Secção tecnologia

iAnedotas

Perante um automóvel com mudanças automáticas e direcção assistida os geeks guincharam: como não tem alavanca de mudança e o volante é leve? Nenhum condutor vai querer esse carro, quá quá quá.

Quando, na mesa, viu faca e garfo para comer a refeição, o geek esnobou — e puxou do seu canivete suíço: “sem 37 formas diferentes de cortar bife e espetar batata, quem vai comprar essa utensilagem bacoca?” — perguntou, convicto da sua verdade.

(É a este nível, anedótico, que andam a maioria das “críticas” ao iPad.)

iPad: promessas de amanhãs que cantam (e porque estou cauteloso com elas)

O aparelho mais recente da marca Apple, o iPad, é um tanto desconcertante. Sobre ele, o seu lançamento e as suas envolvências, pediram-me um curto depoimento para o Diário Económico e escrevi para o Diário2 este guia (in)completo do iPad.

O que tenho para acrescentar hoje, depois de ter lido o enquadramento das fontes que mais reputo e de raciocinar sobre o iPad e o mercado dos computadores e aparelhos informáticos, é um pouco perturbador. É isto: o iPad promete efectivamente amanhãs que cantam à nossa relação com a informática. O iPad promete acabar com a experiência frustrante do interface que dominou, imperial e imperturbável, a relação de 99% dos humanos com 100% dos computadores ao longo dos últimos 30 anos. Refiro-me à metáfora do interface gráfico e da interacção com o rato, nas múltiplas variantes de “apontar e clicar” (conferir o ciclo histórico desde Palo Alto e além).

Promete acabar com a dependência do formato do ecran: ele continua rectangular, oh sim, mas temos a liberdade de girar esse rectângulo, rodá-lo com o nosso próprio movimento, de forma natural, o conteúdo, aquilo que está a ser mostrado, adapta-se à nossa posição em vez de sermos obrigados ao alinhamento com a posição dele.

Apesar do pecado original do fechamento (o iPad, como o iPhone, está vedado à programação livre, só aceitando software fabricado dentro dos limites impostos pela Apple), ou talvez por isso mesmo, o iPad promete liberdade para o utilizador. A liberdade de deixar de se preocupar com problemas como os vírus e a manutenção do computador, a liberdade da ausência de rato e teclado, a liberdade de “guiar” o automóvel sem precisar de saber puto sobre mudar o óleo ou trocar um pneu.

Neste sentido, o iPad promete amanhãs que soam a canções de embalar a qualquer utilizador de computadores moderno, que perdeu o medo aos aparelhos e banalizou a sua existência mas vive diariamente o drama dos mistérios do hardware, das birras do software e dos amuos do engenheiro de sistemas com formação para ligar e desligar o botão de power. O que o nosso utilizador quer — o que toda a gente quer, menos os hackers — é resultados com o mínimo de entropia possivel no processo de os obter. (O focus dos hackers é precisamente o processo.)

E isso, como sabe quem usa um iPhone, a Apple já dava. Com o iPad a Apple leva a entropia mínima de utilização a um novo patamar: ao patamar dos computadores pessoais.

Ou eu digo de outra maneira que não ofenda os puristas (sim: há puristas que acham, e quem sou eu para os desmentir, que o iPad não é um computador, por mais que Steve Jobs diga que é). O iPad reduz o dispêndio de energia e tempo ao serviço do aparelho propriamente dito, simplificando e humanizando a interacção com QCQEDOL (Qualquer Coisa Que Está Do Outro Lado).

Com o iPad a Apple promete amanhãs sorridentes às empresas que já marcavam presença no segmento dos aparelhos humanizados, que buscam interacções mais próximas da naturalidade gestual e comportamental. Os chamados “tablet PC”, que deixam cair o teclado e o rato que força os pulsos e os ombros, procurando formas de apanhar o gesto natural dos dedos, da mão, dos olhos. A Apple não inventou propriamente este mercado, mas tem nele uma acção preponderante tanto ao nível da inovação — o LED-Backlit IPS Display Multi Touch é a jóia daquela coroa — como, e em especial, enquanto locomotiva que arrasta o comboio das multidões e também das câmaras de televisão.

E eu, avisando já que sou dos que gostam do ecran preto, das letras tipo Matrix a escorrer-me pela tela, e de estudar por dentro a mecânica dos aparelhos e da net, aqui me confesso sem pudor: há anos que sonho com a interacção natural, como falar para a máquina (ditar-lhe o mail ou as instruções) e mexer nas metáforas directamente com os dedos e as mãos, sem aleijar o pulso, há anos que sonho em deitar-me de lado na cama a ler na máquina.

