Os alguéns e os ninguéns (ou o Twitter, segundo Guy Kawasaki)
Guy Kawasaki tem um artigo notável, de tão lúcido, sobre o Twitter — que na verdade se pode aplicar a toda a web social: How to Use Twitter as a Twool, como usar o Twitter como uma ferramenta.
Não vou aqui repetir ou traduzir o post, mas apenas realçar algumas ideias que considero essenciais e que extravasam mesmo a experiência específica com a última ferramenta “killer” da Internet.
Kawasaki diz: esqueçam os influenciadores. Isto vai cair muito mal a milhares de marketers que nos últimos dois anos têm vindo a construir reputações impecáveis nos social media — mas que caia, pois ele tem razão: os ninguéns são os novos alguéns. Mais vale arregimentar um exército de empenhados ninguéns do que andar a reboque de um punhado de alguéns. O que os alguéns podem eventualmente dar-nos é um pique de tráfego, um dia.
E mais: se um número suficiente de ninguéns gostar do que fazemos, então os alguéns terão inevitavelmente de escrever sobre nós (erm… Guy Kawasaki não conhece os A-bloggers portugueses
). O buzz dos ninguéns atrai a atenção dos alguéns, e não vice-versa.
A minha experiência com o Twitter em particular, e com os social media em geral, blogs incluídos, confirma cada palavra de Guy Kawasaki. Conectar-me aos alguéns não foi uma boa estratégia. Até porque os alguéns competem no seu próprio campeonato, onde rivalizam uns com os outros. Constroem redes que depressa se fecham entre si (o mesmo aconteceu na blogosfera, com as inevitáveis consequências ao nível das audiências e da roda de influência da maior parte dos alguéns. Enquanto as audiências cresciam à volta deles, os seus blogs ficaram fechados nas suas redomas.)
Destaco ainda o facto de só existirem dois tipos de utilizadores: os que querem ter mais followers e os que mentem sobre isso.
Para me seguir no Twitter: PauloQuerido. Um directório com portugueses no Twitter: TwitterPortugal.com. Uma lista (em construção, que todos podem acrescentar) de jornalistas e jornais de língua portuguesa (Portugal e Brasil), no meu wiki, aqui.
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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Concordo plenamente!
Ao seguir os “alguéns”, algo que se faz no “princípio de carreira” no Twitter, esta-se apenas a meter em bicos dos pés a esperar que caia alguma migalha, o que poucas vezes acontece, e está-se a limitar o fluxo de informação a apenas um sentido. Ao seguir “ninguéns” cria-se uma dinâmica muito maior, ao haver muito mais informação a ser trocada, o que leva a que se crie uma massa coesa de vários “ninguéns” que por vezes tem repercussões inesperadas (assim de repente estou a lembra-me do fenómeno #Anita).
Seguir os “alguéns” é importante, não como promoção e meio de propagação da nossa informação mas sim como referência ou fonte de informação (nisto o twitter do Tim O’Reilly é simplesmente fabuloso).
João Almeida
João, exacto. Há alguéns que vale a pena seguir por isso mesmo, porque eles acrescentam valor, e Tim O’Reilly é um dos melhores exemplos.
acho a visão do Kawasaki não apenas lógica, mas também boa demais pra encontrar espaço na organização informacional da internet – ao menos aqui no Brasil, os ninguéns parecem pouco interessados em _não_ seguir o comportamento de manada :/
mas esse número vem diminuindo, o que é excelente. e as ferramentas são puro auxílio neste caso.
(chegando agora, vindo de indicação pelo twitter, e colando já no feed. abraço!)