Os números da gripe suína
Nota: este post foi escrito a 28 de Abril e os números que contém referem-se a essa data. Os números, que evoluem em cada minuto, não serão actualizados nesta página. Para números actualizados, a melhor fonte é a Organização Mundial de Saúde, veja o microsite para a gripe A.
Segundo a fonte mais credível que detectei — a Organização Mundial de Saúde, WHO –, os números da gripe suína ao final do dia de ontem eram estes, regulados ainda pelo Emergency Committee, que reuniu precisamente ontem:
EUA – 40 (quarenta) casos confirmados em laboratório, nenhuma morte;
México – 26 (vinte e seis) casos confirmados de infecção em humanos, que incluem 7 (sete) mortes;
Canadá – 6 (seis) casos, nenhuma morte;
Espanha – 1 (um) caso, nenhuma morte.
(fonte: WHO)
Ritmo de menções a “swine flu” ou apenas “flu” no Twitter, ontem: 10.000 por hora. Na mesma rede os portugueses fizeram 25 citações por hora de “gripe” e “flu” (fonte: TwitterPortugal)
O Emergency Comittee da World Health Organization subiu de 3 para 4 o nível de alerta para uma pandemia do vírus H1N1. Esta mudança indica que a probabilidade de uma pandemia aumentou mas não é certa ou inevitável.
Enquanto isto, ontem e apenas ontem morreram em todo o mundo, apenas de diarreia, perto de 50.000 crianças (fonte: Nações Unidas)
Apenas esta semana morreram somente em Portugal e unicamente de cancro na laringe tantas pessoas — 7 (sete) — como as vitimadas em todo o mundo pelo corrente surto de gripe suina.
Talvez este seja um bom momento para respirar.
(Obrigado ao Bikoka Frita pela inspiração numérica)
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16 opiniões no artigo “Os números da gripe suína”
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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Obrigado pela cabeça fria, muito sinceramente.
Já na altura da loucura aviária, me cansava de dizer que naquele momento em que o mundo entrava em pânico com uma infecção sem provas de propagação humana, morriam em meses milhares de angolanos por causa de um surto de cólera. Problema para o qual o governo deles sempre recusou qualquer ajuda.
Com as cóleras e as diarreias dos outros podemos sempre bem, não é?
Abraço,
DP
Sim … precisamos de respirar e de cabeça fria!
Deixo aqui uma frase do relatório de 2005 sobre o Desenvolvimento Humano das Nações Unidas:
“The tsunami was a highly visible, unpredictable and largely unpreventable tragedy. Other tragedies are less visible, monotonously predictable and readily preventable. Every hour more than 1,200 children die away from the glare of media attention. This is equivalent to three tsunamis a month, every month, hitting the world’s most vulnerable citizens—its children. The causes of death will vary, but the overwhelming majority can be traced to a single pathology: poverty.”
Claro, Paulo, mas a gravidade do problema não se mede pelo número actual de vítimas, antes pelo potencial destrutivo em vidas à escala global caso se dê uma pandemia. A que se acrescentam as consequências económicas e sociais.
Eu sei que tu sabes disto, obviamente, apenas o refiro para realçar a racionalidade do alarme. As comparações com outras tipologias de mortalidade são recursos retóricos que poderão acalmar, mas que não devem fazer baixar as guardas.
Existem comentários entre os mexicanos que a gripe suína começou porque um funcionário (com AIDS) onde havia uma criação de porcos; tinha a mania de transar com porcas, e poucos meses depois algumas porcas e outros porcos começaram a morrer.
Existe verdade nesses comentários????
Valupi, a minha intenção é contribuir para racionalizarmos. O pânico não ajuda. Nadinha. Contra o pânico, a retórica é uma arma adequada, eu diria ;)
Estou longe de pretender aligeirar o assunto.
Roberto: get real.
Valupi,
A reflexão acerca da potencialidade mortal é sempre um argumento válido.