Ter um iPhone foi um passo importante na libertação das amarras do GUI e do rato. Olho para o video do iPad e parece-me um bom patamar de entendimento — e um tremendo alívio ao mesmo tempo. Olho para o lado e vejo olhos a relampejar, já enamorados daquela facilidade. Um dia, usaremos o poder imenso do microprocessor como quem usa uma camisa e sem fronteiras entre os dois mundos, o digital e o físico — como aqui se antevê. Enquanto lá não chegamos, aos wearables, o iPad é uma belíssima ideia que tornarei realidade assim que se justificar trocar aparelhagem informático-comunicacional e os astros se conjugarem no alinhamento da dispensa do euro.

O problema é sempre o mesmo dos amanhãs que cantam. Nem sempre entregam. Por culpa própria ou alheia — ou um mix de ambas. Não tanto para o bem da Apple, onde não tenho acções nem interesses, nem das outras empresas que se perfilam, mas a favor da libertação dos escravos da informática rígida, espero que este amanhã cante mesmo.

Vou estar no IBWAS ’09 (Especialistas mundiais discutem segurança na Internet)

Conferência Ibérica de Segurança em Aplicações Web (Iberic Web Application Security, IBWAS09) a realizar em Madrid, Espanha, nos dias 10 e 11 de Dezembro de 2009, organizada pelas delegações Espanhola e Portuguesa da Open Web Application Security Project (OWASP) Foundation, vai juntar especialistas, investigadores e indústria para discutir problemas e soluções associados à Segurança das Aplicações Informáticas que funcionam na Internet.

Oradores e keynote speakers da IBWAS09:

Keynote Speakers:

Bruce Schneier (EUA), especialista de prestígio internacional e autor, descrito pela Economist como um “security guru”, é conhecido pela imparcialidade e lucidez dos seus comentários nas questões de segurança web.

Jorge Martin (Espanha), inspector do Cuerpo Nacional de Policía da Espanha e Chefe do Grupo de Segurança Lógica da Unidade de Crimes Tecnológicos da Comisaria General de Policía Judicial.

Palestrantes:

Justin Clarke (Austrália) – SQL Injection how does the rabbit hole go?

Dinis Cruz (Portugal) – OWASP 02 Platform-Open Platform for automating application security knowledge and workflows.

Luis Corrons (Espanha) – Growth and complexity of the underground cybercrime economy.

Marc Chisinevski (França) – The OWASP Logging Project.

Simon Roses (Espanha) – Microsoft Infosec Team: Security Tools Roadmap.

Dave Harper (UK) – Empirical Software Security Assurance.

Raul Siles (Espanha) – Assessing and Exploiting Web Application swith the open-source Samurai Web Testing Framework.

Miguel Almeida (Portugal) – Authentication: choosing a method that fits.

Daniele Catteddu (França) – Cloud Computing: Benefits, risks and recommendations for information security.

Kuai Hinojosa (EUA) – Deploying Secure Web Applications with OWASP Resources.

Fabio E Cerullo (Irlanda) – OWASP TOP 10 2010.

Paulo Querido (Portugal) – What Security in a Liquid Web?



Sobre a OWASP (Open Web Application Security Project Foundation:

http://www.owasp.org

Sendo em termos legais uma Fundação regida pelo direito dos Estados Unidos da América, a OWASP é uma organização internacional, não lucrativa, com uma forte cultura “open-source”, que tem por missão promover a segurança do software e das aplicações informáticas que funcionam na internet.

IBWAS ’09 – Endereços Web:

http://www.owasp.org/index.php/OWASP_AppSec_Iberia_2009

http://www.ibwas.com/

IBWAS ’09 – Local da Conferência:

Escuela Universitaria de Ingeniería Técnica de Telecomunicación, Universidad Politécnica de Madrid. Detalhes da localização disponíveis em http://www.euitt.upm.es/

IBWAS ’09 – Registo:

https://guest.cvent.com/EVENTS/Register/IdentityConfirmation.aspx?e=c0d8f8e9-092d-4700-95f0-1a571b250336

Triliões: computação como uma ecologia

É o video mais importante no mês, e o terceiro conceito mais importante do ano, para mim, depois do Twitter como uma camada de transporte e da web fluida, ou em tempo real. Triliões de nós na rede, muito em breve. A computação como uma ecologia, não como um sistema. A rede, um organismo vivo.

