O IAB, os números da publicidade online e um alerta
Para termos mais publicidade online são necessários mecanismos que dêem a quem mete o dinheiro algumas garantias sobre o seu investimento. Uma das razões, no meu entender, para a anemia do mercado publicitário português na Internet tem a ver com as suspeitas e desconfianças em relação aos números que “o mercado” projecta de si próprio.
Uma indústria que publica uma tabela de preços e que, ao primeiro telefonema com o cliente, já a baixou em 40% a 80% conforme o capricho do vendedor, é uma indústria ou uma palhaçada?
Participei de 2 reuniões conduzentes ao arranque do Interactive Advertising Bureau (IAB) em Portugal. O IAB é uma entidade internacional que se esforça por dar transparência a um negócio opaco e encoraja o lançamento de entidades nacionais que operem no sentido da credibilidade e da formação e ajudem a compreender a dimensão do mercado.
Em Portugal, e apesar da boa vontade de um punhado de louváveis indivíduos com iniciativa, estamos num impasse.
Não quero alongar-me sobre as razões desse impasse nem desvendar nada sobre os processos da formação do IAB Portugal, que nem estou certo que alguma vez venha a existir, desde logo porque o próprio processo de formação é encarado como uma ameaça ao status quo. Chamo a atenção para o artigo de Enrique Dans, que criticou por este dias o IAB Spain, em IAB: mala metodología, o mala intención. Recomendo a sua leitura a todos os que se interessam, directa ou indirectamente, pelo futuro da publicidade online, e em especial aos investidores e aos pequenos publishers. Quem vos alerta, vosso amigo é. Dois excertos:
“La publicidad en blogs, de la que Julio sabe un rato largo, queda reducida a una cifra ridícula, en absoluto representativa de la realidad, y la credibilidad de la IAB se diluye entre dudas de intentos de favorecer a unos soportes que son además sus principales accionistas.
La cifra que casi esconde el informe de la IAB supone una cantidad tan desproporcionadamente inferior a la realidad con respecto a la publicidad en los llamados “nuevos soportes” – que tienen de “nuevos” ya lo mismo que yo de santo o de enano – que resulta difícil pensar en un error metodológico.”
“¿Qué interés tiene la IAB en minimizar un segmento de la publicidad en Internet? Simplemente, el provocar que los anunciantes y las agencias vean un panorama distorsionado, en el que los medios tradicionales – portales y medios de comunicación – acaparan la totalidad de la inversión, mientras los “otros” medios, pujantes y emergentes, desaparecen diluídos precisamente en el apartado de “otros”.”
Blogs, webzines e todo o tipo de publicações — incluindo as publicações tradicionais que não integrem um dos grandes grupos ou o principal portal português — são propositadamente consideradas como “os outros” também pelos incumbentes nacionais, cujo objectivo único — e é para isso que os accionistas lhe pagam, parafraseando um dos mais activos participantes nas reuniões do putativo IAB Portugal — é proteger a sua propriedade; não faz parte do seu DNA ajudar os outros ou transmitir abertura e transparência coisa nenhuma. Vós sois “os outros”. Se não tomardes conta dos vossos interesses, quem tomará?
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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agora que fala nisso…
é realmente “fechado” e opaco esta indústria em portugal. Impressionante como “lá fora” fazem tanto dinheiro com publicidade online e cá por vezes tenho ideia que é sub-aproveitada e vista como um meio menor.
Pode ser que o marketeer do ano Obama tenha começado a revolução para abrir os olhos a muita gente. E espero que sim, já que ando a desenvolver uma tese sobre promoção de conteúdos online (ainda em definição)
essa dos preços é endémica. o mesmo se passa na imprensa, na tv, na radio.
as tabelas servem de base para os descontos.
interessa a muita gente que seja pouco claro.
[...] Quem diz uma loja de aplicações também pode pensar num sistema de publicidade localizada na TV. Quiçá estilo Adwords, controlado via web com segmentações nunca vistas – o sonho de qualquer profissional de Marketing e o pesadelo de qualquer agência de meios que preze o lóbi actual. [...]