e Salazar ainda nem caíra da cadeira), como aparentemente algumas centenas de milhões de adolescentes cada vez mais bombardeados com contesúdos menos próprios quer na rua que em casa e na escola, ao longo do meu período de vida (fiquemos por aquilo que podemos abarcar), conseguiram o mesmo.
Uns heróis, naturalmente. Uns heróis que conseguiram superar os traumas e aprender, entrar no mercado de trabalho e — ui! — casar e ter mais meninos. O mundo continuou, o que é efectivamente um milagre, tendo em conta o bombardeamento com conteúdos menos próprios quer na rua quewr em casa e na escola a que foi sujeito nestes 40 anos.
“No entanto este mesmo governo esqueceu-se de que com grande poder e grandes medidas vêm grandes responsabilidades e neste caso falhou nesse aspecto. A responsabilidade dos líderes deste governo estava no dever de acautelar os interesses das crianças, não só no objectivo prático da iniciativa, que esse é cumprido obviamente, mas também na protecção e na defesa dos direitos da criança.”
O dever de acautelar os interesses das crianças e seus os direitos foi cumprido do primeiro ao último ponto. Têm o computador acessível, o computador é adequado, e tem o software que os pais entendem necessários para o controlo que tem o nome deles. Daqui em diante, é com os pais. Pretender que o Estado se substitua aos pais no controlo parental ainda é pretender demais. Lá chegaremos, mas pelas minhas contas faltam 2 ou 3 gerações para as crianças serem entregues ao Estado logo à saída da maternidade.
“Este post para mim peca por tomar uma posição claramente tendenciosa de aceitação a qq custo. Eu não sou assim e acredito que a maioria das pessoas minimamente informadas também não o será. Respeito a opinião obviamente, até porque tem algum mérito no que toca ao que de positivo este projecto tem.”
Está enganado. A minha posição não é “claramenter tendenciosa de aceitação a qq custo”. É acima disso. A minha posição é “deixem-se de atirar para cima dos outros a responsabilidade dos vossos falhanços”.
Eu acredito que a maioria das pessoas minimamente informadas, como diz, em circunstâncias normais quererá que a ajudem a calcular o risco do confronto com materiais ditos impróprios para a idade. Não vi os jornalistas fazerem-no, não vejo as pessoas a fazerem-no. Vejo tomar-se a árvore pela floresta. Vejo a paranóia e o medo sobreporem-se ao racional e ao desejo afectuoso de ver as crianças progredirem na direcção do seu próprio futuro.
Sabe, as crianças portuguesas não são exactamente as únicas a crescerem no mundo de hoje… Admitindo, a benefício do diálogo, que há esse risco dos “conteúdos menos próprios”, classifico-o de rísível e desprezível tendo em conta os benefícios.
Mas isto sou eu a falar. E eu, aos seus olhos, não passarei de um tecno-entusiasta acrítico, que obrigou a filha menor a aprender a escrever num teclado, a usar a Internet aos 5 anos e a ver pelo menos 10 sites pornográficos e outros tantos xenófobos por dia, ou então não comia a sopinha toda nem poderia ir cultivar-se com os extraordinários exemplos pedagógicos que as televisões transmitem a pensar na inteligência e cultura dos nossos ricos filhinhos.
Não. Ninguém é perfeito.
PS: se viesse com o “controlo parental” ligado, o protesto era porque vinha com o controlo parental ligado, mas quem é que o Estado se julga, para se substituir aos pais na decisão de ligar o controlo parental. Poupe-me. O erro de quem desenhou o Magalhães foi querer agradar tanto a tantos. Menos algumas features para a televisão, como o controlo parental, e estávamos a discutir o que importa — o cadáver político que “lidera” a oposição — em vez desta palermice.
Os erros de uns não desculpam as falhas dos outros, caro Paulo. Eu compreendo a sua ideia mas é perigoso desresponsabilizarmos o estado bradando aos céus que nós temos de a agarrar. O Estado deve ser responsável da mesma forma que nós. Ninguém disse que não o devíamos ser e que o estado o devia por nós.
Um não substitui o outro. Cada macaco no seu galho como se costuma dizer.
Se há quem tem visibilidade ou porque tem um programa na TV, ou é jornalista, ou tem um Blog, esse alguém deve ter sentido crítico e não insultar de qq forma quem critica uma medida que tem superfície para ser criticada.
Quem critica a forma como a medida esta a ser implementada, não critica a medida em si. Elogia a medida em grande parte. Mas critica as falhas. Alerta para os potenciais problemas.