Mas não havendo confirmação de qualquer morte devido ao vírus fora da zona de eclosão, estas (as mexicanas) podem ser muito bem resultado de um quadro patológico mais complexo, ie, uma combinação com outras infecções (não detectadas) e restringida a essa região
E depois, há uma grande diferença entre a racionalidade tentada de um alarme (oficial) e a percepção conseguida pelos média.
Quando há governos que suspendem a importação de carne de porco mexicana, isso também é resultado de retórica onde a racionalidade já foi com os porcos.
A questão de dar outros números de mortalidade não são discursos de retórica.
Esses números são reais … existem … acontecem todos os dias … sem que ninguém se preocupe.
Esses números mostram como o Mundo tem as suas prioridades trocadas.
Os recursos são mobilizados por causa da gripe também e muito porque ela pode afectar as populações do primeiro mundo! Crianças a morrer de diarreia não nos podem transmitir nada!
Não vejo essa mobilização face ao terceiro mundo. Aliás eles não necessitam de caridade mas tal como dizem os sucessivos relatórios da ONU necessitam de poucas coisas: bons governantes, comércio livre, paz e uma Plano Marshal a nível mundial!
Mas isto tudo é … retórica!
[...] as actualizações do site tens o formulário na barra lateral.Powered by WP Greet BoxOlhando para estes números e sem perceber muito de medicina posso concluir que o estado das coisas, em relação à [...]
Paulo e Dorean, certamente! (pun intendend) Sabe-se disso tudo, mas também se sabe que se espera, e para breve, uma pandemia letal. Porquê? Matemática, tão-só: a constante mutação dos vírus irá chegar a uma estirpe altamente contagiante e altamente letal.
Portanto…
Eu tenho as minhas dúvidas. Primeiro, aqueles modelos teóricos têm pouca ou nenhuma base experimental. Ainda se dão os primeiros passos na área.
Segundo, não há evolução sem sobrevivência: se a iteração de mutações tornar demasiado rápida a morte do hospedeiro, a estirpe desparece.
(fui ver e é que nem a BBC escapa à virose desinformativa…)
Pelos vistos, para já tudo não parece ter passado de um alerta histérico com origem na impreparação (to say the least) das autoridades sanitárias ou políticas do México.
Stricter swine flu tests have cut the number of confirmed deaths in Mexico from 20 to seven, authorities say (BBC) http://is.gd/vj3y
“Las muertes decaen y las dudas crecen. Lo primero calma, pero lo segundo, inquieta” (El Pais) http://is.gd/vjoI
México rebaja a siete las muertes confirmadas por gripe porcina (ABC.es + EFE) http://is.gd/vjo9
Não acha significativo que um comunicado da WHO enquanto apenas em francês tenha sido completamente ignorado pelas agências?
As agencias e os jornais vão ser lentas a “responder” ao estado de não-histeria. Deixo à consideração dos leitores a explicação ;)
Sim, a comunicação social tem uma lógica histérica intrínseca, mas a qual resulta também de uma propensão antropológica: evitar o perigo, daí a sua hipertrofia valorativa. E quando são as autoridades mexicanas a falar em dezenas de mortos, é com essa veracidade que se tem de lidar. Mas tudo o que evite o histerismo é benéfico, obviamente.
Quanto aos modelos teóricos, e à fragilidade evolutiva de um vírus letal, mais uma vez a questão remete também para os circuitos de propagação; os quais, actualmente, são globais. Daí que a sua escala mortal, mesmo que num período de tempo breve de sobrevivência da estirpe em causa, pode ser devastadora.
good morning
Agradeco que confirme os seus numeros. Sem querer gerir algum panico, WHO aumentou o nivel de 4 para 5 de pandemia na semana passada. Os numeros que apresenta de casos confirmados em laboratorio estao desactualizados.
Aqui vai o link onde pode obter os numeros actuais:
http://www.who.int/csr/don/2009_05_06d/en/index.html
http://www.cdc.gov/h1n1flu/
…Ja agora, nas ultimas semanas tem morrido um numero significativo de pessoas vitimas de meningite na Africa Sub-saharina.