Trillions from MAYAnMAYA on Vimeo.

Amazon: novo serviço na cloud (base de dados) e baixa de preços

cloud A Amazon fez um duplo anúncio: juntou à sua oferta de cloud computing um novo serviço, Amazon Relational Database Service (RDS), e baixa os preços do Elastic Compute Cloud (Amazon EC2) a partir de 1 de Novembro.
Esta atitude aproxima ainda mais a Amazon do tradicional mercado de alojamento. Além de agora ter soluções completas (faltava-lhe a base de dados fácil de compatibilizar com a imensa maioria dos arquivos), o preço está a ficar cada vez mais perto do alojamento em máquinas reais.
Em termos concretos, a partir de 1 de Novembro a instância de entrada passa a custar 9,5 cêntimos de dólar por hora, para a colocação na Europa, contra os 11 cêntimos actuais, e a instância Extra large passa de 88 para 76 cêntimos por hora. Isto significa, no primeiros caso, que o custo mensal baixa de 79,2 dólares para 68,4 e, no segundo, de 633,6 para 547 (ver quadro completo no fim do artigo). LER CONTINUAÇÃO :.

Patch Tuesday: os números (impressionantes) da insegurança no software da Microsoft

microsoft_1978

Preocupada com os sistemáticos buracos de segurança e bugs que afectavam já não apenas os clientes do seu software, mas a própria imagem da empresa, a Microsoft decidiu-se por uma intensa caça aos bugs nos incontáveis milhões de linhas dos seus sistemas operativos e programas.
A parte boa: o programa, conhecido por Patch Tuesday, completou 6 anos na terça-feira desta semana. Consiste em lançar um conjunto de patches na segunda terça-feira de cada mês. (Pense num patch como num remendo para um furo de bicicleta e no Patch Tuesday como numa caixa de remendos.) A caixa de remendos do mês foi uma dos melhores — ou piores, conforme a direcção do olhar.
Decidi fazer um pequeno sumário dos números (impressionantes) do software mais buggy do planeta.

A parte má: a despeito das colossais reservas de dinheiro de que a empresa dispõe para resolver o assunto, e da resolução, até à data, de 1 buraco a cada 2,9 dias, a verdade é que o número de buracos não está a diminuir, pelo contrário: aumenta. Só este ano (10 meses, até Outubro) a empresa resolveu 160 deficiências. No ano passado (12 meses) tinham sido 155. Os boletins dos dois últimos anos deram conta do dobro de problemas de segurança anunciados nos dois primeiros anos de Patch Tuesday (contas de Jaikumar Vijayan, na Computerworld: In six years of Patch Tuesdays, 400 security bulletins, 745 vulnerabilities)
Uma possível explicação: a segurança não é uma preocupação presente quando o software é desenvolvido, sendo empurrada para outros estádios do processo.
Ou seja: o Patch Tuesday não é mais do que um remendo no processo de fabricação de software da Microsoft — que de raiz, e desde sempre, como se estivesse impresso no código genético da empresa, não atribui prioridade à segurança dos sistemas informáticos.
Assim não vão lá.

(Na foto: fundadores e funcionários da Microsoft em 1979)

Nenhum jornal português no Kindle lançado a 19 de Outubro

kindle-jornais

Nenhum jornal português estará disponível no Kindle, o leitor electrónico que a Amazon se prepara para lançar ao mundo, depois de anos comercializado exclusivamente nos Estados Unidos.
Mas o português fará parte do aparelho: o jornal brasileiro Globo integra a selecta lista de apenas 52 jornais que se poderão descarregar para a primeira versão internacionalizada do Kindle, com lançamento simultâneo numa centena de países, no dia 19 de Outubro.
Em contraste, o Kindle virá com 3 jornais espanhóis — a Espanha é o segundo país da Europa, depois do Reino Unido, com 4, e à frente de França e Alemanha (2) e Irlanda (1).
São eles o Diariocritico (um diário de Valência), o AS (da Prisa, grupo presente em Portugal) e o El País.
A Amazon vai comercializar o aparelho a 279 dólares (aprox. 190 euro).
Além dos 52 jornais e de news magazines americanos e internacionais (em inglês), a Amazon tem mais de 200.000 livros já formatados para o seu leitor.

Next Page →

ACERCA
mini fotografia paulo querido Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (Mais)

Como ler

Certamente! é distribuído em vários canais.
edição diária por e-mail
Pelo Twitter
Por RSS
Google
Bloglines
no Yahoo!
no seu leitor


http://www.wikio.fr