Falando de números. Imaginemos que 80% dos pais de uma escola que recebe os computadores, são entendidos no assunto e até activam o controlo parental como forma de limitar o acesso, mesmo que acidental, a determinado tipo de conteúdos. Estes 80% estão muito inflacionados propositadamente. Basta que 1 das crianças dos 20% que sobra, comece, por curiosidade, a aceder a determinado tipo de conteúdos ou a frequentar determinado tipo de serviços, para que muitos o sigam. Muitos deles não o fariam de outra forma, ou pelo menos não com a facilidade que agora se lhes disponibiliza.
Eu também cresci com muito “material didáctico” e situações de risco e sobrevivi. Mas comparar o nosso tempo (já não ando no ensino à mais de 15 anos) com o de agora é pura fantasia. “Antigamente” passavam-se muitas das coisas que se passam agora também. Sem dúvida. Mas em muito menos quantidade e em grupos muito mais restritos. E sim, eu sempre andei na escola pública.
Eu trabalho em informática à mais de 20 anos e sei bem o que tenho de fazer para resolver a questão. E quantos não sabem? O maior problema não é os irresponsáveis. Também, mas mais preocupante serão os que não sabem e não podem por isso sequer compreender do que aqui falamos. Esses, que serão responsáveis como qq um de nós que se diz ser, estariam a espera que o governo também o fosse por princípio, nesta iniciativa.
Refaço a minha questão:
O que tem de diferente o Magalhães de propostas similares disponíveis em Espanha, no Brasil e por aí fora?
Não lhe retiro qualquer valor…
Acho a iniciativa muito positiva.
Quanto à minha sugestão do linux, logicamente que me referia a todos os organismos estatais onde se instalam novas ferramentas, em que se faz formação para a utilização dessas novas ferramentas e não se tem a preocupação de utilizar um sistema operativo que poderia poupar muitos tostões ao Estado.
“Se há quem tem visibilidade ou porque tem um programa na TV, ou é jornalista, ou tem um Blog, esse alguém deve ter sentido crítico e não insultar de qq forma quem critica uma medida que tem superfície para ser criticada.”
No primeiro parágrafo, segundo período do meu artigo sobre isto, escrevo: “Sem tirar o mérito e a oportunidade a algumas críticas ao processo”
Mais à frente: “Algum, tímido, debate sobre a escolha do modelo (o da Intel não é propriamente o único neste nicho de mercado potencial) faz sentido. Mas esse é a gota de água num oceano de má língua que tem por único fito afogar o governo.”
Não me passou pela cabeça que estas palavras poderiam ser lidas como insultos a quem critica. Apresente as minhas sentidas desculpas aos ofendidos.
“Quem critica a forma como a medida esta a ser implementada, não critica a medida em si. Elogia a medida em grande parte. Mas critica as falhas. Alerta para os potenciais problemas.”
Exemplos. Aponte-me exemplos. Eu não li nada disso. Dê-me links. E siga os que vou publicando.
“O que tem de diferente o Magalhães de propostas similares disponíveis em Espanha, no Brasil e por aí fora?”
Muita coisa.
A sua é um pergunta que me faz feliz. Não fora o Magalhães e mais uma vez Portugal ficava a ver passar navios. Embora nem seja o caso, já era bem bom ter uma proposta igual às disponíveis por aí.
Paulo
Desculpe a minha ignorância mas sou um professor na idade dos porquês????
Mas o que é assim tão diferente no magalhães???
E repare como professor de Matemática e de Informática sou absolutamente favorável aos computadores…
Acho que o controlo parental não se pode fazer apenas com máquinas pelo que não subscrevo as questões/críticas relacionadas com esta pseudo-nova-questão. A Internet tem riscos como qualquer outro universo onde existam humanos…
E volto à questão linux. Penso que é tempo de as escolas(e outros organismos/entidades estatais/privados) darem passos livres… Mas no que é Estado é o nosso dinheiro que está a ser gasto… e é muito complicado perceber a pequena fatia linux…
Citando Cocoloco: “Esta falha, grave no meu entender, poderia ser facilmente resolvida se estes computadores viessem com o sistema de protecção activo por defeito.”
Meu caro… e aí, aposto contigo tudo o que tenho na conta bancária, as notícias seriam: “Estado fascista impõe censura electrónica!”
Vai uma aposta? Fico rico…
Não resisto a repetir o que já disse (e outros disseram), por essa blogosfera fora hoje: controlo parental é controlo parental.
