Os feeds, as estatísticas e o Google também se engana
Bruno Amaral está a desenvolver o tema das métricas nos blogues (e na web, links abaixo). Curiosamente, há pouco saiu-me esta fava no bolo rei do Google Reader:

Traduzindo: os algoritmos do Google sugeriram-me que adicionasse o feed do Blasfémias antigo, que acabou há 6 ou 7 meses no endereço do blogspot, passando para o seu próprio site. Pior: segundo o Google (e para o caso não há melhor fonte) aquele feed tem 127 seguidores — que continuam a sê-lo apesar da mudança e de, consequentemente, o feed não ser actualizado desde Janeiro.
O defeito estará na forma como o Google define um subscriber, que é a designação oficial para quem adiciona um feed no seu leitor? Ou estará na medição propriamente dita?
Ou não há defeito?
Não sei. É certo que um assinante do feed tem um valor especial, diferente do de um leitor web: ao contrário deste, que não é dado como certo (existem leitores fiéis, esporádicos, one-timers, e por aí fora), aquele manifesta uma intenção clara de leitura, de acompanhamento.
Mas — como sugere o deslize do Google que desencadeou este artigo — tomar o número e leitores por RSS literalmente é prestar um mau serviço à métrica. O impulso da intenção e a facilidade e gratuitidade de adicionar é, em alguns casos (quantos?), inconsequente. Acredito que daqueles 127 leitores a maioria terá assinado logo o novo feed — mas estou a operar no campo da fé, ou do wishful thinking: na verdade, continuar com o anterior subscrito pode também ser interpretado como sinal de descuido na gestão dos feeds.
Online, há medidas para todos os gostos é o primeiro artigo da série a que aludi, no blogue Relações Públicas, seguindo-se O segundo nível de métricas. Valem a pena. E aguardo a publicação do próximo, para o qual Bruno Amaral promete discorrer sobre modelos em que um blog não é avaliado individualmente, mas como parte de um contexto e tendo em conta o seu potencial de comunicação relativo a um determinado tema e objectivos.
Os links são determinantes quer para perceber o contexto, quer para avaliar o impacto de comunicação.
Mas também os links não são tudo… Ando a explorar uma ideia e os resultados preliminares, sujeitos a confirmação, sugerem que a quantidade de links para notícias do Público aumentou em determinada altura — para bem do jornal em qualquer caso, mas a razão (sujeita a confirmação estatística, voltarei a isto) não se encaixaria (encaixará) num modelo que aproveita a economia dos links para estabelecer o valor de uma página ou conjunto. Admito que nalguns casos até possa funcionar em choque com outras avaliações, como a avaliação semântica (reacções negativas, ou iradas, podem adicionar valor, mas também podem subtrair, e já que falamos nisso, reacções bajulantes acrescentam ou subtraem valor — ou neither nor?).
A rematar: os meios conversacionais são mais sofisticados, na suas interrelações e interacções, que os meios dirigidos (rádio, jornais, televisão); logo, os sistemas métricos terão de seguir o padrão de sofisticação.
Logo, o assunto fica muito interessante de seguir! Porque estamos de tal modo formatados nas métricas pão-pão, queijo-queijo que campearam no século passado, sujeitando o jornalismo, o entretenimento e a cultura a uma mesma bitola férrea, que temos algumas dificuldades agora em aceitar o novo.
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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uma pergunta que arrisco, mesmo passando por muitíssimo naba: os posts lidos apenas atv do googlereader (ou afins) equivalem a posts lidos atv do website? (caem nos números de leituras captados pelo analytics ou sitemeters…?)
como me parece que não, apesar da subscrição revelar uma intenção clara de leitura pode ter um valor praticamente nulo… todos os que subscrevem leêm, de facto? às vezes duvido.
Um motivo para ter feeds antigos no Google Reader é a possibilidade de os incluir na pesquisa do Reader. Mantenho pelo menos dois blogues desactivados no meu, precisamente para poder encontrar rapidamente um artigo ou outro antigo num deles, através da restrição de pesquisa do Reader, em vez da caçadeira de canos serrados do Google geral.
Alguem conhece um sistema de estatisticas para feeds sem ser o FeedBurner ?