O partido dos 3
O PSD rege-se pelo número 3. Tem 3 palavras no nome: Partido Social Democrata. Há 3 anos que não é poder (Santana foi o seu último Primeiro Ministro, apeado em 2005).
No número 3 está, também, a salvação do partido no curto prazo (ler última frase deste artigo sobretudo humorístico).
A regra dos 3 nomes é cada vez mais uma imposição: não parece simplesmente possível fazer carreira de dentro para dentro do partido ou de fora para dentro sem ter 3 nomes. O que era tendência desde a fundação virou obrigação. Luis Filipe Menezes tem 3 nomes. Pacheco Pereira é cada vez mais José. Manuela Ferreira Leite. Marcelo Rebelo de Sousa. Pedro Santana Lopes. Mário Patinha Antão. Pedro Passos Coelho.
Como reza a Wikipedia, o Partido Social Democrata foi fundado (em 6 de Maio de 1974) por Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota sob o nome Partido Popular Democrático (PPD).
A nomenklatura social democrata é curiosa.
A ficha na Wikipedia é assaz pertinente para esta magna análise:
* Francisco Sá Carneiro (1974-1978)
* Emídio Guerreiro (1975)
* António Sousa Franco (1978)
* José Menéres Pimentel (1978-1979)
* Francisco Sá Carneiro (1979-1980)
* Francisco Pinto Balsemão (1981-1983)
* Nuno Rodrigues dos Santos (1983-1984)
* Carlos Mota Pinto (1984-1985)
* Aníbal Cavaco Silva (1985-1995)
* Fernando Nogueira (1995-1996)
* Marcelo Rebelo de Sousa (1996-1999)
* José Manuel Durão Barroso (1999-2004)
* Pedro Santana Lopes (2004-2005)
* Luís Marques Mendes (2005-2007)
* Luís Filipe Menezes (2007-2008)
* Maria Manuela Ferreira Leite (2008-)
O Grande Mistério é, sem dúvida alguma, este: o que é que que têm Emídio Guerreiro e Fernando Nogueira que são diferentes dos outros?
Não se pense que isto não tem importância, que não passa de um fait-divers. Sê-lo-ia se a regra fosse mais ou menos indistinta na política portuguesa.
Mas não é.
No Partido Socialista (o único partido de poder com 2 palavras no nome!) é quase o contrário: 2 nomes chegam para identificar o secretário geral. O mesmo acontece no Partido Comunista Português.
Aqui o leitor pensa: ah, então a tese do Paulo Querido (psst, eu assinei Paulo Carreira Querido em 1981-83, depois o Daniel Reis — 2 nomes! — meteu-me na ordem e deixei-me de coisas) é provar que a Direita e tal — não, escusa de ir por aí: os fundadores do CDS ainda tentaram, mas a deriva populista depressa acabou com isso.
É preciso ir ao Partido Popular Monárquico para encontrar novamente a aplicabilidade da regra — e mesmo assim, deve-se ao facto de o seu líder ser inamovível, na melhor tradição monárquica. Mas mesmo ele foi menos Gonçalo que Ribeiro Teles.
Finalmente: o PSD saiu das suas directas como entrou, só que com mais nitidez de contornos: dividido (ou agrupado, como alguns preferirão ver a coisa) em 3 blocos, os históricos (Ferreira Leite), os “populistas” (Santana) e os liberais (Passos Coelho).
A estes blocos, como dizer, temáticos (ideológicos seria um palavrão nada apropriado a este partido, haja tino) corresponde, nada grosseiramente, uma divisão geracional.
Com Ferreira Leite, perdão, com Manuela Ferreira Leite está o que resta do PSD dos anos 80 e 90, gente pelos 60 anos de idade e assim.
Os populistas são os que andaram a organizar os comícios e a levar os cafés aos gabinetes dos mais velhos nesses Anos Dourados, mesmo que pouco mais velhos, já entraram na meia idade e raramente passaram de posições sub-alternas (e quando passaram mais valia terem ficado quietos).
Os liberais são os que andaram agitar as bandeiras e a colar cartazes nos Anos Dourados e hoje coçam a palma das mãos sentido que está na hora deles. Olham em redor e os companheiros de surf já disfarçam a barriga na prancha longa, vestem um respeitável divórcio e trabalham a consentânea posição nos boards “da privada”.
Uma história para adormecer
É extremamente divertido assistir à preparação da opinião por parte dos porta-vozes informais da corrente histórica. Basicamente, pretendem convencer o eleitorado “de fora” que aquele partido é apaziguável, que a maestrina Ferreira Leite será capaz de afinar as gargantas a uma só voz. Fazem o lógico numa situação de fragilidade: oferecem prebendas (em número racionado) a uma das facções rivais para eliminar a outra.
É como tapar o sol com uma peneira. É uma história para adormecer.
A realidade é dura. Manuela Ferreira Leite controlará tanto ou menos o destino do PSD do que Pedro Santana Lopes — que, ao andar por aí, é o Manuel Alegre do PSD, com o mesmo poder de chantagear o líder em exercício com a ameaça de partir o partido em dois.
Passos Coelho ganhou o estatuto de incontornável para o pós 2009, seja ele qual for. Ainda que num horizonte mais dilatado, controla tanto ou mais o destino do PSD que Manuela: se a esta a coisa não correr bem, ou correr menos mal, não tem para mais que dois anos. Só uma vitória inequívoca sobre Sócrates reforçará a sua famosa credibilidade.
Depende de Pedro Passos Coelho querer passar o tempo a curtir as vistas — ou a pressionar taco a taco: Manuela Ferreira Leite tem de estar em permanente guarda com ele.
Quanto a Pedro Santana Lopes, tem luz própria — gostem as estrelas circundantes disso ou não, gostem os planetas iluminados disso ou não. Santana já antes fez o movimento para a direita e nada o impede de o repetir. Não tem nada a perder, no PSD ele é um homem vetado.
O CDS de Paulo Portas — a quem os mesmos shapers que estão a alcatroar a estrada para Manuela vaticinam o desaparecimento conveniente — ficaria subitamente mais importante.
O principal problema para a fusão, acredito, não é ordem ideológica (Santana sempre foi conservador), mas sim de quantidade de nomes. Um partido habituado a líderes de 2 nomes estará em condições de se aliar a um político de 3 nomes?
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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Em 2004, a Gradiva editou um livro satírico de José de Pina (Produções Fictícias, etc.), intitulado «Nascido para mandar: guia para chegar ao poder em Portugal», em que esta questão dos nomes é tratada. O autor diz que, de uma forma geral, os políticos de direita apresentam três nomes, enquanto os de esquerda apenas dois. E exemplifica, entre outros, com o caso de Álvaro Cunhal, cujo nome intermédio é Barreirinhas. Três nomes que, segundo Pina, não seriam uma mais-valia para a imagem do líder histórico do PCP.
[...] O partido dos 3 e a série sobre o PSD [...]
E agora , imagine-se acomapanha a moura guedes;)
Nada mau para um senhor tão distinto.
Não desgosto da distinção de balsemão mas desta vez não me convenceu.
das declarações de pinto balsemão ao meu filme favorito.: por acaso vocês não estavam á espera ke o digníssimo
http://bit.ly/cTDO4H