Eu traduzo: é um pai sentado ao lado de um filho. Não é software. Isto é uma falsa questão que tresanda a Moita Flores… cuidado com a internet: é só pedófilos e terroristas.
João, eu também estou na idade dos porquês… espero que perpetuamente.
Não entendo é a sua fixação na questão da diferença. Mas eu digo-lhe onde está a grande diferença do Magalhaes.
Antes do Magalhães não existia NADA, depois do Magalhães temos uma ferramenta informática bastante boa a equipar salas de aula e lares em todo o país a baixíssimo preço.
Eis o que é diferente no Magalhães. É a diferença entre o nada e o alguma coisa.
Controlo parental, checked.
Linux: o Magalhães tem dual boot. Pessoalmente, acho um compromisso aceitável. Penso que é preciso estimular o uso do software usável, que é o aberto, que se pode criar com um processador de texto — pode-se programar um webserver usando PDFs para aprender a linguagem e o notepad para escrever o código, mas programar um webserver numa linguagem proprietária é mais complexo e caro. Em situações de entrada, como é o ensino básico, é preferível acesso universal, e deixar a eventual especialização para mais tarde, para escolhas.
Mas não devemos viver iludidos. Ter um PC sem o paradigma dominante no desktop seria abrir a porta ao insucesso (que podia até nem entrar, mas para quê abrir-lhe a porta à partida?)
Pedro, é como eu digo: este país foi moitaflorado.
Paulo
Concordo quase totalmente consigo.
Não era necessário, a meu ver, vender o produto como sendo “criação portuguesa”…(que não é…).
Incorpora algumas (poucas??) ideias, nada mais… (corrija-me se estiver errado).
Sendo que isso (o facto de se basear numa plataforma intel) não retira(à ideia/projecto) qualquer valor intrínseco.
Concordo com a ideia do computador,
concordo que ele permitirá fazer chegar a informática onde ela ainda não chegava, diminuindo assim os info-excluidos.
Mas não é preciso fazer passar uma mensagem que a meu ver não é absolutamente verdadeira…
Quanto ao dual boot (solução aceitável) espero que seja isso mesmo dual… e não se converta no costume…
Vamos lá então à “criação portuguesa”.
Qualquer português viajado já entrou numa sapataria em Itália — sobretudo as da alta, mas também as económicas — e, maravilhado com sapatos elegantes, de design, de marca, de bom couro, mira e remira até que encontra a etiqueta que remete o fabrico para Portugal.
Há 30 anos era só o fabrico. Hoje, não. Hoje, algumas marcas de qualidade e distinção são portuguesas, embora dirigidas a mercados internacionais.
Porque eram bons artesãos, começaram a fabricar os sapatos dos conceptualistas italianos. Porque eram espertos, aprenderam como se desenhava o sapato com valor. E passaram a competir com o anterior comprador.
Este exemplo aplica-se a outros países, outros produtos.
Vivemos numa economia global. Os rótulos fazem parte da cadeia. O Magalhães é a marca portuguesa, apensa por portugueses, num produto que foi imaginado por know-how americano, produzidos os componentes em fábricas de vários países asiáticos e não só, agrupadas as peças em blocos maiores, sem marca, algures (talvez na América Central), encaixotadas aguardando destino num porto do Norte europeu, para serem finalmente montadas na China (aqui inventei, não sei onde é o Magalhães montado, mas pode ser na China para o efeito) num produto completo que tem uma embalagem concebida por uma equipa multinacional de designers liderada por um CEO português de uma empresa com nome português.
Quanto ao dual boot — se 2% dos miúdos usarem o Linux e 1% agarrar a oportunidade para aprender a programar, valeu bem a pena e o país ganhará imenso com isso. Sejamos realistas, nem mais, nem ontem.
Não poderia estar mais de acordo…
No entanto não foi isso que nos foi “vendido” nos telejornais.
Concordo que o mais importante é o projecto e não a “mentirinha”…
Excelente comentário. É assim mesmo !
Parabéns.
João, faz parte desta cadeia que cada acrescentador de valor comunica o produto como seu. Não vejo onde está o problema. Isto significa que vejo muito bem: está na má vontade de quem aplaude quando são os seus e assobia quando são os outros, sem se importar com o curso do jogo ou a qualidade dele.
O governo fez o que se espera de um governo, qualquer goveerno: comunicou uma acção positiva da melhor maneira que pode. Nos tempos que correm, fazer algo bem é um luxo raro — é um dever comunicá-lo.
Mas…..
ninguém pensa nas aulas? nos miúdos na ESCOLA? e nas professoras? e no sistema de aprendizagem?
Andam a “dar” o portátél? e os que o não puderem comprar?
os problemas irão ser tantos que nem continuo….
Vejamos: 1 – isto é um grande negócio para alguns
2 – o “magalhães” deveria ter sido entregue nas escolas para ser utilizado como ferramenta de trabalho lá! ( assim, não vai ser…)
e, sim, quero receber as opiniões posteriores….
)
Este jornalismo todo feito de elogios ao poder é que me lixa. Mais independência e espírito crítico, por favor!
A propósito, o governo já o contratou?
[...] Magalhães: nem todos olhamos apalermadamente (II) [...]
António Duarte, não, o governo não me contratou nem vai contratar. E a si, José Pacheco Pereira já o contratou?
Como professor, ainda tenho contrato com o Ministério da Educação. Não com a Ministra nem com o partido que a sustenta.
Por isso, procuro pensar pela minha cabeça e defender acima de tudo os interesses dos alunos para quem trabalho. Funcionário público, sim, funcionário do Governo nunca!
Que excelente post!
Posso dizer que está ao nível da oferta de electrodomésticos a criancinhas por parte de membros o governo…!
Antes de oferecer computadores portáteis aos alunos, talvez fosse interessante ensinar os mesmos a ler, escrever e contar! Não sei, parece-me razoável…
É por estas e por outras que cada vez mais gente muda de canal assim que aparece um membro do governo estalinista (oooops queria dizer socialista) na televisão…
Em potência, papel e tinta ou um computador poderão produzir elevados resultados. De facto, sem eles, esses resultados não existem. Mas não é por estes instrumentos serem dados às crianças do 1º ciclo que nascerão obras similares. No entanto, é esta a mensagem que a comunicação governativa quer fazer passar e é, precisamente aí, onde reside a falácia.
Note, não pretendo passar a mensagem de que é negativo que os miúdos passem a dispor dum portátil. Tal como não é negativo que tenham acesso a uma enciclopédia e ao conhecimento em geral.
Mas há aspectos nesta história que estão mal. Em primeiro lugar há um enorme investimento público sem que tenha havido concurso público. Como é que o estado sabe que está a gastar o menos possível?
Segundo há essa história do primeiro computador português. Diz o Paulo que tem de português “tudo o que nele é valor acrescentado”. Desculpe mas não é esta a mensagem que a comunicação governamental tem feito chegar às pessoas. Dado o seu background tecnológico, creio que não será necessário enumerar o que no Magalhães não é feito cá. Mas face ao meu pouco conhecimento sobre o projecto ocorre-me perguntar o que é que neste PC é português. Tem, sem dúvida, a marca portuguesa e concordo consigo que tem as suas vantagens num mundo de marcas. Mas isto está a anos luz da mensagem “primeiro computador 100% português”. Colocar as coisas nestes termos é propaganda, o que move a discussão do plano da racionalidade para o plano do marketing político. Pessoalmente, não aprecio esta forma de estar na política. Mas isto sou eu.
Jorge, não sou homem de julgar uma acção governativa pelos soundbytes associados. “O primeiro computador 100% português” é um soundbyte. Um título. Uma frase emblema.
Deve corresponder à realidade? Claro.
Não corresponde? A resposta não é assim tão fácil de dar. Há argumentos, como: esta é a primeira peça de informática de consumo produzida a partir de uma iniciativa que envolve profundamente o Estado. Até aqui, os computadores pensados e comercializados por empresas portuguesas — com marcas nacionais e internacionais — partiram da iniciativa privada e não tinham planos nem pretensões de projecto nacional.
O Magalhães tem. Uma intenção em várias frentes. Julgo ser um motivo de orgulho para as pessoas (que são muitas, e não apenas ao mais alto nível governamental) que estiveram e estão envolvidas no projecto. É um projecto de sucesso. A vários títulos. O que não o isenta de críticas, bem entendido.
Mas as críticas que tenho lido são sobretudo dirigidas ao Primeiro Ministro. Não ao Magalhães. Diga-me lá: porquê?
Joaquim, antes de ensinar os alunos a ler, escrever e contar, talvez fosse interessante alimentá-los, tirá-los da pobreza! Não sei, parece-me razoável.
Se é para a demagogia, bute lá. Não tenho medo.
Caro Paulo Querido.
Os seus argumentos neste seu último comentário são… como dizer, enfim…!
Eu não utilizei demagogia, porque não é essa a minha forma de estar na vida.
Parece que tenho que me explicar melhor, que tal o senhor jornalista entrar em trinta ou quarenta escolas do 1º ciclo para verificar com os seus próprios olhos que as mesmas nem sequer têm tomadas para tanto computador, não têm aquecimento, não têm iluminação adequada, etc.! O quero dizer com isto? Simples, devemos começar a construir a casa pelos alicerces e nunca pelo telhado.
Se o meu caro jornalista considera que os alunos que começaram agora as aulas da 1ª classe já sabem ler, escrever e contar para poderem utilizar um computador, o que posso dizer? Olhe, pronto, está bem!
Penso que o Joaquim não me entendeu, pelo que repito o meu último comentário:
“antes de ensinar os alunos a ler, escrever e contar, talvez fosse interessante alimentá-los, tirá-los da pobreza! Não sei, parece-me razoável.”
Aliás, eu francamente nem compreendo como é temos ensino secundário e sobretudo universitário… Pois se temos escolas do 1º ciclo sem aquecimento nem iluminação adequada! Devíamos construir a casa pelos alicerces! SÓ DEPOIS DE TERMOS ESCOLAS DO 1º CICLO COM TOMADAS, AQUECIMENTO E ILUMINAÇÃO ADEQUADA É QUE VAMOS CONSTRUIR ESCOLAS SECUNDÁRIAS E UNIVERSIDADES!!!
Por causa de 20 ou 30 (são mais, mas não interessa) escolas com alunos que mal aproveitarão os portáteis, o Joaquim quer condenar as outras milhares de escolas a continuarem no atraso? Se isto não é demagogia, o que é demagogia?
Joaquim: não é preciso saber ler, escrever e contar para usar um computador. A ideia, caso não tenha compreendido, é os computadores AJUDAREM na tarefa de ensinar os alunos. Eu conheço algumas crianças que lidaram com computadores a partir dos 2, 3 anos. Lidaram com eles (brincaram) anos antes de saberem ler e escrever e contar.
Paulo, posso imaginar mas são os autores dessas críticas quem saberá as suas motivações. No que me toca, tenho ironizado sobre o assunto porque não acho que seja assim tão crítico os miúdos da 1ª classe terem um PC para si mesmos.
Caro Paulo Querido.
Depois desta sua tirada: “SÓ DEPOIS DE TERMOS ESCOLAS DO 1º CICLO COM TOMADAS, AQUECIMENTO E ILUMINAÇÃO ADEQUADA É QUE VAMOS CONSTRUIR ESCOLAS SECUNDÁRIAS E UNIVERSIDADES!!!”
Concluo definitivamente que para além de não ser isento utiliza a demagogia populista mais básica que já vi…! Isto para não falar no facto de me ter berrado, o que manifesta uma completa e absoluta falta de educação com pessoas com opiniões diferentes da sua, enfim!
De jornalismo não saberei tudo aquilo que gostaria, mas de informática meu caro! Poder utilizar um computador sem saber ler, escrever e contar é tão espantoso que nem sei como lhe responder. Se assim fosse a minha empresa venderia mais software e respectivas máquinas em Portugal (mais de 20% da população é analfabeta) do que no Luxemburgo – o que não se verifica como é evidente.
Gostaria de ver alguém tocar piano pela simples razão do Estado Pai decidir entregar pianos a todas as criancinhas de Portugal!
Assim me despeço deste seu espaço onde a diferença não é respeitada como, aliás, em quase todos os espaços da dita “esquerda moderna” a que alguns chamam com propriedade de “esquerda caviar”.
Não se preocupe, pois, com opiniões diversas às suas “verdades”.
Joaquim, limitei-me a dar-lhe um pouco do que você deu aqui, isto falando de demagogia.
“Gostaria de ver alguém tocar piano pela simples razão do Estado Pai decidir entregar pianos a todas as criancinhas de Portugal!”
Se acha que estamos a falar de pianos, de arte, de cultura, quando estamos a falar de computadores… Está tudo dito. Eu não partilho dessa forma de “analisar” o “problema”.
A sua despedida revela os seus sentimentos — e também o seu erro de apreciação.
vou só provocar mais um bocadinho o joaquim – a minha filha de 5 anos só sabe escrever os nomes dela e da irmã. reconhece algumas outras letras avulsas.
mas sabe, sim, navegar em alguns sites da internet. aqueles que lhe mostrei e ensinei (sem perder muito tempo). sabe desenhar no Paint, sozinha. reconhece perfeitamente muitos símbolos (back, setas, home, etc) ou logótipos.
portanto, sim, é possível aprender a trabalhar/brincar/navegar no computador sem saber ler, nem escrever.